O grupo Sublime prepara-se para inaugurar, já em maio, um novo hotel na Comporta, marcando uma nova etapa estratégica que é acompanhada pelo rebranding para Sublime Curated Hospitality e por um reforço do posicionamento da marca no segmento do luxo.
Em entrevista ao TNews, Cristina Borges de Carvalho, CMO do grupo, explica que esta evolução resulta de um duplo movimento: “foi, sobretudo, uma análise interna de ‘chegámos até aqui, que bom’, mas também um olhar à volta e perceber que os nossos clientes estavam a evoluir — e nós também tínhamos que fazer esse salto”.
Ao fim de mais de uma década, o Sublime deixou de ser apenas um hotel para se afirmar como um verdadeiro ecossistema de experiências.
“Chamávamo-nos Sublime Hotels, mas quando temos uma componente tão forte de gastronomia, wellness e experiências, a designação de ‘Hotels‘ era pequena”, refere a responsável.
O projeto, que começou em 2014 com apenas 14 quartos, foi crescendo de forma sustentada, com a introdução de vilas, restaurantes, beach club e novas experiências, ajudando a posicionar a Comporta como destino internacional de luxo.
“O Sublime teve esta beleza de criar o destino sem o destruir, sem o massificar. Tornou-o mais apetecível, mas sempre com cuidado”, sublinha.
Novo hotel reforça escala e ambição
A nova unidade vem consolidar essa evolução. Implantado numa área de 51 hectares, o projeto inclui 43 novas vilas, distribuídas por uma herdade organizada em três polos principais: Atrium, Aqua e Forum.
O Atrium será o centro do resort, com restaurantes, lounge bar, biblioteca, café, lojas e a estreia em Portugal do BeefBar, conceito internacional de restauração premium.
Já o Aqua será dedicado ao bem-estar, com piscina interior aquecida, piscina exterior, área de fitness, restaurante italiano e bar de piscina.
O Forum assume-se como espaço para eventos e encontros, com salas modulares, anfiteatro, gazebo para celebrações e uma discoteca — a primeira da Comporta.
O resort passa assim a organizar-se em duas áreas distintas: a Terracota, correspondente ao Sublime original, e a nova ala Sand, com uma abordagem mais contemporânea e orientada para famílias.
“O Sublime teve esta beleza de criar o destino sem o destruir, sem o massificar. Tornou-o mais apetecível, mas sempre com cuidado
Uma marca com “essência”, agora com expressão
Apesar da notoriedade internacional, Cristina Borges de Carvalho reconhece que a marca precisava de evoluir na sua expressão. “O Sublime tinha uma essência inacreditável, mas era muito low profile. Não queremos ser high profile — não está no nosso ADN —, mas precisava de ser muito bem cuidada e trabalhada, e foi isso que fizemos”, afirma.
A nova identidade surge assim como resposta à maturidade do projeto e à evolução do produto: “o produto evoluiu de uma forma inacreditável, então o marketing também tinha que acompanhar”.
Hoje, o Sublime posiciona-se como uma proposta de luxo tranquilo, sofisticado e profundamente ligado ao território. “Somos uma marca enraizada nos locais onde estamos. É um luxo de muita qualidade. Conseguimos dar o melhor de cada destino de forma muito tranquila e autêntica. O que nos diferencia de outros projetos no mundo é precisamente essa autenticidade, aliada à sofisticação e qualidade”, defende.
Esse cuidado estende-se a toda a experiência: serviço, gastronomia, materiais, paisagismo e ambiente. “Há uma curadoria muito grande em tudo. O resultado é paz, tranquilidade e desconexão.”
“O que nos diferencia de outros projetos no mundo é precisamente essa autenticidade, aliada à sofisticação e qualidade”
“Grounded luxury”: mais do que uma tendência
O novo posicionamento assenta no conceito de “grounded luxury”, que a responsável distingue das restantes abordagens ao luxo.
“O Sublime esteve próximo do quiet luxury, mas não é isso. O que fazemos é um luxo de raiz, ligado à terra, às comunidades, aos produtores, à forma como tratamos as pessoas”, explica.
Esse conceito traduz-se de forma prática, nomeadamente na gastronomia, com uma oferta diversificada que vai do Food Circle ao Canalha, passando pelo beach club e pelo novo restaurante de cozinha alentejana.
“Queremos que quem venha de fora perceba que está no Alentejo — mas com conforto e sofisticação.”
Também ao nível da construção, o respeito pela natureza é central: “no novo hotel só deslocámos uma árvore”.

Crescimento com novas infraestruturas e foco nas famílias
A nova fase do Sublime responde igualmente a mudanças no perfil do cliente. “O nosso cliente tem vida, casou, teve filhos, e o Sublime, tal como existia antes, não estava preparado para receber famílias. Portanto, este novo Sublime também acompanha o próprio crescimento do nosso cliente. O nosso cliente, neste momento tem família, quer continuar a vir ao Sublime, quer continuar a ter esta relação com a autenticidade, com os produtos genuínos, com o serviço tão amável dos colaboradores”, afirma. A nova ala Sand foi pensada para famílias, com novas piscinas, kids club, áreas comerciais e serviços integrados.
Paralelamente, o grupo aposta na criação de infraestruturas que permitam dinamizar o destino ao longo de todo o ano, incluindo espaços para eventos, restauração e experiências. “Queremos criar razões para as pessoas virem — mas também para ficarem.”
Em termos de mercados, a procura varia ao longo do ano. No verão, predominam americanos, brasileiros e britânicos. Já na shoulder season, cresce a presença de portugueses, especialmente com a nova dinâmica familiar e a oferta adaptada a escapadas de fim de semana e férias intermédias. Entre janeiro e março, destacam-se mercados como o escandinavo e o Benelux, mais sensíveis ao preço e atraídos pela proposta do destino nesta altura do ano.
Comporta: entre crescimento e preservação
Sobre a evolução da Comporta enquanto destino turístico, a CMO admite uma visão equilibrada: “o meu coração balança”.
Por um lado, defende um crescimento sustentável, baseado em produtores locais, economia circular e autenticidade. “O Sublime está a ter todos os cuidados para que o crescimento da região seja o mais sustentado e bonito possível. Trabalhamos maioritariamente com produtores e fornecedores locais, privilegiando o quilómetro zero e práticas sustentáveis. Um destino constrói-se com pessoas que não olham apenas para o lucro imediato.”
Por outro, reconhece a necessidade de desenvolvimento estruturado: “para o destino ser sustentável, precisa de infraestruturas e de pessoas qualificadas durante todo o ano. É essencial criar condições para que mais pessoas possam viver e trabalhar na região de forma estável, contribuindo para a qualidade do destino.”
Nesse contexto, a aposta em novas valências, como a discoteca — a primeira da Comporta — surge com um propósito claro. “Não somos contra o desenvolvimento. Queremos fazê-lo de forma cuidada e sustentada. A discoteca, por exemplo, responde a uma necessidade das famílias, especialmente dos teenagers, permitindo-lhes divertir-se em segurança dentro do resort, sem necessidade de deslocações.”
Em suma, “nós não estamos contra o desenvolvimento”, declara. “Só que queremos fazê-lo de uma maneira muito cuidada e sustentada”
“O Sublime está a ter todos os cuidados para que o crescimento da região seja o mais sustentado e bonito possível.Não somos contra o desenvolvimento. Queremos fazê-lo de forma cuidada e sustentada”
Um “santuário”, mas com vida
A ambição do grupo passa por manter a essência, mas com maior diversidade de experiências. “Queremos continuar a ser um santuário, mas um santuário divertido”, resume. “Um lugar onde as pessoas podem desligar, reconectar-se, mas também desfrutar de música, restaurantes e eventos.”
Assim, o Sublime procura equilibrar natureza, bem-estar e entretenimento: um espaço onde é possível caminhar, contemplar e descansar, mas também viver momentos de convívio, com música ao vivo, gastronomia e experiências diferenciadas.
“Percebemos que queremos ser um sítio sublime no sentido da natureza, mas também somos um sítio divertido, com alegria, com muita boa gastronomia”.
Foco no presente, visão a longo prazo
Apesar da nova identidade poder abrir caminho a futuras expansões, a prioridade está na consolidação dos projetos atuais. “Toda a energia está focada em lançar o novo Sublime e posicionar o Sublime Lisboa”, afirma.
O foco passa por afirmar o novo posicionamento, sobretudo enquanto destino de famílias, num contexto em que a natureza, a proximidade ao mar e a autenticidade continuam a ser elementos centrais.
A médio prazo, a ambição é clara: “queremos ser o melhor de três mundos — o melhor para amigos e casais na Terracota, o melhor para famílias no Sand e o melhor para o segmento corporativo e eventos”.
Para isso, o projeto integra infraestruturas pensadas ao detalhe, como um lago com gazebo central e anfiteatro ao ar livre, preparado para acolher casamentos, concertos e eventos. “Criámos um espaço onde tudo pode acontecer, com qualidade e sofisticação, do princípio ao fim.”


