Reino Unido avança com taxa turística sem limite e setor alerta para fuga de visitantes

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O World Travel & Tourism Council (WTTC) e a ABTA – The Travel Association manifestaram-se contra a decisão do Governo britânico de permitir que autarcas e autoridades locais de Inglaterra introduzam taxas turísticas sobre dormidas sem um limite máximo nacional, alertando para os potenciais efeitos negativos na competitividade do destino.

A medida prevê a possibilidade de aplicação de uma overnight visitor levy a estadias em hotéis, alojamento de férias, bed and breakfasts e outras unidades de alojamento de curta duração. O valor será calculado como uma percentagem do custo do alojamento.

Para o WTTC, a introdução de taxas sem um limite nacional poderá tornar o Reino Unido menos competitivo face a destinos concorrentes, com o aumento dos custos a poder levar visitantes a escolher outros mercados e a desviar despesa e investimento do país.

Uma análise do WTTC publicada no início deste ano concluiu que 29% dos viajantes dos Estados Unidos, França e Alemanha – os três principais mercados internacionais do Reino Unido – considerariam escolher um destino alternativo ou não visitar o país caso fosse aplicada uma taxa turística de 10 euros.

Entre os residentes britânicos, 39% afirmaram que poderiam optar por passar férias noutro destino ou não realizar uma viagem no Reino Unido perante uma taxa de 10 libras.

Segundo as estimativas do WTTC, uma taxa de 10 libras poderia contribuir para uma redução da despesa dos visitantes internacionais de 14,4 mil milhões de libras em 2027.

ABTA critica modelo baseado numa percentagem

Também a ABTA considera que a introdução das taxas poderá prejudicar a competitividade do setor turístico britânico.

“A ABTA acredita que a introdução de taxas sobre dormidas em Inglaterra irá prejudicar ainda mais a competitividade do nosso setor turístico”, afirmou Luke Petherbridge, diretor de Assuntos Públicos da associação, acrescentando que a organização está “desapontada” com a decisão do Governo de avançar com a medida.

A ABTA manifesta particular preocupação com a opção por um modelo baseado numa percentagem do valor do alojamento, recordando que este sistema “já foi reconhecido como problemático na Escócia”.

“É particularmente preocupante e deveria ser revisto”, afirmou Petherbridge, defendendo que os autarcas deverão agora envolver o setor turístico antes de tomarem decisões sobre a aplicação das taxas a nível local.

Apesar de se opor à criação do novo imposto, a ABTA considera que, caso os autarcas decidam avançar com estas taxas, a receita gerada deverá ser reinvestida na melhoria dos serviços utilizados pelos visitantes e no reforço da oferta turística local.

WTTC pede taxas proporcionais e previsíveis

Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, defende que o Reino Unido deveria estar a “tornar mais fácil visitar, e não mais caro”.

“Os viajantes têm opções e, se o Reino Unido se tornar menos competitivo, vão levar a sua despesa para outro lugar”, afirmou a responsável, considerando que custos mais elevados poderão significar “menos despesa dos visitantes, um crescimento mais fraco e menos oportunidades” para as empresas e trabalhadores dependentes do setor.

O WTTC defende, por isso, que as taxas turísticas devem ser proporcionais, previsíveis e definidas tendo em conta a competitividade internacional do destino.

A organização considera ainda que a avaliação destas medidas não deve limitar-se à receita que podem gerar, devendo ter em conta o eventual impacto na procura turística e na atividade económica gerada pelos visitantes, nomeadamente em áreas como alojamento, restauração, atrações, comércio e transportes.

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