Marco Sequeira, COO Europe e membro do conselho de administração da Alive Travel, apresentou oficialmente a sua candidatura à presidência da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT) para o triénio 2027–2029.
O anúncio foi feito esta segunda-feira, 4 de maio, numa conferência de imprensa onde surgiu ladeado por Carlos Baptista, Duarte Correia, Rui Pinto Lopes e Fátima Silva, membros da atual direção, embora tenha assumido sozinho a apresentação. Na abertura, destacou o papel da associação e o seu legado. “Faço questão de começar com uma palavra de respeito e gratidão. Respeito e gratidão pela APAVT, pela sua história, pelos seus associados, pelos seus dirigentes, pelos seus colaboradores e por todos aqueles que ao longo de décadas ajudaram a construir aquela que é a casa mais antiga e mais representativa das agências de viagens e turismo em Portugal.”

“A APAVT pertence ao setor”
Marco Sequeira sublinhou o caráter coletivo da candidatura e da própria associação. “A APAVT não pertence a uma empresa, não pertence a uma geração, não pertence a uma geografia. A APAVT pertence ao setor.”
Nesse sentido, explicou que a sua candidatura não tem um caráter individual. “É precisamente nesse espírito que hoje aqui apresento a minha candidatura à presidência da APAVT. Não como um projeto pessoal, não como uma candidatura unipessoal, não como a expressão de um interesse particular de uma empresa, de um grupo ou de uma visão limitada do setor, mas como a face visível de uma corrente de opinião, de uma vontade coletiva e de um sentimento partilhado por muitos empresários, gestores e profissionais das várias áreas da distribuição turística nacional.”
Defendeu ainda uma associação mais inclusiva. “Todos significam os grandes grupos, significam as TMCs, significam os operadores turísticos, significam o incoming, o outgoing, o corporate, o lazer, o online, o offline, o especializado e o generalista. Significa as PMEs, que são a espinha dorsal do nosso tecido empresarial. E significa muito especialmente as microempresas e as agências independentes.”
Novo modelo de governance
“Aquele modelo mais presidencialista que nós tivemos na APAVT nos últimos 50 anos julgamos que, na fase atual, com a velocidade a que o mercado evolui e com a velocidade a que existem transformações tecnológicas e de setor, não se coaduna mais”
A principal rutura proposta passa pelo modelo de liderança. “Temos um modelo de governance para a APAVT que é totalmente diferente. Isto não é uma candidatura unipessoal.”
Marco Sequeira defende uma liderança distribuída e especializada. “Nós não vamos ter aqui nenhum messias que sabe tudo e consegue tratar todos os temas. Nós vamos ter uma equipa que vai ter as suas áreas de especialização, que vai ter os seus pelouros e que vai trazer todo o conhecimento que tem nas suas áreas para um setor que bem precisa dessa informação.”
E justificou a mudança com a evolução do mercado. “Aquele modelo mais presidencialista que nós tivemos na APAVT nos últimos 50 anos julgamos que, na fase atual, com a velocidade a que o mercado evolui e com a velocidade a que existem transformações tecnológicas e de setor, não se coaduna mais.”
Continuidade com evolução
“Queremos uma associação que escute antes de decidir, que vá ao terreno antes de falar em nome do terreno, que construa posições nacionais a partir da soma das realidades locais.”
Apesar da proposta de mudança, o candidato fez questão de valorizar o trabalho da atual direção. “Se me permitem uma opinião pessoal, eu acho que a APAVT ganhou muito em termos de credibilidade, em termos de presença e em termos de representatividade do setor.” E acrescentou: “Se há algo que eu e as pessoas que estão aqui neste projeto não queremos deixar cair é todo o capital de credibilidade que foi ganho pela Associação nos últimos anos.”
Ainda assim, sublinhou a necessidade de evolução. “Há momentos em que a mudança não é uma rutura. É uma responsabilidade.” A candidatura aposta também numa maior proximidade ao território. “Temos de afastar qualquer tentação centralista. O país turístico não cabe numa avenida de Lisboa, o setor não cabe numa sala de reuniões em Lisboa.”
Marco Sequeira defende uma associação mais próxima dos associados. “Queremos uma associação que escute antes de decidir, que vá ao terreno antes de falar em nome do terreno, que construa posições nacionais a partir da soma das realidades locais.”
Associação mais técnica e orientada para a execução
Outro dos eixos passa pelo reforço do papel prático da associação. “A APAVT do futuro tem de ser uma associação de influência, mas também e principalmente de execução.”
E deixou um alerta sobre a transformação tecnológica. “A inteligência artificial não pode ser um privilégio das grandes empresas. A digitalização não pode ser um reforço entre os que têm escala e os que ficam para trás. A modernização tem de ser prática, democrática e útil.”
Na sessão de perguntas e respostas, Marco Sequeira confirmou que a lista ainda não está fechada e deverá ser apresentada em breve. “Não, não temos ainda a lista completa. Esta candidatura não é uma candidatura somente de uma pessoa nem de um rosto. É a candidatura da qual eu estou a dar o rosto, mas é uma candidatura de um pensamento coletivo.”
E acrescentou: “Ninguém está agarrado a lugares, ninguém está agarrado a cargos. O que se pretende é que tenhamos uma lista o mais diversa possível, uma lista que integre todas as sensibilidades e, desde que venha para acrescentar, todos são bem-vindos.”
O candidato indicou que a lista deverá ficar fechada “dentro de duas a três semanas”.
Questionado sobre apoios no setor, optou por não avançar nomes. “Neste momento não irei falar de apoios, até para não estar a fragilizar as posições de ninguém. Nós o que pretendemos é basicamente ter o apoio de todos. Todos aqueles que comunguem daquilo que é o nosso projeto para o futuro da APAVT e para o futuro do setor são bem-vindos.”
Sobre o que traz de novo, rejeitou uma lógica de rutura. “Quando nós falamos em trazer algo novo parece que estamos a fazer um corte com algo. E não é essa também a ideia que queremos transmitir.”
As eleições da APAVT deverão decorrer no início de outubro, permitindo a eleição dos novos órgãos sociais antes da realização do congresso anual da associação.
A terminar, Marco Sequeira sintetizou a visão da candidatura. “Venho propor uma APAVT mais próxima, mais técnica, mais descentralizada, mais moderna e mais representativa. Uma APAVT capaz de falar com o Governo e com uma microagência do interior com a mesma seriedade.”
“Nós o que pretendemos é basicamente ter o apoio de todos. Todos aqueles que comunguem daquilo que é o nosso projeto para o futuro da APAVT e para o futuro do setor são bem-vindos.”


