Observatório GesTur-Be quer tornar o ambiente de trabalho no turismo “mais saudável”

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O GesTur-Be – Observatório de Gestão do Turismo e Bem-Estar das Pessoas juntou na sua primeira reunião, que decorreu esta quinta-feira, 26 de junho, entidades do turismo para avaliar o ambiente laboral do setor. Ao TNews, as coordenadoras da iniciativa, Mafalda Patuleia e Tânia Gaspar, falam sobre o objetivo de “promover o bem-estar nos trabalhadores e melhorar as condições de trabalho”.

Desenvolvido pelo LABPATS – Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis, o GesTur-Be conta com uma rede de entidades da atividade, que está a contribuir ativamente para a elaboração de um estudo sobre o ambiente de trabalho no setor do turismo e hotelaria.

Entre as entidades parceiras estão a Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal (ACPP), Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP), Associação Portuguesa dos Guias-Intérpretes e Correios de Turismo (AGIC), Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE), Associação Portuguesa de Enoturismo (APENO)​, Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Fórum Turismo e Rede do Empresário.

À margem da reunião de kick-off, Tânia Gaspar afirma que “o grande objetivo é conseguir compreender melhor os ambientes de trabalho do setor do turismo e da hospitalidade, quer para os trabalhadores, quer também para as empresas”.

“O fim é promover o ambiente de trabalho saudável” no turismo, incentivando ao “bem-estar” dos funcionários e, “com isto, melhorar efetivamente as condições de trabalho das pessoas”.

“Este trabalho implica que exista um diagnóstico e uma motorização. Para podermos promover esta melhoria, precisamos primeiro de saber qual é o estado da arte, para depois podermos definir quais são as prioridades, implementarmos mudanças e fazermos um processo de melhoria contínua”, acrescenta a coordenadora. “No fundo, é uma plataforma que vai reunir o conhecimento, as práticas e as políticas da área do turismo e hospitalidade”.

Para isto, o estudo do GesTur-Be, que tem como base o modelo “Healthy Workplaces” da Organização Mundial da Saúde (OMS), avaliará um conjunto de indicadores, nomeadamente “os valores e a cultura da organização, as relações de liderança, os riscos psicossociais do trabalho, a saúde mental dos trabalhadores, o envolvimento dos colaboradores, as condições de teletrabalho e físicas do trabalho, a responsabilidade social interna e externa, e os recursos para a saúde”, explica Tânia Gaspar, acrescentando que é igualmente “importante” analisar os comportamentos de saúde dos profissionais.

Mafalda Patuleia sublinha a importância da elaboração deste estudo para a área da educação, alertando para os “números extremamente preocupantes relativamente ao interesse por parte dos jovens a entrar no mercado de trabalho”.

“Se o emprego em Portugal no turismo não está a funcionar como deve funcionar, automaticamente isso vai repercutir-se na educação, e isto é um problema que temos que também resolver”, salienta.

Balanço da primeira reunião e próximos passos

O GesTur-Be vai começar por, num primeiro momento, fazer um “diagnóstico” para “reunir o conhecimento” sobre as condições laborais do turismo. “O objetivo é fazer esta primeira fase até novembro e termos os primeiros dados do LABPATS na área do turismo. Mas este é um trabalho on-going”, diz Tânia Gaspar.

Sobre a reunião de kick-off do projeto, Álvaro Lopes Dias, professor associado no ISCTE-IUL e membro da equipa do GesTur-Be, destaca a “participação empenhada e com vontade de todos” os intervenientes. “Perceberam a importância de um instrumento desta natureza para as suas associações”, refere, prevendo que os principais desafios do processo serão “adaptar o questionário às questões levantadas” durante a sessão, bem como “a disponibilidade de tempo de cada um para contribuir” para o projeto.

Relatórios adaptados à realidade de cada organização

Além de elaborar um “relatório nacional” todos os anos, o GesTur-Be disponibiliza-se para realizar avaliações individuais a organizações do setor. 

Tânia Gaspar indica que, “como equipa, ajudamos a fazer um plano estratégico e de ação para a própria organização implementar as suas medidas. Qualquer organização do turismo e hospitalidade que queira fazer a avaliação da sua organização pode contactar-nos”.

“Um dos temas principais que ouvimos [na primeira reunião] é que são feitos muitos estudos, mas depois as empresas não conseguem ter resultado e não têm indicadores que os ajudem à tomada de decisão. O nosso interesse é exatamente contrariar esta questão e ajudar as organizações a aplicar em ações de formação, de team building, entre outros”, refere ainda Mafalda Patuleia.

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