Se tivesse o poder absoluto sobre o país por uma hora, que decisão tomaria para o setor do turismo? Por Carla Inácio

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Para assinalar o 4º aniversário do TNEWS, lançamos uma rubrica especial que reúne vozes do setor do turismo. Convidamos personalidades a refletirem sobre o futuro do turismo em Portugal, respondendo à seguinte questão: “Se tivesse poder sobre o país por uma hora, qual seria a decisão que tomaria para o setor do turismo?”

Por Carla Inácio, Diretora de Operações do Hospes Infante Sagres Porto

Num setor composto por tantas realidades distintas, acredito que uma das necessidades mais prementes passa pela tomada de uma decisão concreta e transformadora que promova a colaboração entre os diversos agentes e profissionais, reforçando o alinhamento em torno de um objetivo comum.

O Turismo não se faz apenas de paisagens deslumbrantes, hotéis confortáveis ou restaurantes premiados. É, sobretudo, uma experiência humana, moldada diariamente pelo trabalho em equipa, pela empatia e pela forma calorosa com que cada pessoa é recebida.

Por isso, a minha decisão seria criar um plano nacional de valorização, formação contínua e dignificação dos profissionais do setor. Fomentaria uma cultura de aprendizagem constante, através do investimento em programas acessíveis e de elevada qualidade, que fossem além da componente técnica e que permitissem aprender a entender o outro, a criar ligações e a comunicar com autenticidade. A hospitalidade é uma arte que se aperfeiçoa com cada desafio, com cada cultura e com cada pessoa.

Adicionalmente, estabeleceria mecanismos que reconhecessem, premiassem e elevassem o trabalho das equipas, promovendo o orgulho de pertencer ao setor. Profissionais motivados, líderes conscientes e ambientes de trabalho saudáveis são o alicerce de um Turismo sustentável e resiliente.

Com o crescimento do destino, surge a necessidade de consolidar uma cultura de partilha e cooperação. Cada hotel tem a sua identidade, os seus serviços e o seu público, mas todos partilham o propósito de criar valor para o cliente, oferecendo experiências autênticas e memoráveis.

Embora a competitividade estimule a inovação, quando se torna excessiva, ameaça o crescimento coletivo e cria barreiras à cooperação. Precisamos de equipas mais motivadas, líderes mais conscientes e ambientes onde se promova a aprendizagem, a colaboração e o crescimento conjunto. São as pessoas que contam as histórias, que acolhem, que criam memórias inesquecíveis a quem nos visita. Se cuidarmos de quem cuida dos outros, estaremos a cuidar do Turismo como um todo.

Se tivesse esse poder por uma hora, escolheria sem hesitar investir nas pessoas, na empatia, no respeito e na colaboração, porque, em última análise, são os profissionais que fazem do Turismo uma indústria de excelência.

Nota de editor

Também queremos ouvir a sua voz! Envie sugestões e ideias sobre o futuro do turismo em Portugal para cmonteiro@tnews.pt e faça parte deste debate crucial para a transformação da nossa indústria.

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