Com o ano a chegar ao fim, é tempo de olhar para trás e identificar os sinais que marcaram 2025.
No âmbito da rubrica Radar TNews: O que marcou o ano, o TNews convidou profissionais do setor do turismo a partilhar a sua leitura sobre os acontecimentos mais relevantes, os sinais positivos e os alertas que merecem atenção no futuro.
Ao longo das próximas semanas, publicamos as perspectivas individuais dos nossos entrevistados.
André Gomes | Presidente do Turismo do Algarve
O que entrou no seu radar em 2025?
Em 2025, o acontecimento que mais entrou no meu radar foi, sem dúvida, a inauguração da primeira ligação aérea direta entre o Algarve e os Estados Unidos, operada pela United Airlines na rota Newark–Faro, com quatro frequências semanais ao longo da época alta. Esta operação é histórica para a região: reforça a posição do Algarve no mapa transatlântico, diversifica a base de mercados emissores, atenua a dependência tradicional de alguns mercados europeus e abre novas oportunidades para segmentos de maior valor acrescentado, do golfe ao turismo gastronómico, cultural e de natureza. Mais do que uma nova rota, é um sinal claro de confiança internacional na capacidade do destino e um catalisador para a estratégia de crescer em valor e ao longo do ano, não apenas em volume. E não poderia deixar de referir, ainda, o recente anúncio do regresso da Formula 1® ao Autódromo Internacional do Algarve, em 2027 e 2028, um acontecimento de enorme impacto económico e promocional, que volta a projetar o Algarve num palco global de exceção e reforça o posicionamento da região como destino capaz de acolher grandes eventos internacionais.
Que sinal positivo destacou no setor?
Um sinal muito positivo que destacaria em 2025 é a forma como a sustentabilidade deixou de ser apenas discurso para se traduzir em resultados mensuráveis no Algarve. Os empreendimentos turísticos aderentes ao selo “Save Water” conseguiram reduzir de forma significativa o consumo de água, mostrando que é possível compatibilizar desempenho turístico com uso eficiente de recursos e adaptação às alterações climáticas. Em paralelo, o crescente destaque dado ao Algarve enquanto destino autêntico, com oferta de caminhadas, turismo de natureza e experiências no interior ao longo de todo o ano, confirma que a aposta na diversificação territorial, na sustentabilidade e na qualificação da oferta está a ser cada vez mais reconhecida e valorizada pelos mercados.
Que alerta ou tendência emergente devemos observar em 2026?
Em 2026, o grande desafio será consolidar a mudança de paradigma de “mais turistas” para “mais valor por visitante”. Isso implica prolongar as estadias médias, aumentar o consumo em produtos de maior valor acrescentado – como o golfe, o enoturismo, a gastronomia de autor, o turismo de natureza guiado, a cultura e os eventos –, e reforçar a qualificação da oferta e dos serviços, nomeadamente através da formação de recursos humanos e da digitalização das empresas. A aposta em experiências autênticas, sustentáveis e distribuídas pelo território é essencial para captar visitantes com maior despesa média diária e maior envolvimento com a comunidade local, reforçando a redução da sazonalidade e criando mais rendimento e melhor qualidade de vida para quem vive e trabalha na região.



