A procura global por transporte aéreo de passageiros aumentou 6,1% em fevereiro face ao mesmo mês de 2025, enquanto a taxa de ocupação atingiu 81,4%, o valor mais elevado de sempre para este mês, segundo dados divulgados esta terça-feira pela International Air Transport Association (IATA).
“Fevereiro foi um mês forte, mostrando que os fundamentos para o crescimento da procura estão presentes para um ano positivo”, afirma o diretor-geral da IATA, Willie Walsh, alertando, no entanto, para os riscos associados ao contexto geopolítico.
De acordo com a organização, a capacidade global cresceu 5,6% em termos homólogos, enquanto a taxa de ocupação atingiu 81,4%, um máximo histórico para o mês de fevereiro. Neste contexto, Willie Walsh sublinha que, apesar da evolução positiva da procura, “sem saber a duração e intensidade da guerra no Médio Oriente, é impossível quantificar o impacto total nas perspetivas das companhias aéreas”, apontando para um cenário de incerteza no setor.
A IATA destaca ainda que tanto o tráfego internacional como o doméstico registaram crescimentos consistentes. A procura internacional aumentou 5,9%, com a capacidade a subir 5,3% e a taxa de ocupação a fixar-se nos 80,5%. Já o mercado doméstico registou um crescimento de 6,3%, praticamente alinhado com a expansão da capacidade (+6,2%), mantendo a taxa de ocupação nos 82,8%.
Apesar destes indicadores, o responsável da IATA alerta para o aumento dos custos operacionais, referindo que “os custos com combustível subiram acentuadamente” e que, num contexto de margens reduzidas e capacidade limitada, “as tarifas aéreas já estão a aumentar”. Segundo Willie Walsh, esta pressão está também a levar a ajustes na oferta, nomeadamente “no tráfego de, para ou através do Médio Oriente, ou em áreas onde o fornecimento de combustível é um problema”.
A organização indica ainda que o crescimento da capacidade previsto para março foi revisto em baixa, passando de estimativas superiores a 5% para 3,3%, refletindo os constrangimentos atuais no setor.
A nível regional, o desempenho foi heterogéneo. A América Latina destacou-se com o maior crescimento da procura internacional (+13,5%), enquanto a região Ásia-Pacífico beneficiou da procura associada ao Ano Novo Lunar, registando um aumento de 8,6%. Na Europa, o crescimento situou-se nos 5%, com destaque para o tráfego entre Europa e Ásia, que aumentou 14%.
Já o Médio Oriente apresentou uma evolução mais moderada, com um crescimento de apenas 0,9% na procura internacional, refletindo, segundo a IATA, o impacto das atuais tensões na região.
Nos mercados domésticos, o crescimento foi impulsionado sobretudo pelo Brasil e pela China, contribuindo para um aumento global de 6,3% neste segmento.



