Segunda-feira, Fevereiro 26, 2024
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Recursos Humanos: “A hotelaria passou a ser percecionada como uma atividade de risco”


A falta de recursos humanos está a ser um dos maiores desafios da retoma no setor da hotelaria. De acordo com o CEO da Hoti Hotéis, Miguel Proença, o problema não está apenas na saída de colaboradores, mas também na diminuição de alunos nos cursos de turismo. “A perceção que vamos tendo é que, neste momento, a questão não está apenas relacionada com a saída de colaboradores do setor, mas também com o facto de estarem a entrar poucas pessoas”.

O responsável da Hoti Hotéis afirma que “a situação é complicada”, “porque efetivamente a hotelaria não era percecionada como uma atividade de risco e, agora, começou a ser percebida como uma atividade de risco. Começámos a competir com outro tipo de atividades que até agora não eram concorrentes”.

Miguel Proença defende que o problema será ainda maior nos destinos secundários: “Quando existirem fluxos mais significativos nas cidades, existirão soluções e obviamente tem de passar pelo tema dos vencimentos. Quando falamos em destinos secundários a situação é difícil. É difícil ter flexibilidade e capacidade para acompanhar uma determinada passada de rendimento quando os hotéis têm taxas tradicionalmente mais baixas. Se esta redescoberta do Interior para unidades mais qualificadas for uma tendência que fica no mercado, facilita”.

Da parte das cadeias hoteleiras, Miguel Proença afirma que é preciso procurar soluções que passem também pela formação. “O tema da formação vai ser um tema importante e, da mesma forma, como é que se consegue alimentar de novo as escolas de turismo”. Além da formação, Miguel Proença defende outras soluções: “Existem benefícios que as cadeias hoteleiras podem trazer aos seus funcionários. Há todo um universo de benefícios que podemos ter condições de ir oferecendo. Hoje em dia, a Hoti Hotéis já oferece – e é para continuar a desenvolver – um leque interessante de benefícios que resultam dos seus próprios processos de negociação.”

A Hoti Hotéis entrou na pandemia com cerca de 850 colaboradores, mas em agosto, no pico da atividade, tinha 580.

Cidades a recuperar gradualmente são um dos maiores desafios

A abertura do Moxy Lisboa Oriente há pouco mais de três meses foi o mote para uma visita de imprensa esta terça-feira, dia 19 de outubro, à unidade.

O proprietário, o grupo belga Krest, investiu 17 milhões de euros na construção da unidade que é gerida pela Hoti Hoteis, em resultado da parceria estabelecida entre os dois grupos e a Marriott.

Desde que abriu, a ocupação tem subido gradualmente, com alguns picos de procura, explica Miguel Proença. “De repente há um evento e temos uma ocupação de 100%”. Localizado no Parque das Nações, estima-se que a procura da unidade seja alimentada pelos eventos na Altice Arena e FIL, mas também pelos segmentos corporate e city break, que para já estão timidamente a recuperar.

A recuperação gradual dos destinos de cidade é, de resto, um dos grandes desafios identificados por Miguel Proença, nesta fase, a par das equipas: “As cidades estão a retomar no que diz respeito à componente de trabalho, mas enquanto não tivermos fluxos mais significativos do turismo de cidade de volta, vai continuar a ser uma batalha. Em alguns dos nossos hotéis do Porto é isso que se verifica de forma evidente, assim como nestes dois hotéis – o Moxy Lisboa Oriente e o Mélia Oriente. Há aqui um desafio enorme”.

Investimentos até ao final do ano

Até ao final do ano, a Hoti Hoteis apresenta um conjunto de novidades em Lisboa. Dentro de um mês – o hotel Melia Oriente, que foi alvo de uma renovação e rebranding no valor de 3,8 milhões de euros, estará concluído, embora já esteja aberto. Também dentro de dias, a cadeia dará início ao rebrand do Tryp Aeroporto para Meliá Aeroporto. Neste caso, o investimento é de 1,5 milhões para rebrand e obras de requalificação. “Com estes dois hotéis conseguimos ter no final do ano duas ofertas qualificadas para o mercado de Lisboa”, refere o CEO da Hoti.

Recorde-se que a cadeia tem em pipeline três hotéis para Famalicão, São João da Madeira (projeto Revive) e Viana do Castelo. De acordo com as declarações dadas em entrevista o TNews em agosto passado por Miguel Proença, são unidades entre 100 a 120 quartos, com spa, piscina interior e exterior que ostentam a marca Meliá. Para o centro de Braga está também prevista uma unidade de quatro estrelas, cuja marca ainda não está definida. No entanto, de todos os projetos, este é o que se prevê que avance primeiro. Esta terça-feira, dia 19, o responsável da Hoti revelou ainda estar em processo um novo hotel da marca Star Inn para Aveiro, próximo ao Meliá Ria, com um componente residencial também. A somar a outros projetos, junta-se também um projeto na Avenida da Boavista, no Porto, que contempla hotel e escritórios

O horizonte temporal para a concretização destes projetos é 2028, com Miguel Proença a explicar que a Hoti Hotéis irá avançar em função do desenvolvimento da recuperação do mercado turístico e financeiro.

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