A IBTM Barcelona abriu portas na terça-feira, 28 de novembro, esperando reunir esta semana cerca de 12.000 profissionais do setor MICE e 3.000 compradores. De acordo com o jornal espanhol Hosteltur, o setor mantém boas perspetivas para 2024, impulsionado pela robusta procura pós-pandemia. Contudo, a fuga de talentos emerge como uma das principais preocupações para as empresas.
Os resultados do “Global Destination Report”, apresentados na IBTM, sinalizam motivos para otimismo em relação a 2023. Nesse sentido, 61% dos destinos experimentaram um crescimento nos negócios em comparação com o ano anterior, enquanto 34% mantiveram níveis similares e apenas 5% observaram uma diminuição.
Apesar desse panorama favorável, o segmento MICE não está imune à complexa situação internacional que pode influenciar a confiança de diversos setores económicos e organizações ao planearem eventos para os próximos três anos.
Alistair Turner, autor do relatório anual de tendências da IBTM, destaca a importância crucial de 2024, referindo que “a paisagem económica, política e ecológica do nosso planeta está no fio da navalha e o advento da Inteligência Artificial pode mudar a situação de várias formas.”
Desafios da fuga de talentos
Além das incertezas globais, uma preocupação persistente impacta diariamente milhares de empresas no ecossistema MICE, como cadeias hoteleiras, agências de eventos e organizadores de conferências. Trata-se da fuga de talentos, fenómeno que se intensificou após a pandemia.
Sian Sayward, da empresa britânica de eventos Inntel, alerta que as empresas do setor MICE estão agora “a competir entre si” e com outros setores para atrair pessoal. “Estamos a perder profissionais para áreas como o retalho e a logística, procurando salários mais atrativos, horários ou condições de trabalho melhores”, explica Sayward.
Talvez o problema, observa, seja o facto de muitas empresas que operam na indústria do turismo MICE ainda verem os seus funcionários “como um custo, quando deveriam vê-los como um ativo”.
No entanto, o custo que mais deveria preocupar essas “empresas da era dos dinossauros”, acrescenta, é “o custo da captação de talento, que pode ser bastante elevado”.
“Uma profissão e não um emprego”
A American Express Global Business Travel, no seu relatório anual de tendências, também abordou a questão dos recursos humanos. Segundo o relatório, 70% dos organizadores de eventos não planeiam procurar um novo emprego nos próximos doze meses.
Ao apresentar os resultados na IBTM, Catherine Southall, diretora da American Express Meetings & Events no Reino Unido, sugeriu que a chave para reter talentos pode residir em perceber o trabalho como uma “profissão e não como um emprego.”



