O Real Hotels Group registou em 2025 um desempenho “sustentado”, ainda que abaixo das expectativas iniciais, sobretudo devido a atrasos na abertura de duas unidades recentemente convertidas em hotéis franchisados da marca Holiday Inn. Ainda assim, o grupo espera que estes hotéis atinjam “velocidade cruzeiro” entre o final deste ano e o início de 2027, afirmou Simão José Simão, diretor comercial e de operações do grupo, em entrevista ao TNews durante a BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market.
“O desempenho do grupo foi sustentado apesar de não ter sido o expectável, porque tivemos dois hotéis que estavam em obras e que não abriram na data que nós queríamos”, explicou o responsável. Segundo acrescentou, este atraso teve impacto direto nas receitas previstas para o final do ano, uma vez que “a faturação desses hotéis foi um bocadinho mais abaixo do que nós tínhamos expectado”.
Entre as unidades em causa estão o Holiday Inn Albufeira, antigo Real Bela Vista, e o Holiday Inn & Suites Lisboa – Príncipe Real, que resulta da transformação do antigo Amazónia Lisboa.
Apesar de já estarem em operação, os dois novos hotéis encontram-se ainda numa fase inicial de consolidação no mercado. Segundo o responsável, “uma marca quando é estabelecida no mercado demora sempre algum tempo até ser conhecida e até ser absorvida pelas redes”.
No caso do Holiday Inn Albufeira, a abertura ocorreu em meados de junho de 2025, já em plena época alta. “Teve um verão normal, digamos assim, com uma grande subida da ADR (Average Daily Rate), mas depois voltou a cair outra vez a partir de setembro, quando a sazonalidade começa a acentuar”, explicou.
“O desempenho do grupo foi sustentado apesar de não ter sido o expectável porque tivemos dois hotéis que estavam em obras e que não abriram na data que nós queríamos.”
Já o Holiday Inn & Suites Lisboa – Príncipe Real, “começou devagar e agora está a comportar-se muito bem e até acima das nossas expectativas, porque está a beber da marca e está com uma distribuição maior”, referiu.
Ainda assim, o responsável considera que estas unidades deverão atingir o seu pleno potencial em breve. “Ainda não atingiu o que nós queremos, como é lógico, mas no final deste ano e princípio do próximo ano já estará em velocidade cruzeiro.”
Em termos operacionais, o grupo registou melhorias na ocupação média em 2025 face ao ano anterior. No entanto, o preço médio ficou ligeiramente abaixo das expectativas.
“A nível de indicadores de ocupação foi superior ao ano de 2024, mas na globalidade do grupo. A nível de preço médio foi ligeiramente inferior ao que nós tínhamos estimado”, afirmou Simão Simão, acrescentando que, no balanço final, “um compensou o outro e o RevPAR do ano passado foi similar ao de 2024”.

Mercado português lidera procura
Apesar do crescimento de mercados internacionais, o mercado português continua a ser o principal para o grupo quando analisado de forma global. Segundo explicou Simão Simão, esta realidade deve-se sobretudo ao peso das unidades no Algarve, onde os turistas nacionais realizam estadias mais longas. “São estadias de cinco a sete dias, o que nos dá logo um push muito grande.”
Depois do mercado nacional surgem o britânico, o francês, o italiano e, em quinto lugar, o norte-americano. Ainda assim, o responsável sublinhou que “isto não quer dizer que não haja unidades em que o mercado americano não esteja em primeiro lugar”. Entre os mercados emissores, o maior crescimento está atualmente a ser registado precisamente nos Estados Unidos.
Além disso, o grupo está a assistir a um aumento da procura proveniente de vários mercados asiáticos, numa tendência associada à retoma das viagens internacionais após a pandemia. “Temos um crescimento da China e estamos a ver também crescimento da Coreia e do Japão.”
“Curiosamente ,o nosso principal mercado no grupo é o português. segue-se o mercado inglês, depois o francês e o italiano. o americano surge em quinto lugar”.
Para 2026, uma das prioridades estratégicas passa pela diversificação de mercados emissores, numa altura em que alguns dos principais mercados europeus estão a registar sinais de desaceleração.
“O mercado britânico está em queda para Lisboa e para o Algarve neste momento. O mercado francês também está em queda, assim como o mercado brasileiro”, afirmou.
Perante este cenário, o grupo procura compensar essas quebras com novos mercados. “Temos que ir a outros mercados para ver se conseguimos substituir ou, pelo menos, aligeirar um pouco estas quebra.” A estratégia passa sobretudo pelo reforço da distribuição internacional.
Outra tendência identificada pelo grupo é a diminuição da antecedência das reservas, sobretudo em alguns mercados tradicionais. “No caso do mercado britânico, estamos a ver muita reserva de última hora”, explicou.
Kimpton Lisbon deverá abrir em 2027
No que diz respeito ao pipeline, o principal projeto em desenvolvimento é a transformação do antigo Hotel Real Parque no Kimpton Lisbon, o segundo da marca em Portugal. “O Kimpton iniciou as obras o ano passado e deverá estar pronto no final de 2027, se tudo correr de forma expectável”, revelou Simão Simão. “É um hotel de cinco estrelas, dirigido ao segmento de luxo.”
Para os próximos anos, o grupo não prevê expandir significativamente a sua presença geográfica, preferindo concentrar-se na modernização das unidades existentes. “Nós temos um portfólio já bastante diversificado, espalhado por Porto, Lisboa e Algarve”, explicou.
Em vez disso, o foco está na requalificação das unidades para responder às novas expectativas dos clientes. Entre os projetos em curso estão as obras no Real de Santa Eulália, onde já foram renovados todos os quartos e onde está agora em curso a renovação das vilas, bem como uma futura transformação do Real Oeiras.
Apesar de reconhecer que o primeiro trimestre de 2026 começou abaixo das expectativas, Simão Simão mantém uma visão positiva para o resto do ano. “Eu sou um otimista por natureza, por isso as minhas perspectivas são boas e espero cumprir os objetivos que estabelecemos.”
Recordando o desempenho do ano anterior, acrescentou: “O mesmo se passou no ano passado. Também não arrancámos bem e, no fim, acabámos por fechar o ano bem”.



