Domingo, Março 8, 2026
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“Licenciamentos atrofiam o investimento” no turismo, alerta Pedro Machado

O secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, defendeu a necessidade de simplificar os processos administrativos no setor, afirmando que o objetivo é “que a solução encontrada possa resolver problemas críticos que todos nós conhecemos, que são a celeridade, licenciamentos e outros que muitas vezes atrofiam aquilo que é o investimento”.

Na intervenção de encerramento da sessão de abertura do congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), o governante destacou que o Governo está a trabalhar na revisão dos regimes jurídicos dos empreendimentos turísticos e do comércio e serviços, sublinhando que “não queremos de facto criar aqui um novo paradigma, queremos é que a solução encontrada possa resolver problemas críticos”.

Pedro Machado referiu ainda que visitou recentemente um projeto que “praticamente demorou 10 anos até ser licenciado”, apontando esse tipo de situação como um entrave ao investimento no turismo.

O secretário de Estado salientou o peso económico do setor, referindo que o turismo gerou cerca de 29,1 mil milhões de euros em receitas em 2025, e estimou que em 2026 Portugal possa crescer “2/2,5% em fluxo de dormidas” e “entre 5/6/6.5% em receitas”.

Citando dados do “monitor do sentimento de viagem” da TravelBi, Pedro Machado disse que “32% dos inquiridos planeiam visitar Portugal pela primeira vez em 2026” e que “a proporção de viajantes sem planos concretos aumentou cerca de 6% para 67%”. Acrescentou que “um terço destes visitantes são first timers” e que “a motivação principal” é o lazer.

O governante sublinhou também a intenção de reforçar a agenda internacional do turismo, destacando que “pela primeira vez o Turismo tem um Comissário Europeu” e que está em discussão “a existência de um Orçamento Europeu” para reforçar a competitividade dos destinos e a solidariedade entre territórios.

Pedro Machado destacou a importância dos dados e da informação como suporte à decisão, defendendo que “a informação e o dado podem ser um instrumento poderoso ao serviço dos Estados”, nomeadamente na definição de políticas de sustentabilidade, mitigação das alterações climáticas e cooperação estratégica.

No domínio da cooperação, referiu o reforço da ligação aos países de língua oficial portuguesa e a abertura de uma escola de hotelaria em Angola, sublinhando que este modelo poderá ser alargado a Moçambique e Cabo Verde. O secretário de Estado referiu ainda parcerias com países ibero-americanos, como Chile, Uruguai e Colômbia, que procuram replicar o modelo português de formação.

Na sua intervenção, Pedro Machado voltou a referir três “mitos urbanos”, defendendo que “não há turismo a mais em Portugal”, que “o fantasma da imigração” deve ser combatido e que “o turismo não é o responsável pela falta de habitação”, sublinhando que o setor contribui para a reabilitação urbana e revitalização económica.

Por fim, o secretário de Estado alertou para a evolução do mercado global, afirmando que em 2035 haverá “2,4 biliões de pessoas a viajar em todo o mundo” e que o peso económico da Europa tem vindo a diminuir, com o “geocentro” da economia a deslocar-se para a Ásia.

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