Terça-feira, Abril 14, 2026
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Portugal pode captar 500M€ do turismo alemão devido à guerra no Médio Oriente, diz estudo

O conflito no Médio Oriente está a provocar uma reconfiguração estrutural da mobilidade turística global, abrindo novas oportunidades para destinos considerados seguros, como Portugal. A conclusão é da mais recente análise do IPDT – Tourism Intelligence, divulgada esta segunda-feira, que destaca o potencial estratégico do mercado alemão.

Segundo o IPDT, o setor turístico entra numa nova fase em que “a segurança deixou de ser um pressuposto para se tornar um critério central na decisão de viagem”, num contexto marcado por alterações profundas nos padrões de procura e pela crescente avaliação do risco por parte dos viajantes.

A instabilidade no Médio Oriente, região que funciona como um hub crítico de conectividade intercontinental, está a gerar “impactos sistémicos”, desde o desvio de rotas aéreas ao aumento dos custos operacionais, bem como uma “alteração profunda nos padrões de procura”.

Neste cenário, Portugal surge como um dos principais beneficiários potenciais. Posicionado entre os países mais seguros do mundo, o destino “emerge como uma alternativa sólida e previsível para os fluxos turísticos que evitam zonas de conflito”, refere o IPDT, em comunicado.

Entre os mercados emissores, o alemão “surge como o caso estratégico de maior relevo”, de acordo com o estudo. Em 2024, excluindo a Turquia, os países do Médio Oriente receberam cerca de três milhões de turistas alemães com estadas superiores a cinco noites, com o Egito a concentrar a maior quota.

De acordo com as projeções do IPDT, se Portugal conseguir captar 15% deste fluxo, “o impacto na economia nacional seria extremamente significativo”: mais 300 mil hóspedes, cerca de 2,4 milhões de dormidas adicionais e uma injeção económica direta de aproximadamente 500 milhões de euros em receitas.

Para Jorge Costa, o momento exige uma abordagem estratégica. “O futuro do turismo português dependerá da nossa capacidade de antecipação e não apenas de reação. Num contexto onde viajar implica, cada vez mais, avaliar o risco, os destinos que se destacarão não serão apenas os mais desejados, mas os mais confiáveis”, afirma o presidente do IPDT – Tourism Intelligence.

O responsável sublinha ainda que “a segurança deixou de ser um atributo implícito para se assumir como um ativo competitivo explícito”, defendendo que Portugal “deve posicionar-se rapidamente como essa alternativa sólida”.

No segmento de longo curso, o IPDT antecipa um comportamento distinto face ao período pré-2026. Apesar da recuperação do mercado asiático, o eventual impacto do conflito no Médio Oriente “não deverá afastar Portugal das opções destes turistas, sendo o aumento do custo e da complexidade da viagem o principal condicionante, mais do que a perceção de segurança”.

Por outro lado, prevê-se um reforço do turismo de proximidade, com mercados como Espanha e França a valorizarem o destino português pela sua segurança e relação qualidade-preço.

No entanto, a concretização deste potencial de crescimento “exige o cumprimento de condições críticas”. Entre elas, o reforço da conectividade aérea através de novas ligações diretas, a gestão estratégica de slots e a valorização do Porto como hub estratégico, segundo indica o IPDT.

Paralelamente, será necessário garantir a capacidade territorial, reduzindo a pressão sobre Lisboa e o Algarve e promovendo o desenvolvimento turístico do interior e da região Centro “para garantir uma experiência turística diferenciada e sustentável”.

O IPDT alerta ainda que o principal risco não reside na falta de procura, mas sim na capacidade de a gerir de forma equilibrada, evitando a saturação de infraestruturas e a pressão sobre recursos naturais.

“O sucesso de Portugal dependerá, portanto, de uma política que incentive a desconcentração da procura e valorize os segmentos de maior rendimento, consolidando o país como um destino seguro e confiável perante a volatilidade internacional”, conclui.

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