Investimento hoteleiro em Portugal atinge 590 milhões de euros e já supera os totais de 2024 e 2025

-PUB-spot_img

O investimento hoteleiro em Portugal atingiu os 590 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, superando já os volumes anuais registados em 2024 e 2025, segundo dados divulgados esta terça-feira pelo grupo imobiliário internacional Dils. O setor representou cerca de 27% do investimento imobiliário comercial no país, com o capital internacional a assumir um papel predominante.

De acordo com os dados do Dils Recap, o investimento hoteleiro totalizou 78 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, impulsionado pela aquisição do Tróia Design Hotel pela Arrow Global. As yields prime mantiveram-se estáveis nos 5,75%.

O capital internacional continua a assumir um papel predominante no investimento hoteleiro em Portugal, com os investidores a privilegiarem sobretudo estratégias de value-add e ativos com potencial de reposicionamento e valorização, de acordo com a análise.

No conjunto do mercado imobiliário português, o volume de investimento atingiu os 630 milhões de euros no terceiro trimestre, o que representa um crescimento de 33% face aos três meses anteriores. No acumulado do ano, o investimento ascendeu a dois mil milhões de euros, mais 7% do que no período homólogo de 2025.

Apesar da incerteza geopolítica e económica e de um ambiente de investimento mais seletivo, a Dils considera que os resultados evidenciam a “resiliência do mercado e o interesse contínuo dos investidores”.

Portugal soma 3.253 novos quartos e prevê mais 1.600 até ao final do ano

Desde o início de 2026, foram adicionados 3.253 novos quartos à oferta hoteleira nacional, estando prevista a entrada de mais 1.600 quartos até ao final do ano, com a conclusão de novos projetos.

Entre as principais aberturas do terceiro trimestre, a Dils destaca o 705 O’Porto Hotel, o Kimpton Quinta da Marinha, resultante do reposicionamento do antigo Onyria Resort no segmento de luxo, e o Wilde Clérigos Porto.

Por sua vez, a carteira de projetos atualmente em construção concentra-se sobretudo nos segmentos Upper Upscale e Upscale, com cerca de 2.386 quartos previstos para 2028. Entre os projetos identificados encontram-se o The Standard Lisbon, o Aethos Lisbon e o Na Praia, na Comporta.

Lisboa regista queda de 5% no RevPAR, enquanto Algarve cresce 3%

Dados citados pelo Dils Recap apontam que, no período de 12 meses terminado em agosto de 2026, Portugal registou 83 milhões de dormidas, um crescimento homólogo de 1%, e 33 milhões de hóspedes, mais 2% face ao período anterior.

O Reino Unido manteve-se como principal mercado emissor, com 10,1 milhões de dormidas, apesar de uma quebra homóloga de 1%. Já os Estados Unidos da América e a Alemanha registaram ambos um crescimento de 3% no número de dormidas.

Ao nível do desempenho operacional, os principais destinos turísticos nacionais apresentaram evoluções distintas. Em Lisboa, a taxa de ocupação recuou, enquanto no Porto e no Algarve se manteve relativamente estável.

O Algarve registou crescimentos homólogos de 3% tanto no preço médio diário (ADR) como na receita por quarto disponível (RevPAR), refletindo, segundo a Dils, a “continuidade de uma evolução favorável, embora moderada, dos indicadores de desempenho”.

Em contrapartida, Lisboa registou uma redução de 5% no RevPAR, resultado da evolução negativa tanto da taxa de ocupação como do ADR, após vários anos de crescimento sustentado.

Os dados constam do Dils Recap, uma iniciativa de Business Intelligence da consultora imobiliária europeia Dils, que reúne trimestralmente os principais indicadores dos segmentos comercial e residencial do mercado imobiliário português.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img