A Ryanair registou um lucro após impostos (PAT – profit after tax) de 538 milhões de euros no primeiro trimestre do exercício fiscal de 2027, uma quebra de 34% face aos 820 milhões de euros obtidos no mesmo período do ano anterior. A companhia atribui este resultado ao aumento do preço do combustível não coberto por instrumentos de proteção financeira (hedging) e à descida de 6% das tarifas, influenciada pelo conflito no Médio Oriente.
Em comunicado divulgado esta segunda-feira, 20 de julho, a transportadora irlandesa refere que o número de passageiros aumentou 6%, para 61,3 milhões, enquanto a receita total cresceu 1%, para 4,38 mil milhões de euros. Em contrapartida, os custos operacionais subiram 11%, para 3,81 mil milhões de euros.
O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, explicou que “a receita do primeiro trimestre aumentou 1%, para 4,38 mil milhões de euros”, mas a receita proveniente dos bilhetes recuou 1%, uma vez que “o tráfego cresceu 6%, mas com tarifas 6% mais baixas”. Segundo o responsável, as tarifas “precisaram de ser estimuladas”, uma vez que “o conflito no Médio Oriente levou à hesitação dos consumidores, a preocupações com a escassez de combustível de aviação na União Europeia, à incerteza económica e a reservas mais tardias”.
A Ryanair adianta ainda que as receitas auxiliares cresceram em linha com o tráfego, atingindo 1,47 mil milhões de euros, enquanto o custo unitário aumentou 5%, devido ao facto de o preço do combustível de aviação correspondente aos 20% da necessidade da companhia não protegidos por contratos de cobertura ter mais do que duplicado no trimestre, atingindo cerca de 150 dólares por barril (cerca de 130 euros).
A transportadora destaca que 80% das necessidades de combustível para o exercício fiscal de 2027 estão cobertas por contratos de hedging a cerca de 67 dólares por barril. Para o exercício de 2028, 15% do combustível já está igualmente coberto, a cerca de 85 dólares por barril (cerca de 58 euros).
No primeiro trimestre, a Ryanair abriu três novas bases – Rabat, Tirana e Trapani – e colocou à venda 130 novas rotas para o verão de 2026. A companhia reembolsou também, em maio, a última obrigação no valor de 1,2 mil milhões de euros, passando a apresentar uma posição sem dívida financeira.
Sobre o crescimento da rede, Michael O’Leary afirmou que, perante a limitação da capacidade disponível, a Ryanair está a direcionar os aviões para “Estados, regiões e aeroportos que reduzem os impostos sobre a aviação e baixam as taxas para incentivar o crescimento”, apontando como exemplos a Albânia, Itália, Marrocos, Eslováquia e Suécia. Em sentido contrário, a companhia continua a retirar capacidade de mercados “com impostos elevados e custos elevados”, como Áustria, Dublin, Alemanha e regiões de Espanha. Em Portugal, a Ryanair encerrou em março deste ano as operações nos Açores, decisão que justificou igualmente com os custos associados à operação na região.
A companhia opera atualmente uma frota de 647 aeronaves, incluindo 210 Boeing 737-8200 “Gamechanger“, e mantém a previsão de transportar 216 milhões de passageiros no exercício fiscal de 2027, o que representa um crescimento de 4%. A Ryanair espera ainda receber os primeiros 15 Boeing MAX-10 na primavera de 2027, prevendo incorporar um total de 300 destes aparelhos até março de 2034.
No plano operacional, a transportadora revelou que alcançou um índice recorde de satisfação dos clientes de 91% durante o primeiro trimestre, mais dois pontos percentuais do que no período homólogo.
Quanto às perspetivas para o restante exercício, Michael O’Leary afirmou que o objetivo de transportar 216 milhões de passageiros “mantém-se no bom caminho”, mas sublinhou que “é ainda demasiado cedo para fornecer qualquer orientação significativa” sobre o lucro anual após impostos. O responsável alertou que o resultado final continuará “altamente sensível” a fatores externos, entre os quais uma eventual escalada dos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, a evolução do preço do combustível não coberto, choques macroeconómicos e as greves e constrangimentos no controlo de tráfego aéreo europeu.




