A Meo Arena quer reforçar a sua posição no segmento de MICE através de um projeto de expansão que prevê a criação de mais 20 mil metros quadrados dedicados a eventos de negócios, num investimento estimado “na ordem dos 20 a 30 milhões de euros”. Em entrevista ao TNews, o CEO, Jorge Vinha da Silva, falou sobre “o processo de licenciamento em curso na Câmara Municipal de Lisboa” para ampliar a área onde se localizam a Sala Tejo e o Centro de Negócios.
“É um projeto de expansão do núcleo onde está situada a Sala Tejo e o Centro de Negócios. Temos um processo de licenciamento em curso na Câmara Municipal de Lisboa [CML]. São 20 mil metros quadrados adicionais de espaço para eventos”, disse o CEO da Meo Arena ao TNews.
Jorge Vinha da Silva explicou que “o que está na CML é um pedido de pré-aprovação do licenciamento” e que o valor final do investimento dependerá “do resultado do projeto de licenciamento e do timing que venha a ser definido para a execução da obra”.
“Já temos o projeto de arquitetura definido, mas não com o detalhe dos custos afinado”, acrescentou. Ainda assim, estima que, “se o projeto for concretizado da forma como está pensada, serão umas dezenas de milhões de euros. Pela área que ocupa, será um investimento na ordem dos 20 a 30 milhões de euros”.
A expansão surge como resposta ao crescimento do mercado de reuniões, incentivos, congressos e eventos. “É sobretudo focado no segmento de eventos de negócios. Essa decisão decorre da evolução da nossa história e do posicionamento do destino de Portugal, mais especificamente de Lisboa”, justificou.
Para Jorge Vinha da Silva, os resultados alcançados por Lisboa e Portugal demonstram a competitividade do destino a nível internacional. “São os dados que o confirmam: a posição de Lisboa como o número 1 no ranking mundial da ICCA [enquanto cidade que mais congressos e reuniões associativas internacionais organizou em 2025], a posição número 8 de Portugal enquanto país, bem como a presença em Portugal de quase todos os grandes nomes dos espetáculos de entretenimento”, disse.
No entanto, o também presidente do Capítulo Ibérico da Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA) alerta para a crescente concorrência entre destinos. “A competição internacional e a disputa pelos grandes eventos é feroz. Vivemos uma época em que todos os principais destinos a nível europeu estão a investir muito na modernização ou na construção de novas infraestruturas”, sublinhou.
Na sua perspetiva, Lisboa continua a ter “margem de consolidação e de crescimento neste mercado”, mas terá de continuar a investir para manter a posição alcançada. “Se Lisboa quer manter-se na posição de destaque, como está no ranking da ICCA, terá também de fazer esse percurso e continuar a investir a nível de infraestruturas, como tem feito na última década no setor hoteleiro”.
Neste contexto, o projeto da Meo Arena pretende contribuir para esse esforço. “Queremos dar o contributo para o destino e fazer esse caminho para não apenas chegarmos às posições mais elevadas dos rankings, mas mantermo-nos competitivos nos próximos anos”, afirmou, acrescentando que “esse trabalho é contínuo e não pode parar sob pena de perdermos competitividade”.
“São os dados que o confirmam: a posição de Lisboa como o número 1 no ranking mundial da ICCA, a posição número 8 de Portugal enquanto país, bem como a presença em Portugal de quase todos os grandes nomes dos espetáculos de entretenimento”
Receitas da Meo Arena atingem 25M€ em 2025 com 165 eventos realizados
A Meo Arena encerrou 2025 com receitas de “cerca de 25 milhões de euros”, num ano em que acolheu 165 eventos. Jorge Vinha da Silva salienta, porém, que “o impacto económico desses 165 eventos é muito superior a esse valor”, ascendendo a “muitas centenas de milhões de euros” quando considerado o efeito gerado em setores como a hotelaria, restauração, transportes e comércio local.
Entre os principais exemplos estão a Web Summit, que leva cerca de 70 mil participantes a Lisboa, e a SBC Summit, que reuniu mais de 25 mil pessoas no ano passado e deverá atingir os 30 mil participantes este ano. “Todas estas pessoas têm um impacto na economia local. Se multiplicarmos por 165 eventos por ano, estamos a falar de um impacto de várias centenas de milhões de euros”, afirmou.
“Em 2025 continuámos a crescer. Temos duas áreas de negócio [o segmento de espetáculos de entretenimento e o segmento de MICE] e cada uma representa cerca de metade da nossa atividade em termos de eventos”, indicou Jorge Vinha da Silva. “Globalmente, continuamos numa fase muito positiva e de crescimento”.
A Meo Arena tem hoje uma procura bastante equilibrada ao longo do ano, segundo o responsável. “Se excluirmos o mês de agosto, que devido às elevadas temperaturas não é ideal para os grandes eventos indoor e, por isso, temos um pouco menos de taxa de ocupação, diria que não temos época baixa hoje em dia”, disse. “Com a complementaridade entre os eventos de espetáculos e os eventos de negócios, acabamos por ter uma ocupação muito constante ao longo de todo o ano”.
Dos 165 eventos realizados em 2025, 70 corresponderam a congressos, conferências e outros eventos corporativos nacionais e internacionais.
Ao nível da captação de mercados emissores, a estratégia passa por uma “abordagem diversificada, mas com um foco grande na Europa”. Jorge Vinha da Silva destaca igualmente os Estados Unidos, “que têm uma dimensão enorme, com um elevado número de operadores, associações e organizadores de eventos”, bem como o surgimento de “oportunidades na América Latina, ainda que em menor número”.
O responsável recorda ainda o impacto do 64.º Congresso Mundial da ICCA, realizado entre 9 e 12 de novembro de 2025, no Porto, que reuniu cerca de 1.500 decisores da indústria global dos congressos e convenções. “Foi mais uma demonstração da capacidade organizativa do destino de Portugal e do esforço que as entidades públicas e privadas têm efeito na promoção do destino de Portugal”, referiu.
Já em março deste ano, a Meo Arena organizou, em conjunto com a Turismo Centro de Portugal, a reunião anual do Capítulo Ibérico da ICCA, em Coimbra, juntando mais de 90 participantes de Portugal, Espanha e outros mercados europeus, “com o intuito de promover a região Centro e de mostrar as suas potencialidades para acolher eventos de negócios”.
“Todos [os visitantes] têm um impacto na economia local. Se multiplicarmos por 165 eventos por ano [na Meo Arena], estamos a falar de um impacto de várias centenas de milhões de euros”
Meo Arena mantém crescimento em 2026, mas alerta para constrangimentos no aeroporto
Quanto a 2026, os resultados “estão em linha com o que tínhamos projetado inicialmente e muito alinhados com o que sucedeu em 2025”, afirmou Jorge Vinha da Silva. Após um mês de agosto tradicionalmente mais tranquilo, a Meo Arena espera retomar uma atividade “bastante intensa” a partir de setembro e até ao final do ano.
Questionado sobre o atual contexto internacional, marcado por tensões geopolíticas e incerteza económica, o CEO admite que possam existir impactos pontuais na realização de alguns eventos. “A instabilidade global em termos de segurança e as consequências económicas que traz não são benéficas para ninguém”, disse.
A guerra no Médio Oriente “poderá ter afetado um ou outro evento, ou por maior receio dos organizadores ou por, no caso dos eventos de negócios, as pessoas que vêm assistir aos eventos serem originárias [dessa região]”, admitiu. No entanto, sublinhou que “não se tem feito sentir de forma gravosa e isso é-nos transmitido pelos indicadores de atividade de 2026”.
Já em relação à capacidade aeroportuária e às longas filas no controlo de fronteiras do Aeroporto Humberto Delgado, o responsável considera tratar-se de “uma situação que se arrasta há demasiado tempo e que carece de resolução urgente”.
“Essa é uma das questões que continuamos sem conseguir resolver. A imagem das enormes filas de espera e das dificuldades de acesso não é positiva para a promoção do destino. Enquanto um dos stakeholders da indústria dos eventos, essa situação preocupa-nos, como preocupa a todos os intervenientes [do setor]”, afirmou.
“De nada adianta atrair mais pessoas, mais eventos de negócios, para o destino se depois não temos capacidade de os acolher de forma consentânea com o prestígio internacional [de Lisboa] e com a qualidade da organização dos eventos”, rematou Jorge Vinha da Silva.




