O futuro da Azores Airlines (SATA Internacional) continua em aberto, com pressões do Governo Regional dos Açores, divergências sindicais e a posição firme do consórcio Newtour/MS Aviation, que se mantém como potencial comprador da transportadora aérea.
Na última semana, o secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, afirmou que, sem entendimento entre sindicatos e consórcio até ao final de setembro, a privatização da companhia poderá avançar por negociação particular. Caso tal não aconteça, a companhia arrisca encerrar já em 2026.
Perante este cenário, o consórcio liderado pela Newtour/MS Aviation divulgou um comunicado esta quinta-feira, dia 18, em que avisa que a privatização não pode ser apenas uma troca de acionista sem mudanças estruturais: “Não se pode mudar de acionista para deixar tudo na mesma”, sublinha.
No documento, o consórcio recorda que os relatórios de contas entre 2022 e 2024 revelam um agravamento significativo da situação financeira da empresa. O número de trabalhadores aumentou 25%, mas os custos com pessoal cresceram 61%, passando de 41 para quase 67 milhões de euros. Os acordos de pré-reforma dispararam 466%, ao mesmo tempo que a companhia contratava novos colaboradores para as mesmas funções. Também os custos com fornecimentos e serviços externos subiram 70%, enquanto as despesas com fretamento de aeronaves (ACMIs) passaram de 4,4 milhões para 28 milhões de euros, sem acrescentarem valor estrutural à empresa. O valor das irregularidades operacionais aumentou de 1,6 milhões para 10,4 milhões e, no total, a Azores Airlines acumula já 486 milhões de euros em prejuízos.
Para o consórcio, estes números demonstram que o problema da transportadora “não é conjuntural, mas sim estrutural”.
A Newtour/MS Aviation defende que a companhia precisa de estabilidade operacional e de uma gestão independente e profissional. Essa mudança passa por rever a rede de rotas e adequá-la à frota, apostar numa manutenção preventiva ajustada ao ambiente açoriano e otimizar os recursos humanos através de planeamento mais rigoroso e de formação estruturada.
“De uma vez por todas, a SATA tem de ajustar a atividade à sua capacidade operacional. É esse o caminho para uma empresa sustentável, que preste um melhor serviço aos clientes e garanta estabilidade aos trabalhadores”, refere o comunicado.
O agrupamento considera que o envolvimento dos trabalhadores é decisivo para o futuro da companhia. “É decisivo que pilotos e pessoal de cabine digam se estão contra ou a favor e esclareçam todas as suas dúvidas. O Agrupamento aguarda, com a serenidade que o sentido de urgência permite, uma decisão definitiva dos trabalhadores, que resulte de uma discussão aberta e construtiva”, sublinha.
As negociações com a SATA Holding decorrem, segundo a Newtour/MS Aviation, de forma positiva e estão já próximas do desfecho. No que toca aos trabalhadores, o consórcio destaca que, uma vez que o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) já reconheceu a existência de uma proposta apresentada, “o que se espera é que quem os representa coloque o documento à sua consideração”. Para o agrupamento, compete aos trabalhadores – e só a eles – analisar e decidir se a companhia aérea tem ou não viabilidade futura.
A Newtour/MS Aviation garante que a urgência na tomada de posição não é uma imposição, mas uma exigência da própria companhia: “A SATA não aguenta por muito mais tempo ter 15% da faturação em prejuízo”.
O consórcio conclui reafirmando a sua disponibilidade para liderar a transformação, com o objetivo de devolver à transportadora “a estabilidade necessária, o prestígio que merece e a sustentabilidade indispensável para competir num setor altamente exigente”.



