A aldeia de Moreira de Rei, no concelho de Trancoso, distrito da Guarda, quer tornar a maior necrópole ibérica num ponto de interesse turístico. O projeto de valorização deverá estar concluído antes do final do ano.
O projeto pressupõe não só deixar a descoberto algumas das 670 sepulturas escavadas, mas também inclui o arranjo da área, a reabilitação da igreja de Santa Marinha e a criação de um centro interpretativo no interior do templo religioso, segundo a Lusa.
O sítio arqueológico, situado junto à igreja de Santa Marinha, é datado do século XII e classificado como Monumento Nacional desde 1932.
“É um achado extremamente importante, porque estamos a falar da maior necrópole da Península Ibérica. São autênticos tesouros que estavam aqui escondidos. Estes territórios têm muito valor”, disse à agência o presidente da Câmara Municipal de Trancoso, Amílcar Salvador, que acredita que a nova atração turística motivará os visitantes a ficar mais tempo no concelho.
A autarquia já criou um posto de turismo à entrada da aldeia, que entrará em funcionamento em setembro, para antecipar o impacto desta descoberta.
Entre 2018 e julho de 2023, a zona foi alvo de estudo e investigação e as descobertas dela resultantes levaram à necessidade de adaptar o projeto de valorização preconizado pela Câmara de Trancoso.
“A nossa perspetiva era ambiciosa, mas o que se veio a revelar foi muito mais do que era a nossa ambição. O facto de termos aqui uma pérola do património levou a que o projeto tivesse necessariamente de se adaptar”, refere Tiago Castela, arquiteto e chefe de Divisão de Obras da autarquia.
“Do ponto de vista técnico gostaríamos de deixar mais [sepulturas] à vista, mas tínhamos condicionantes como a circulação para as habitações e a valorização daquilo que se foi encontrando”, indica.



