A poucos dias do arranque da 3.ª edição da Global Summit on Responsible Enotourism, que decorre entre 31 de maio e 3 de junho, em Beja, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos, afirma que o evento representa “um grande momento de afirmação internacional do Alentejo” e assume-se como mais uma peça da estratégia da região para captar grandes eventos ligados ao vinho, gastronomia e sustentabilidade.
“Para uma região que aposta tanto no enoturismo, do ponto de vista da estratégia de desenvolvimento turístico, mas também pelo esforço e investimento que muitos empresários têm colocado neste produto, trazer um dos principais acontecimentos mundiais do enoturismo para a nossa região é, obviamente, um aspeto ao qual damos um grande valor e significado”, afirmou ao TNews.
A cimeira, organizada pela Global Wine Tourism Organization em parceria com o Turismo do Alentejo e Ribatejo, vai reunir em Beja especialistas internacionais, académicos, empresários, jornalistas e responsáveis institucionais de mais de 17 países.
Associado ao evento decorre também o “Wine & Travel Week – Pop Up Beja 2026”, um momento B2B organizado pela Essência do Vinho, que levará ao Alentejo cerca de 15 operadores turísticos internacionais especializados em enoturismo.
“Temos previsto cerca de 400 reuniões entre esses operadores e a nossa oferta. Há uma componente de visita técnica às adegas, benchmarking, troca de impressões e uma componente cultural também, com concertos de artistas alentejanos nas nossas adegas”, revelou José Santos.
“Queremos um produto mais homogéneo e estruturado”
O responsável reconhece que o Alentejo já possui projetos de enoturismo muito consolidados, mas admite que ainda existe trabalho a fazer para aumentar a maturidade da oferta em toda a região.
“Temos um conjunto de projetos empresariais que trabalham já muito bem o enoturismo, aquilo que chamamos os ‘champions’. Depois temos uma gama intermédia, talvez umas 20 ou 30 unidades, que precisam ainda de trabalhar para assumirem maior protagonismo”, explicou.
Segundo José Santos, a estratégia passa por criar um produto “o mais homogéneo possível” em toda a região, apoiando-se no programa PROVERE ENOTUR, financiado por fundos europeus.
Entre os projetos estruturantes previstos estão uma academia de formação e conhecimento ligada ao enoturismo, envolvendo a Universidade de Évora e os politécnicos de Beja e Portalegre, bem como um sistema de certificação sustentável para instalações de enoturismo.
“Nós já temos no Alentejo o Plano de Sustentabilidade dos Vinhos, que é uma referência internacional na produção agrícola. Queremos agora criar uma estratégia de sustentabilidade para as instalações enoturísticas e isso vai ser lançado na Cimeira”, adiantou.
O dirigente acredita que, até ao final de 2027, o Alentejo será “um destino turístico mais organizado, mais maduro e mais conhecido em todo o mundo”.
“O Alentejo entrou decididamente no roteiro dos grandes eventos”
A captação de grandes eventos internacionais vai continuar a ser uma prioridade da região, garante José Santos, que aponta já novas candidaturas em preparação.
“Temos aqui dois eventos, um ligado ao vinho e outro ligado à gastronomia, com grande probabilidade de virem para o Alentejo”, revelou, sem avançar detalhes.
O presidente da Entidade Regional de Turismo sublinha que 2026 e 2027 serão anos particularmente relevantes para o território, impulsionados também pela Capital Europeia da Cultura.
“Este ano temos Cidade Europeia do Vinho, Cimeira Mundial do Enoturismo, Gala dos Sóis Repsol, Campeonato de Enduro no Alentejo Litoral e as Festas do Povo de Campo Maior. Para o ano teremos novamente a Tall Ships Race em Sines. O Alentejo entrou decididamente no roteiro dos grandes eventos”, afirmou.
Ainda assim, faz questão de sublinhar que a estratégia regional não passa apenas por captar eventos externos. “Nós não queremos só captar grandes eventos, queremos também valorizar os nossos próprios eventos culturais e melhorar a sua qualidade”, frisou.
Turismo premium cresce no Alentejo, mas tranquilidade continua a ser o principal ativo
Durante a conversa com o TNews, José Santos comentou também os resultados do novo Estudo de Caracterização do Perfil, Motivações e Comportamento do Visitante do Alentejo, apresentado esta semana e desenvolvido pela Universidade de Évora.
O responsável considera que o estudo confirma o posicionamento que a região pretende consolidar: autenticidade, tranquilidade e ligação à natureza.
“A palavra mais associada ao Alentejo é tranquilidade. Fuga ao stress, fuga à rotina, atmosfera relaxante. Cada vez mais olha-se para o Alentejo como um destino restaurador”, destacou.
Segundo o estudo, os turistas valorizam sobretudo o património natural e paisagístico, a segurança e a hospitalidade da região, especialmente os visitantes internacionais.
José Santos sublinha também a crescente afirmação do segmento premium e luxury. “Há uma maior propensão para gastar em experiências e ofertas recreativas. O turista premium valoriza muito mais o acolhimento e a hospitalidade”, explicou.
Ainda assim, admite que a região continua numa fase de transição. “Ainda temos 51% dos turistas com um gasto médio de 133 euros, mas já temos 22% acima dos 200 euros. Estamos numa fase de mutação da procura”, referiu.
O presidente da Entidade Regional de Turismo destaca ainda que o pipeline hoteleiro confirma essa evolução. “Se olharmos para 2026 e percebermos que metade dos novos hotéis que vão abrir são de cinco estrelas, percebemos que o Alentejo está numa trajetória muito interessante”, concluiu.




