Com o ano a chegar ao fim, é tempo de olhar para trás e identificar os sinais que marcaram 2025.
No âmbito da rubrica Radar TNews: O que marcou o ano, o TNews convidou profissionais do setor do turismo a partilhar a sua leitura sobre os acontecimentos mais relevantes, os sinais positivos e os alertas que merecem atenção no futuro.
Ao longo das próximas semanas, publicamos as perspectivas individuais dos nossos entrevistados.
Fernando Garrido | Presidente da ADHP
O que entrou no seu radar em 2025?
Um dos pontos altos do ano foi o anúncio público, por parte do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, de que o novo RJET (Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos) consagrará o estatuto de valorização da profissão de diretor de hotel. A ADHP esteve envolvida, de forma muito próxima, na revisão do RJET, e trabalhámos ativamente para que o diploma reconhecesse a formação especializada e reforçasse a qualificação como pilar do desenvolvimento turístico. Ver a intervenção da ADHP nesta matéria a dar frutos foi uma grande notícia, uma vez que o novo RJET trará benefícios tangíveis para a profissão de diretor de hotel em Portugal.
Que sinal positivo destacou no setor?
Apesar das limitações ao crescimento que se verificam nas grandes cidades nacionais, o setor e os seus profissionais conseguiram alcançar uma estabilização dos resultados operacionais das unidades hoteleiras. Esta é mais uma demonstração da competência e capacidade de trabalho que caracterizam a hotelaria portuguesa.
Que alerta ou tendência emergente devemos observar em 2026?
O contínuo aumento da oferta turística em locais onde a capacidade para receber mais clientes está muito condicionada, seja por falta de infraestruturas ou por ineficiência das infraestruturas existentes, é um problema que deverá agudizar-se em 2026 se não forem tomadas medidas concretas e consequentes. A falta de capacidade do aeroporto de Lisboa, a ineficiência no controlo de passaportes e a inexistência de ligações ferroviárias com o resto da Europa continuam a ser entraves ao acolhimento adequado de quem nos visita: isto numa altura em que o investimento em empreendimentos turísticos continua a crescer.
Por outro lado, destaco a proliferação de taxas e impostos sobre as empresas e os turistas, sobrecarregando indiscriminadamente e sucessivamente um setor que, hoje, se assume como motor da economia nacional. Esta prática não é sustentável para as empresas, nem para as diversas atividades que se relacionam com o turismo.




