Quem progride no alojamento e restauração? Estudo do KIPT CoLab traça o perfil

-PUB-spot_img

O setor do alojamento e restauração continua a enfrentar desafios estruturais ao nível da mão de obra, da alta taxa de rotatividade e de um código de profissão “pouco apelativo”. Com o objetivo de tornar o planeamento de carreira “mais transparente, informado e estratégico”, o KIPT CoLab apresentou o estudo “Carreiras Profissionais: dinâmicas de planeamento”, com base em três dimensões que permitem identificar fatores determinantes para a progressão de carreira, nomeadamente caraterísticas individuais e organizacionais e condições contratuais.

Ao nível das características individuais, foram analisados fatores como a idade, o género, a nacionalidade e a escolaridade. Sobre as condições contratuais, a análise incidiu sobre o tipo de contrato, regime de trabalho, remuneração base e extra, enquanto nas características organizacionais baseou-se na dimensão da empresa, volume de negócio e localização geográfica. A investigação avalia 14 anos de dados provenientes dos quadros de pessoal do setor, num total de 4,6 milhões de registos.

O relatório foi apresentado esta segunda-feira, 19 de janeiro, por Tiago Candeias, cientista de dados e investigador do KIPT CoLab, e Antónia Correia, presidente da Direção do KIPT CoLab, num encontro em Lisboa que contou com nomes muito conhecidos no setor, como Carlos Moura, presidente da AHRESP e da Assembleia Geral do KIPT CoLab, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, Adriano Rafael Moreira, secretário de Estado do Trabalho, e Catarina Paiva, administradora do Turismo de Portugal.

Tiago Candeias começou por revelar que profissionais com idades compreendidas entre 25 e 44 anos têm mais facilidade em ser promovidos do que os jovens entre os 18 e 24 anos. Contudo, à medida que o tempo avança, as pessoas com mais idade “tendem a ser menos promovidas”. Ou seja, “os jovens têm maior probabilidade de promoção do que os menos jovens”, explicou. Relativamente ao género, a probabilidade “é semelhante”, mas, ao longo do tempo, as mulheres “têm uma maior chance de promoção”.

Fazendo a análise por regiões, observa-se que a taxa de probabilidade nos Açores “é muito superior do que às outras zonas”. Em contrapartida, o Algarve e a Madeira são as geografias com menos oportunidades de progressão de carreira.

O grau académico também pesa na hora de promover um trabalhador. O setor do alojamento e restauração mais rapidamente promove um colaborador com bacharelato, licenciatura ou mestrado do que com o ensino básico ou secundário. Relativamente à nacionalidade, os trabalhadores vindos de fora, nomeadamente do Brasil ou Cabo Verde, apresentam uma taxa de progressão de carreira superior à dos próprios portugueses. Olhando para as condições contratuais, o contrato sem termo continua a ser uma barreira estrutural à promoção, mesmo que apresente uma “taxa de progressão maior”. Já os trabalhadores que trabalham em regime de tempo parcial têm mais probabilidade de serem recompensados durante o seu percurso profissional do que aqueles que trabalham a tempo inteiro. Os prémios salariais, por sua vez, são mais propensos a trabalhadores com renumerações inferiores a 600 euros.

No que respeita à renumeração base, um trabalhador que ganhe entre 1000 e 1299 euros é recompensado com progressões mais rápidas. Entre 1600 e 2299 euros, a chance de progredir na carreira aumenta moderadamente, dependendo da aquisição de novas competências. Por outro lado, quem tem renumerações acima de três mil euros tem maior probabilidade de estagnar. Estas progressões de carreira concentram-se em grandes empresas, com tempos que duplicam ao longo dos anos, garantindo acesso a melhores recursos e estabilidade.

Por sua vez, Antónia Correia reforçou os dados obtidos pelo estudo, concluindo que, nos dias de hoje, o setor do alojamento e restauração valoriza os jovens, a qualificação, a naturalidade, a necessidade de inclusão e os contratos menos estáveis, que são os mais propícios a serem alvo de uma promoção. “Precisamos de promover a integração e a inclusão, resolver o preconceito dos tetos salariais e começar a falar do salário médio. Ao nível das regiões, temos que, para já, resolver estas assimetrias e garantir condições de trabalho mais equitativas”, disse a responsável. Estes dados, acrescentou, “serão atualizados sempre que houver alterações no quadro pessoal”.

Antónia Correia também revelou que, até ao final do ano, será lançado um simulador de produtividade e eficiência.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img