“Se tudo correr bem, vai haver mais uma novidade da Solférias para o verão de 2027”

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A Solférias está a preparar o lançamento de um novo destino de “médio curso” para o verão de 2027, revelou esta terça-feira Sónia Regateiro, diretora de Operações, à margem do evento Bye Bye Verão, em Lisboa. A programação deverá manter a operação charter de Maceió e os cinco voos semanais para o Egito, destino que este ano ultrapassou Cabo Verde e chegou ao primeiro lugar das vendas do operador turístico em agosto.

Em declarações à imprensa, Sónia Regateiro adiantou que, para o verão de 2027, a “intenção” da Solférias passa por “manter a operação charter de Maceió, à partida de Lisboa”, embora a programação ainda não esteja fechada. “Ainda não podemos anunciar porque não temos a negociação finalizada com a companhia aérea”, ressalvou.

A operação para Maceió, no estado brasileiro de Alagoas, estreou-se este verão, com partidas diretas de Lisboa entre julho e setembro. Os voos, operados pela EuroAtlantic Airways, tiveram uma frequência semanal, aos domingos. 

No Egito, a Solférias pretende manter os cinco voos semanais, estando, no entanto, a estudar alguns ajustamentos para melhorar os horários dos serviços. Entre as alterações em análise está a passagem da partida para El Alamein para quarta-feira. “Vamos tentar fazer alguns ajustes nos dias de operação, mas vamos manter os cinco voos [semanais] para o Egito”, garantiu.

Quanto à novidade prevista para o próximo verão, Sónia Regateiro mantém ainda o destino em segredo. “Como ainda estamos em negociações com as companhias aéreas, não posso adiantar nada”, disse. “Se tudo correr bem, vai haver mais uma novidade da Solférias para o verão de 2027”, acrescentou, revelando apenas que se trata de um destino de “médio curso”.

“Como ainda estamos em negociações com as companhias aéreas, não posso adiantar nada. Se tudo correr bem, vai haver mais uma novidade da Solférias para o verão de 2027”

Solférias fecha verão com vendas ao nível de 2025: “o ano não foi fácil”

Apesar de ter iniciado a época com preocupação, Sónia Regateiro afirma ter sido surpreendida pela evolução das vendas durante o verão. “Em junho estava bastante nervosa e ansiosa. Quando tirámos os resultados de julho, fiquei surpreendida pela positiva porque estava à espera de um [mês] bem pior do que aquilo que os números demonstraram. Agosto foi um bom mês, quer de vendas, quer de rentabilidade”, referiu.

As projeções para o conjunto do ano apontam, ainda assim, para um volume de vendas abaixo das expectativas inicialmente traçadas pelo operador. “No final do ano, a projeção atual é de que vamos chegar ao volume de vendas mais ou menos de 2025 e não vamos ter o crescimento de dois dígitos com que estávamos a contar no início do ano”, adiantou.

A pressão sobre a rentabilidade será, contudo, maior. “Em termos de rentabilidade, vamos ser altamente penalizados. A Solférias vai perder dinheiro? Não, não vai. Continuamos a ser uma empresa sustentável. Não vamos ganhar o que queríamos; vamos ganhar um bocadinho menos, mas não há perdas”, acrescentou. 

O contexto menos favorável vivido este ano pelo setor, marcado pela instabilidade geopolítica e pelo aumento do jet fuel, levou a Solférias a alterar o formato do seu habitual evento de antecipação do Réveillon. Em vez da tradicional festa, o operador optou pelo Bye Bye Verão, realizado esta terça-feira em Lisboa. “Era uma festa com mais glamour e mais participantes. Este ano mudámos o conceito porque efetivamente o ano não foi fácil”, explicou Sónia Regateiro.

“Ponderámos não fazer de todo as festas por uma questão de contenção de custos”, afirmou, acrescentando, porém, que “não podíamos deixar de chegar ao mercado e agradecer aos agentes de viagens pelo esforço de mais um ano muito duro para todo o trade em geral”. 

O resultado foi um encontro “mais singelo e descontraído, mas com muito coração”, nas palavras da responsável. A Solférias leva agora o Bye Bye Verão ao Porto, numa segunda edição marcada para quinta-feira, 24 de setembro.

“A projeção atual é de que vamos chegar ao volume de vendas mais ou menos de 2025 e não vamos ter o crescimento de dois dígitos com que estávamos a contar no início do ano”

Egito ultrapassa Cabo Verde e lidera vendas em agosto

O Egito foi um dos destinos em destaque este verão, alcançando pela primeira vez a liderança nas vendas da Solférias durante o mês de agosto, à frente de Cabo Verde.

“A grande surpresa foi efetivamente o Egito. Pela primeira vez, voámos com cinco voos semanais para o Egito e, pela primeira vez na história da Solférias, o Egito foi destino número 1 em agosto à frente de Cabo Verde”, destacou Sónia Regateiro. “Foi um marco histórico. Cabo Verde sempre foi o nosso número 1”. 

Segundo a responsável, o “decréscimo de vendas” de Cabo Verde foi influenciado pela ausência da operação exclusiva que integrava a programação do verão de 2025. “No ano passado, tivemos um voo Porto-Sal exclusivo da Solférias que este ano não tivemos, ou seja, são menos de 3.500 passageiros no global do verão. Por isso, o Egito, com os cinco voos semanais, conseguiu bater Cabo Verde”, explicou.

Entre os destinos que enfrentaram alguns desafios esteve El Alamein, na Costa Norte do Egito. “É um produto bastante caro. Tenho imensa pena porque é um produto de turismo fantástico, com praias fantásticas, mas os hotéis são caros. Com o impacto do aumento do fuel e a guerra, foi uma operação que foi penalizada”, indicou. Na Tunísia, “Porto-Enfidha também foi uma operação um bocadinho dura”.

No entanto, Sónia Regateiro garante que as operações “são todas positivas – umas melhores, outras piores”.

“Pela primeira vez, voámos com cinco voos semanais para o Egito e, pela primeira vez na história da Solférias, o Egito foi destino número 1 em agosto à frente de Cabo Verde”

Réveillon: o que já esgotou e o que ainda falta vender

Relativamente à operação de Fim de Ano, Sónia Regateiro revelou que “o Brasil está completamente vendido”, com os três voos previstos para Maceió, Salvador e Natal já “esgotados”.

Também Senegal e São Tomé estão lotados, enquanto Cabo Verde, com partidas de Lisboa e Porto, conta apenas com “quatro lugares por vender no dia 27 de dezembro”. 

Por vender permanece igualmente a operação para o Funchal. “Temos dois voos charters, um de Lisboa a 29 de dezembro e um do Porto a 30 de dezembro, ainda com bastante disponibilidade”, indicou.

Há igualmente lugares disponíveis para São Miguel, em voos SATA com partida a 30 de dezembro. 

Quanto ao Dubai, a operação continua envolta em incerteza. “Temos bloqueios com a Emirates para o Dubai que não sabemos se efetivamente vão sair ou não”, disse. “Não acredito, porque enquanto o Dubai estiver no portal das comunidades como não recomendado, vai ser difícil o destino retomar”.

Além destes destinos, existe ainda “muita programação à base do que há disponível de voos regulares”, acrescentou.

“Mesmo se a guerra acabasse amanhã, não vai afetar drasticamente nem vai provocar uma queda abismal do preço do jet fuel. Então, a tendência é de que os preços [das viagens] vão subir”

Pressão do jet fuel aponta para subida dos preços em 2027

Questionada sobre o impacto do aumento dos combustíveis na programação futura, num contexto marcado pela guerra no Médio Oriente, Sónia Regateiro considera que a tendência aponta para uma subida dos preços das viagens.

“Esta instabilidade do fuel vai-se prolongar não se sabe bem até quando. Além da questão do fuel, é a questão do jet fuel”, afirmou. Segundo a diretora de Operações da Solférias, mesmo que o preço do fuel venha a cair, a procura de combustível para a aviação deverá manter a pressão sobre os custos.

“A tendência é de aumento, não é de redução. Mesmo se a guerra acabasse amanhã, não vai afetar drasticamente nem vai provocar uma queda abismal do preço do jet fuel. Então, a tendência é de que os preços [das viagens] vão subir”, sublinhou.

Sónia Regateiro acredita que esta pressão poderá refletir-se na procura, numa altura em que as famílias continuam a enfrentar outros encargos. “O carro tem de continuar a andar para muitas famílias. As idas aos supermercados têm que se manter. Onde é que vão cortar? Se calhar é nas viagens”, afirmou.

A responsável considera ainda que o mercado se encontra “muito sensível” ao preço, algo que, segundo refere, ficou evidente ao longo da época alta. “Consegue-se ver as ofertas que houve durante todo o verão, com Caraíbas a 800 e 900 euros para uma semana em tudo incluído”, destacou. 

“Tivemos de penalizar muito a nossa margem e muitas operações com reduções de acompanhantes [devido à] questão da sensibilidade ao preço. O que espero é que, no próximo ano, a oferta se ajuste a estas dificuldades do mercado e que se consiga equilibrar um bocadinho mais o mercado”, concluiu.

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