A Nexit DMC quer consolidar a sua posição no segmento MICE e acelerar o crescimento em 2026, projetando um aumento de faturação entre 40% e 45%, depois de um primeiro ano de atividade acima das expectativas. Em entrevista ao TNews, André Nogueira, manager do DMC integrado na Go Discover, faz o balanço do arranque da operação, explica o posicionamento no mercado e aponta as prioridades para o futuro.
Criada em dezembro de 2024, a Nexit DMC nasceu no seio da Go Discover, agência de viagens com mais de 17 anos de experiência fundada por Luís Henriques, para responder a uma lacuna clara: a ausência de uma estrutura dedicada ao incoming corporativo.
“A Go Discover não tinha um DMC. Era uma área totalmente nova. Na altura, o Luís Henriques disse-me que queria desenvolver esta área na Go Discover e apostar neste segmento”, recorda André Nogueira, que se juntou à equipa com a missão de “criar uma marca nova”.
Embora tenha começado a operar desde o início de 2025, a identidade Nexit só viria a ganhar forma alguns meses depois. “A marca demorou algum tempo até ser criada. Só começou em março como Nexit porque inicialmente estávamos a trabalhar como Go Discover”, explica, numa fase de transição em que a operação já estava no terreno, mas ainda sob a chancela da empresa-mãe.
O arranque foi praticamente imediato. “Em janeiro já tínhamos alguns eventos pequenos”, afirma, sustentado por uma carteira de contactos que “já nos conheciam e confiavam em nós”. A operação começou com dois elementos no terreno e, face ao crescimento registado ao longo do ano, conta atualmente com três profissionais dedicados à área operacional, além do suporte das equipas de marketing e financeira da empresa-mãe.
A atividade da Nexit DMC está fortemente concentrada no segmento MICE, que representa “98% ou 99%” do negócio. O foco passa pela organização de eventos corporativos para clientes internacionais, com uma abordagem integrada. “Desde o momento em que aterram em Portugal até ao momento em que saem, somos capazes de os ajudar em todo o tipo de serviços”, refere.
No primeiro ano, as reuniões internas e os programas de incentivos destacaram-se entre os formatos mais procurados, ainda que a empresa assegure “tudo o que é corporativo”.
O mercado espanhol assumiu um papel central na fase inicial. “Para dar este primeiro passo de integração do DMC, focámo-nos no mercado espanhol”, explica André Nogueira, apoiado numa experiência de mais de duas décadas no setor e num histórico de trabalho com este mercado. Ao longo do seu percurso, o profissional passou por empresas como o AIM Group International e a Emviagem.
O modelo de negócio assenta, sobretudo, na relação com agências internacionais de eventos, que funcionam como intermediárias junto do cliente final. Na prática, são estas empresas que angariam projetos em diferentes setores, desde automóvel a farmacêutico, passando por banca ou seguros, cabendo à Nexit DMC adaptar cada operação às necessidades específicas de cada evento em Portugal.
“Estamos preparados para fazer tudo o que é corporativo”
Primeiro ano supera expectativas e afirma marca no mercado
O balanço de 2025 é descrito como “muito positivo”. “Foi um ano muito desafiante porque foi criar uma marca, desenvolver essa marca e pôr o nome da marca no mercado”, sublinha. Para o manager, esse objetivo foi alcançado, uma vez que “grande parte dos nossos fornecedores e parceiros já conhecem a marca e sabem quem somos”.
Também ao nível financeiro os resultados ficaram acima do esperado. “Até pensávamos que não iríamos chegar tão rapidamente a este resultado”, admite.
Ao longo do ano, o DMC organizou entre 30 e 35 eventos “já com um certo tamanho”, número que sobe para cerca de 50 ao incluir operações mais pequenas, como gestão de transfers ou reservas de hotel. Entre os destaques está um evento no Algarve para uma empresa de IT, que reuniu cerca de 500 participantes.
O principal desafio passou pela afirmação comercial da nova marca. “Foi conseguir chegar a estes clientes e dizer-lhes que estamos aqui e que podem confiar em nós”, explica, acrescentando que esse trabalho permitiu construir uma carteira diversificada. “Temos estado a trabalhar muito bem e com muitas agências diferentes, ou seja, não estamos baseados só num cliente”.
“Queremos abrir-nos a outros mercados, principalmente da América do Norte e da América Latina”
Portugal reforça competitividade no MICE
Na perspetiva do responsável, Portugal continua a consolidar-se como destino competitivo no segmento MICE. O país reúne “boas condições, boa hotelaria, serviços fantásticos” e uma diversidade de experiências “na praia, no campo ou na cidade”, permitindo criar programas diferenciados.
A isto junta-se o fator preço, uma vez que “continua a ser um destino onde se conseguem fazer bons eventos com um budget mais baixo do que em Espanha, França, Itália ou Inglaterra”.
A evolução da oferta também contribui para essa atratividade. O país dispõe de “cada vez melhores condições para reuniões, como centros de congressos e hotéis”, além da entrada de novas marcas hoteleiras internacionais que reforçam a confiança dos mercados emissores.
Em termos de procura, Lisboa, Porto, Algarve e Madeira continuam a liderar, muito pela acessibilidade aérea. “Todos têm aeroportos internacionais onde é mais fácil de chegar e as distâncias, mesmo para o interior, não são assim tão grandes”, refere, acrescentando que os tempos de transfers reduzidos tornam o destino mais competitivo.
“Há pontualmente alguns destinos que as pessoas procuram e ficam surpreendidas porque não conheciam e deparam-se com algo completamente diferente, como o Douro, Tróia e o Alentejo”, afirma.
“A qualidade de serviço, o apoio e a disponibilidade são o nosso ponto mais forte. o resto vem com isso”
Crescimento e novos mercados marcam estratégia para 2026
Para 2026, o foco está na consolidação da marca e na expansão internacional. “O nosso objetivo é continuar a crescer e consolidar a marca no mercado, perante os nossos clientes e fornecedores”, afirma André Nogueira.
A diversificação é agora uma prioridade. “[O foco é] alargar a outros mercados porque não queremos estar tão dependentes do mercado espanhol como estivemos neste primeiro ano. Queremos abrir-nos a outros mercados, principalmente da América do Norte e da América Latina”, sublinha.
O DMC já iniciou o ano com eventos de grande dimensão e tem novos projetos alinhados, incluindo grupos entre 300 e 400 participantes e provenientes de novos mercados, como o Brasil.
A ambição traduz-se também em números. “Diria que este ano queremos crescer na ordem dos 40 a 45% [em faturação]”, afirma, sublinhando que, apesar de “um ano que se prevê desafiante”, a empresa está “confiante de que vai ser um ano bastante bom”.
Num mercado competitivo, a diferenciação da Nexit DMC assenta no serviço, segundo André Nogueira. “É a qualidade do serviço que prestamos, é a atenção que damos aos clientes e é a relação de confiança que criamos”, destaca. Uma abordagem que se reflete na fidelização: “os clientes vêm e geralmente não saem”.



