De acordo com um estudo global da SAP Concur, a maioria dos portugueses (65%) acreditam que as viagens de trabalho são fundamentais para a sua carreira. No entanto, os viajantes portugueses estão a começar a “bater o pé” quanto às condições destas viagens.
No total, 89% dos inquiridos afirmam que recusariam uma viagem de trabalho, nomeadamente devido a preocupações com a segurança do destino (48%) ou com a segurança do meio de transporte (31%). Outro motivo de recusa indicado prende-se com a falta de flexibilidade para se adaptarem fora da política da empresa (28%).
O estudo da SAP Concur contou com os insights de 3.750 viajantes de negócios em 24 países sobre a dinâmica das viagens de trabalho. Segundo a análise, os portugueses discordam das suas entidades empregadoras sobretudo no que diz respeito à pouca flexibilidade em relação a viagens e ao trabalho remoto.
A esmagadora maioria (87%) revela que houve uma redução da sua flexibilidade laboral, incluindo na autorização de trabalho remoto durante as deslocações pessoais para evitar o gozo de dias de férias (31%) e a adição de deslocações pessoais a viagens de negócio (24%).
Ainda mais, 17% sublinham que recusariam fazer uma viagem de negócio se não a pudessem prolongar com o fim de acrescentar momentos de lazer ou viagens pessoais.
Além disto, 63% dos viajantes sentem que não têm a mesma oportunidade de participar em viagens de negócio em comparação com os seus colegas. O nível de antiguidade (21%), idade (18%) e o facto de ser pai/mãe (18%) são algumas das razões atribuídas.
A inteligência artificial como solução
Os portugueses que viajam em trabalho olham para a inteligência artificial (IA) como uma solução, com 93% a considerar como uma possibilidade a utilização de soluções de IA para reservar estas viagens. No entanto, apenas 9% dos inquiridos se sentem confortáveis em fazê-lo.
O estudo da SAP Concur demonstra ainda que, para se sentirem confortáveis com a utilização de opções baseadas em IA, 88% carecem de apoio fornecido pela empresa, especialmente para a proteção de dados pessoais (54%) ou a formação pela empresa (37%).
Atrasos e cancelamentos em viagens de trabalho
Em caso de atrasos e cancelamentos nas viagens de negócio, os inquiridos portugueses (40%) acreditam que as suas empresas priorizam a redução de custos “em detrimento da sua necessidade de opções flexíveis”, indica a SAP Concur.
Nos últimos 12 meses, determinadas circunstâncias inesperadas de uma viagem levaram 88% dos viajantes a tomar medidas imprevistas, incluindo o cancelamento ou o reagendamento de reuniões (45%).
Muitos (25%) dizem que recusariam uma viagem para evitar atrasos ou cancelamentos, após 55% terem lidado com escalas mais longas ou outros atrasos. 67% procuram reservar de modo proativo tempo extra para a sua chegada, enquanto 44% reservam tempo extra para a sua partida.
Pré-aprovação é cada vez mais valorizada pelas empresas
Para dois terços (66%) dos inquiridos, a sua empresa está a focar-se cada vez mais na aprovação prévia das viagens de trabalho, com 32% a afirmar que esta medida passou a ser implementada em todas as viagens.
Por sua vez, 30% indicam que as suas entidades empregadoras incorreram em despesas adicionais numa viagem de negócios.
Ainda que os travel managers possam preferir que sejam os viajantes a fazer as reservas através dos canais adequados, 28% sublinham que se viram obrigados a reservar viagens diretamente com os fornecedores.
Foco reforçado na sustentabilidade
Segundo 22% dos viajantes, a sustentabilidade é cada vez mais um fator relevante para as empresas no que à marcação destas viagens diz respeito, sobrepondo-se à flexibilidade e até à redução dos custos.
Esta também é uma realidade para os viajantes. Enquanto 21% recusariam uma viagem devido ao impacto ambiental ou à incapacidade de escolher opções sustentáveis, 17% referem que as recomendações para reduzir as emissões de carbono são uma ferramenta de reserva obrigatória.
No entanto, 21% dos inquiridos revelam que já viram cortes no pagamento de mais por opções sustentáveis, de acordo com o estudo da SAP Concur.




