O turismo em Portugal continua a ser visto como um motor de crescimento económico, mas enfrenta sinais claros de moderação nas expectativas a médio prazo. Esta é uma das principais conclusões do Barómetro 2025, uma iniciativa do IPAM, da Área de Turismo e Hospitalidade da Faculdade de Ciências Sociais e Tecnologia (FCST) da Universidade Europeia, com o apoio do TNEWS. O questionário, que decorreu entre os meses de abril e junho de 2025, pretendeu avaliar os níveis de confiança dos profissionais no setor do turismo para este ano e para daqui a três anos.
De acordo com o estudo, a maioria dos profissionais mantém uma visão “extremamente positiva” para 2025: 71% dos inquiridos acredita que o desempenho do setor será bom, e 18% tem mesmo uma perspetiva muito boa. Apenas 12% considera que este será um ano difícil para o turismo, e nenhum participante classificou o cenário como “muito mau”.
Esta confiança sólida no curto prazo mostra que, apesar das incertezas globais, o setor continua a recuperar dinamismo, consolidando os bons resultados registados nos anos mais recentes.

Médio prazo: otimismo mais contido
Já quando se olha para um horizonte de três anos, o sentimento torna-se mais cauteloso: 63% mantém uma perspetiva boa e 13% muito boa, mas 25% admite uma visão negativa ou muito negativa para o período até 2028.
Olhando para trás, esta tendência revela uma quebra gradual no entusiasmo: em 2023, 28% dos profissionais tinha uma perspetiva muito boa para o médio prazo; em 2024, esse valor caiu para 19% e, em 2025, estabiliza nos 13%.
Quatro anos após o impacto severo da pandemia, o setor parece estar a reajustar as expectativas, menos centradas em picos de crescimento e mais focadas na consolidação. “Apesar da maioria dos participantes do estudo estarem positivos a médio prazo, pode-se verificar uma tendência para uma redução da intensidade do entusiasmo entre 2023 e 2025, e um aumento significativo dos que têm uma má expectativa a médio prazo”, releva o estudo.

Net Promoter Score acende alerta
O Net Promoter Score (NPS), indicador que mede a predisposição dos profissionais para recomendar o setor como uma opção de carreira, caiu para -42 — um sinal claro de alerta para quem gere equipas e atrai talento.
Apenas 10% dos inquiridos recomendaria hoje uma carreira no turismo a familiares ou amigos. Por outro lado, 52% assume reservas ou mesmo desaconselha. Estes números alinham-se com o pessimismo mais acentuado para o médio prazo, mostrando que, além das incertezas externas, o setor tem desafios internos na sua capacidade de atrair e reter profissionais.
Principais constrangimentos: cenário internacional e escassez de talento
O Barómetro analisou ainda nove fatores de pressão que mais afetam o setor. No topo das preocupações surge a instabilidade internacional, que “retira o sono” a 72% dos profissionais. Logo depois surge a falta de mão de obra e o aumento dos custos, ambos a preocupar mais de metade dos inquiridos.
Fatores como a imprevisibilidade legislativa, a incerteza fiscal e as oportunidades de carreira também figuram na lista de inquietações, ainda que com menor peso. De notar que a segurança no emprego e o aumento da concorrência são hoje fatores menos preocupantes do que em anos anteriores, sinalizando maior estabilidade interna. Verifica-se ainda uma menor apreensão quanto ao aumento dos custos, o que sugere que os participantes consideram que a inflação estará controlada, e uma diminuição da preocupação com a imprevisibilidade legislativa e a incerteza fiscal. “Como o inquérito foi realizado após as eleições legislativas, é provável que os participantes esperem uma maior estabilidade com o novo governo”, relata o estudo.

Investimento: tecnologia à frente da sustentabilidade
Em matéria de investimento, o estudo revela uma mudança significativa. 43% das empresas planeia aumentar o investimento em 2025, um número robusto, mas em ligeira queda face a anos anteriores. 47% mantém o nível de investimento e 9% admite uma redução.
Relativamente a práticas sustentáveis, a maioria (69%) afirma que é provável ou muito provável reforçar a aposta, mas também aqui se nota uma quebra face a 2023 e 2024. Em contrapartida, cresce o entusiasmo em torno de novas tecnologias, como automação e inteligência artificial.
A procura de eficiência e a necessidade de mitigar a falta de mão de obra parecem estar a acelerar a transição digital no setor, uma inversão face a anos anteriores, em que a sustentabilidade era a prioridade mais destacada.
No final, o Barómetro 2025 deixa um retrato claro: o turismo português mantém a confiança no curto prazo, mas enfrenta um cenário global mais desafiante, que obriga as empresas a reinventar-se. A inovação tecnológica ganha terreno como resposta a constrangimentos operacionais, enquanto a preocupação com a sustentabilidade continua presente, mas perde algum fôlego.
“Apesar de 69% das empresas manifestarem intenção de investir em práticas sustentáveis, este número representa uma quebra face a anos anteriores. Em contrapartida, observa-se um aumento da disposição para investir em novas tecnologias, provavelmente como resposta aos desafios mais prementes identificados no estudo: falta de mão de obra e aumento de custos. Este redireccionamento dos investimentos sugere uma busca por soluções tecnológicas como forma de compensar limitações operacionais e aumentar a eficiência”, conclui o estudo.
Elaboração e Coordenação do projeto:
João Freire, Professor e Diretor da Licenciatura Marketing Global do IPAM Lisboa
Sofia Almeida, Professora e Coordenadora da Área Turismo & Hospitalidade da Faculdade de Ciências Sociais e Tecnologia da Universidade Europeia.



