O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, está entre os 30 aeroportos do mundo com maior risco de perda de voos de ligação, segundo uma análise da AirHelp sobre tempos mínimos de escala e ligações perdidas em 196 aeroportos internacionais. A infraestrutura portuguesa ocupa a 26.ª posição do ranking mundial, com uma pontuação de 4,64.
De acordo com o estudo, os grandes hubs internacionais apresentam maiores riscos operacionais devido ao elevado volume de passageiros, múltiplos terminais, controlos adicionais e tráfego internacional intenso. A AirHelp refere que Lisboa, enquanto hub da TAP e porta de entrada entre a Europa, o Atlântico e o Brasil, está particularmente exposta a estas pressões, sobretudo nos períodos de maior procura.
“A realidade operativa demonstra que nem sempre é fácil realizar uma ligação, especialmente em aeroportos de grande dimensão”, afirma Pedro Miguel Madaleno, advogado especialista em direitos dos passageiros aéreos e representante da AirHelp em Portugal. O responsável lembra ainda que os passageiros “estão protegidos contra a perda de ligações ao abrigo do Regulamento CE 261/2004”.
Além de Lisboa, o estudo identifica outros aeroportos portugueses em posições de risco moderado. O Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, e o Aeroporto das Lajes, na Terceira, ambos nos Açores, surgem empatados na 44.ª posição do ranking, ambos com uma pontuação de 5,10.
Já o Aeroporto do Porto apresenta um desempenho mais favorável, ocupando a 87.ª posição mundial, com uma pontuação de 6,21. Segundo a análise, os tempos recomendados de escala no Porto são de 35 minutos para voos domésticos e 70 minutos para voos internacionais, tornando-o “uma alternativa de escala mais fiável do que Lisboa para passageiros em trânsito”.
Entre os aeroportos portugueses melhor posicionados encontram-se ainda o Aeroporto da Madeira (138.º lugar, com 7,49 pontos), o Aeroporto do Pico (146.º lugar, com 7,72 pontos) e o Aeroporto de Faro (148.º lugar, com 7,77 pontos).
A AirHelp considera que o problema das ligações perdidas não depende apenas dos tempos mínimos teóricos de escala, mas também de fatores como “a dimensão do aeroporto, a distância entre portas de embarque, a fluidez nos controlos de segurança e a saturação sazonal”.
Face a este cenário, a empresa recomenda aos passageiros evitar escalas demasiado curtas em grandes aeroportos, sobretudo em Lisboa, acrescentar margem adicional durante períodos de elevada procura, como verão, Natal ou Páscoa, e consultar previamente os históricos de pontualidade dos aeroportos e companhias aéreas antes de reservar viagens.
A AirHelp recorda ainda que, ao abrigo do Regulamento CE 261/2004, os passageiros têm direito a reencaminhamento ou reembolso em caso de perda de ligação causada por fatores alheios à sua vontade, podendo ainda receber indemnizações até 600 euros caso cheguem ao destino final com mais de três horas de atraso.




