A Lufthansa venceu a corrida à privatização parcial da TAP, superando a proposta da Air France-KLM, segundo noticiou esta quarta-feira, 14 de outubro, o Jornal Económico. O Governo deverá anunciar formalmente a escolha nas próximas horas.
Antes de ser conhecida a decisão oficial, responsáveis da administração da TAP pronunciaram-se sobre o processo, durante o World Aviation Festival, que decorre também esta quarta-feira, em Lisboa. “Sabemos que o processo vai ser muito bem avaliado”, afirmou Luís Rodrigues, presidente executivo da TAP, citado pelo Jornal Económico. Por sua vez, Carlos Oliveira, chairman da companhia aérea, considerou que “hoje é um dia importante para o futuro”.
Conclusão da privatização poderá ocorrer em 2028
Após a escolha do vencedor, o processo terá ainda de avançar para a aprovação dos instrumentos contratuais pelo Conselho de Ministros, incluindo o contrato de compra e venda de ações e o acordo parassocial. A operação ficará também dependente da aprovação das autoridades europeias da concorrência.
Segundo o Jornal Económico, a privatização poderá ficar concluída apenas em 2028. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, estimou que a autorização da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia poderá demorar entre 18 e 24 meses.
As propostas melhoradas apresentadas para a aquisição de 44,9% da TAP ultrapassaram os mil milhões de euros, de acordo com informações anteriormente divulgadas pela imprensa económica. A avaliação da totalidade da companhia aérea poderá, assim, superar os dois mil milhões de euros.
Entre os critérios definidos pelo Governo para avaliar as propostas estiveram o encaixe financeiro imediato e a qualidade dos planos industriais e estratégicos de longo prazo. Foram também considerados o crescimento da frota, o desenvolvimento do novo aeroporto de Lisboa, o investimento na operação aérea no Porto e nos restantes aeroportos nacionais, os combustíveis sustentáveis e as atividades de manutenção e engenharia.
Lufthansa quer reforçar posição no Atlântico Sul
A Lufthansa tem defendido que a TAP poderá desempenhar um papel estratégico no reforço da sua presença no mercado entre a Europa e a América do Sul, posicionando Lisboa como plataforma de ligação ao Atlântico Sul, em particular ao Brasil e a outros mercados latino-americanos.
A concretização da operação poderá alterar a atual distribuição de quotas neste mercado. Segundo dados de 2025 citados pelo Jornal Económico, a IAG liderava as ligações entre a União Europeia e a América do Sul, com uma quota de 20%, seguida da Air France-KLM, com 17%, e da LATAM, com 13%. A TAP detinha uma quota de 11%, enquanto o grupo Lufthansa representava 9%.
A integração da participação da TAP no grupo alemão permitiria, com base nestes valores, colocar a Lufthansa na liderança do mercado, reforçando a sua presença no Atlântico Sul.
A decisão sobre o vencedor da privatização deverá agora ser formalizada pelo Governo. Até à conclusão das etapas contratuais e regulatórias, a operação permanece sujeita às aprovações necessárias.




