Para assinalar o 4º aniversário do TNEWS, lançamos uma rubrica especial que reúne vozes do setor do turismo. Convidamos personalidades a refletirem sobre o futuro do turismo em Portugal, respondendo à seguinte questão: “Se tivesse poder sobre o país por uma hora, qual seria a decisão que tomaria para o setor do turismo?”
Por Jorge Mangorrinha, professor e pós-doutorado em turismo e escritor de viagens
Se eu tivesse o poder por uma hora no turismo, destacaria sete pontos.
Fazer lembrar que todos somos importantes no turismo, ou seja, o cidadão, o turista, o investidor, o regulador, o funcionário, o promotor, o académico.
Fazer lembrar o que, em 2011 e 2012, ao presidir ao centenário da institucionalização do turismo em Portugal, disse por diferentes circunstâncias que se torna evidente a capacidade de superação do setor turístico frente a crises económicas.
Fazer lembrar que é necessário considerar a importância da memória, enquanto criadora do sentido de pertença coletiva, de que o futuro não se pode desligar. O caso de valorizar e dar função turística ao património, nos últimos tempos, tem sido uma aposta ganha.
Fazer lembrar a importância do binómio turismo e território. O espaço turístico tem características próprias e específicas, mas que se manifestam diferentemente, dependendo dos diferentes territórios, das identidades regionais e das relações com o mundo. A partir de algumas reflexões epistemológicas sobre o fenómeno turístico e as suas relações e inter-relações com o espaço, continuamos a confirmar que o turismo é uma atividade cada vez mais complexa, facto característico da contemporaneidade, pelo que a preocupação e o interesse pela proteção da componente natural do território deviam ter adquirido destaque na mente dos agentes e reconhecimento suficiente para constituir uma alternativa ao avanço do edificado ao longo dos últimos anos, permitindo afirmar o território como um recurso finito. Isso nem sempre aconteceu em muitos locais. Ainda assim, embora muita coisa esteja hipotecada para sempre, abre-se um horizonte desejável de regeneração e valorização estética e funcional do edificado turístico. Oxalá que o próximo governo português tenha uma visão transdisciplinar do turismo e favoreça esta linha de ação.
Fazer lembrar que não se deve planear o território turístico considerando, apenas, os polos turísticos como os importantes para uma boa imagem do território. O espaço entre polos também é importante. A perceção do turista, que circula pelo território, deve ser positiva, globalmente, pelo que cuidar dos espaços ditos não turísticos tem a mesma importância e merece o maior cuidado. Aliás, o território turístico tende a ser todo o espaço em que circulamos. A imagem como um todo é essencial para a perceção de quem visita.
Fazer lembrar que a adequação do território ao turismo vai evoluindo, gerando novas e inesperadas dinâmicas, tantas vezes assentes no esforço essencial dos profissionais de turismo, que continuam a encontrar energia e prazer no ato de bem-receber para que o turista se espante, se sinta bem e leve a mensagem, que ainda é a melhor promoção.
Fazer lembrar que o espanto é a chave do turismo.
Nota de editor
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