Terça-feira, Fevereiro 20, 2024
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“Os portugueses têm cada vez menos dinheiro no bolso, sobra pouco para fazer férias”

Na Conferência da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), que celebra o Dia Mundial do Turismo, o presidente da entidade, Francisco Calheiros expressou preocupações sobre a situação financeira dos portugueses e os desafios enfrentados pela indústria do turismo no país.

“Os portugueses têm cada vez menos dinheiro no bolso. Ao fim do mês, sobra pouco para poupar ou para ter dinheiro para fazer férias. E não o podemos esconder: este ano isto já se refletiu em alguma diminuição de turistas residentes”, afirmou Francisco Calheiros.

O presidente da CTP observou que a conjuntura internacional “também é desafiante”, com preocupações sobre a guerra e a inflação a afetar as empresas e os investimentos em Portugal. “É difícil rentabilizar os nossos investimentos, quando os custos de contexto – como a energia e os combustíveis – não param de subir; as taxas de juro continuam a disparar e a inflação teima em não abrandar”, explicou.

“Ao fim do mês, sobra pouco para poupar ou para ter dinheiro para fazer férias. Este ano isto já se refletiu em alguma diminuição de turistas residentes”

O responsável destacou que a atividade turística em Portugal também é influenciada por fatores externos, como a estagnação económica na Alemanha, um dos principais mercados do país. No entanto, enfatizou que a crise financeira das famílias portuguesas “não é exclusivamente causada por fatores internacionais.”

“Temos uma maioria que possibilitaria reformas; temos fundos financeiros (PRR) como nunca tivemos; um excedente orçamental que é conhecido, mas ainda assim, as famílias e as empresas pagam impostos como nunca e sentem muitas dificuldades em conseguir ter mais rendimento e algum nível de poupança”, disse Calheiros, sublinhando as crescentes dificuldades em lidar com custos básicos e “fazer férias a um nível por todos desejado”.

Francisco Calheiros, Presidente da CTP, na sessão de abertura da Conferência da Confederação do Turismo de Portugal, que assinala o Dia Mundial do Turismo, e que decorre esta quarta-feira no Algarve.

Apesar dos desafios, Francisco Calheiros enfatizou que o turismo continua a ser uma força vital para a economia portuguesa, com um crescimento notável em julho e uma contribuição esperada de quase 40 mil milhões de euros para a economia até o final de 2023, superando os níveis pré-pandemia.

Além disso, salienta que o país tem conseguido captar novos mercados, enquanto consolida mercados tradicionais. “Devemos, por isso, reforçar a estratégia de criação de novos produtos turísticos em todas as regiões do país, até mesmo criar produtos dirigidos a novos nichos de mercado”, defende.

Francisco Calheiros reconheceu a importância da sustentabilidade e das novas tecnologias no turismo, afirmando que os turistas modernos procuram “experiências locais e sustentáveis”. O responsável também alertou para o impacto das alterações climáticas, com Portugal a enfrentar a escassez de água e o aumento das temperaturas, o que pode afetar a procura turística. “Agora que sabemos o quê, temos de trabalhar o como”, enfatizou, apelando à implementação de medidas para mitigar esses impactos.

“Devemos reforçar a estratégia de criação de novos produtos turísticos em todas as regiões do país, até mesmo criar produtos dirigidos a novos nichos de mercado”

Novo aeroporto, alívio fiscal e mão-de-obra qualificada

Além disso, Francisco Calheiros defendeu a construção de um novo aeroporto em Lisboa, argumentando que o país está a perder cerca de 1,5 mil milhões de euros devido à falta de uma infraestrutura adequada. “Há uma tendência para que a decisão recaia numa infraestrutura não existente. Se assim for, vai demorar pelos menos 12 anos até termos um novo aeroporto. Por isso, a solução Montijo urge a ser implementada”, defende.

Além disso, Francisco Calheiros defende que o país necessita de mais mão-de-obra e recursos humanos qualificados, “por isso, há que criar melhores condições para quem quer trabalhar no turismo, desde logo, oferecendo melhores salários”. Para tal, o responsável salienta que “o Estado tem de contribuir, baixando a carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho” e resolvendo o “problema da habitação”. Por último, defende que “deve haver uma maior aposta na qualificação, reforçando o ensino de qualidade nas nossas escolas de turismo”.

Melhores condições de trabalho: “O Estado tem de contribuir, baixando a carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho e resolvendo o problema da habitação”

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