Com o ano a chegar ao fim, é tempo de olhar para trás e identificar os sinais que marcaram 2025.
No âmbito da rubrica Radar TNews: O que marcou o ano, o TNews convidou profissionais do setor do turismo a partilhar a sua leitura sobre os acontecimentos mais relevantes, os sinais positivos e os alertas que merecem atenção no futuro.
Ao longo das próximas semanas, publicamos as perspectivas individuais dos nossos entrevistados.
Rui Ventura, Presidente do Turismo do Centro de Portugal
O que entrou no seu radar em 2025?
Em 2025, entrou claramente no meu radar a confirmação de que o turismo em Portugal está a mudar para melhor. Senti, ao longo do meu primeiro ano enquanto presidente da Turismo do Centro de Portugal, que o país está a deixar para trás a lógica do crescimento a qualquer custo e que está a discutir o que realmente importa: a qualidade da experiência para quem nos visita, o impacto nos territórios e o benefício para quem lá vive e trabalha.
Foi um ano em que se tornou evidente que os destinos mais preparados são aqueles que apostam na autenticidade, na cooperação entre entidades e na valorização do interior, que criam propostas com identidade própria e não meras replicações de modelos massificados e esgotados. É com grande satisfação que posso dizer que o Centro de Portugal está na linha da frente desta evolução.
Que sinal positivo destacou no setor?
O sinal mais positivo que destaco é a forma como o setor tem vindo a encarar a sustentabilidade, com maior maturidade. Já não como um slogan vazio, mas como um critério real de decisão. Vi projetos a nascerem com preocupações claras nesse sentido, integrados com o território, respeitadores do património e que procuram envolver as comunidades locais. Também senti uma maior confiança das regiões em afirmar aquilo que as torna diferenciadas, com produtos turísticos mais qualificados e experiências pensadas para um visitante atento, informado e exigente.
A afirmação de produtos como o turismo ativo, cultural e gastronómico, aliados à valorização dos territórios de menor densidade, confirmou que o futuro do setor passa por um turismo mais equilibrado e enraizado no território.
Que alerta ou tendência emergente devemos observar em 2026?
Para 2026, o grande alerta passa pela gestão inteligente do sucesso. O turismo continuará a crescer, ninguém duvida, mas o crescimento traz responsabilidades acrescidas. A tecnologia e a inteligência artificial terão um papel determinante na personalização das experiências e no apoio à decisão estratégica, mas nunca poderão substituir a visão humana nem o conhecimento profundo do território.
Nas tendências, notamos de forma muito clara, sobretudo na nossa região, uma procura crescente por um turismo mais autêntico, mais próximo da natureza, das tradições e da nossa identidade enquanto povo. As aldeias do Centro de Portugal são um bom exemplo disso, com uma procura cada vez mais consistente, confirmada pelo sucesso das iniciativas que desenvolvemos ao longo deste ano.
O desafio central será encontrar um equilíbrio positivo entre inovação e identidade, entre crescimento e qualidade de vida, entre atração turística e coesão territorial. Quem o conseguir, estará mais bem preparado para o futuro; quem não o fizer, corre o risco de perder relevância num mercado cada vez mais competitivo. É esse o caminho que estamos a seguir no Centro de Portugal.




