Sexta-feira, Maio 15, 2026
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Intenção de viajar na Europa atinge máximo desde 2020, mas com estadias mais curtas e orçamentos mais baixos

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A intenção de viajar entre os europeus para a primavera e verão de 2026 atingiu o nível mais elevado desde 2020, apesar de um comportamento mais cauteloso marcado por estadias mais curtas e orçamentos mais controlados.

De acordo com o mais recente estudo da European Travel Commission, 82% dos europeus planeiam viajar entre abril e setembro deste ano, um aumento de 10 pontos percentuais face a 2025.

Os viajantes mais jovens são os principais responsáveis por esta subida. As intenções de viagem cresceram significativamente entre os 18 e os 34 anos, com aumentos de 21% na faixa dos 18–24 anos e de 16% entre os 25–34 anos.

Apesar do forte apetite por viajar, os consumidores estão mais seletivos. As estadias tendem a ser mais curtas, sendo agora mais comum viajar entre quatro e seis noites (38%), enquanto as viagens mais longas, de sete a 12 noites, registam uma diminuição.

Também os orçamentos refletem maior prudência: cresce o número de viajantes que pretende gastar até 1.000 euros por viagem, enquanto diminui a proporção daqueles que planeiam despesas superiores a 1.500 euros.

Além disso, 39% dos europeus planeiam fazer apenas uma viagem nos próximos seis meses, evidenciando uma redução no número total de deslocações.

Segurança e custos influenciam decisões

A escolha do destino é cada vez mais condicionada por fatores como segurança, custo e condições climáticas. A segurança surge como principal critério (22%), seguida do clima (15%) e de ofertas atrativas (14%).

Os custos continuam a ser a principal preocupação para 20% dos viajantes, enquanto as tensões geopolíticas, nomeadamente no Médio Oriente, registam um aumento significativo nas preocupações.

As viagens dentro da Europa continuam a dominar (90%), com destaque para os destinos do sul e do Mediterrâneo, que concentram quase 60% da procura. Espanha lidera as preferências (14%), seguida de Itália (11%), França (8%), Grécia e Portugal (ambos com 6%).

O estudo revela ainda uma mudança nos padrões de viagem: há menos interesse em visitar vários países numa só viagem, enquanto aumenta a preferência por explorar várias cidades dentro do mesmo destino.

Para Miguel Sanz,European Travel Commission, os dados confirmam a resiliência do setor, mas também uma mudança no comportamento dos viajantes: “Os europeus continuam altamente motivados para viajar, mesmo num contexto global mais complexo. O que está a mudar é a forma como viajam, com uma abordagem mais seletiva, orientada para o valor, estadias mais curtas e orçamentos mais controlados”, afirmou.

O responsável destaca ainda que esta evolução abre oportunidades para destinos e empresas ajustarem a sua oferta, apostando em experiências mais integradas e alinhadas com as novas expectativas dos viajantes.

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