Domingo, Março 15, 2026
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Second Serve: a plataforma que está a dar uma “segunda vida” ao mobiliário hoteleiro

Num momento em que a sustentabilidade e a eficiência de recursos se tornam prioridades na hotelaria, surge em Portugal uma plataforma que quer redefinir a forma como o setor gere o mobiliário usado. A missão da Second Serve é “dar uma segunda vida” a móveis e equipamentos que, muitas vezes, permanecem armazenados após renovações ou mudanças de conceito, disse ao TNews o fundador, Roberto Geallad.

Fundada em abril de 2025, a Second Serve nasceu com o propósito de “tornar a economia circular uma prática natural na hotelaria”, procurando “transformar os custos em receita e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto ambiental do setor”. Para o fundador, a missão da empresa é clara: “dar uma segunda vida ao que ainda tem valor”.

Após mais de uma década de experiência no setor hoteleiro, incluindo quatro anos como procurement manager de um grupo com 18 hotéis em Portugal, Roberto Geallad percebeu um padrão que viria a dar origem ao projeto. “A dinâmica constante do setor — marcada por aberturas, renovações e redefinições de conceito — criava um desafio evidente: mobiliário praticamente novo, mas sem utilização, acumulado em armazéns”, conta o responsável. “A cada cinco a sete anos, às vezes menos, milhares de peças em bom estado — desde mobiliário e iluminação a têxteis e equipamentos — são descartadas”.

Se, por um lado, hotéis e restaurantes têm “peças em ótimo estado sem destino”, do outro, novos projetos estão “constantemente à procura de mobiliário acessível e de qualidade”, sublinha.

Segundo o fundador, essa constatação revelou “uma oportunidade clara para resolver um problema concreto: o desperdício de uns era uma oportunidade de negócio para outros”. Foi a partir dessa ideia que decidiu avançar com a criação da Second Serve, em parceria com dois business angels.

Desde então, a empresa tem vindo a colaborar com “alguns dos principais grupos hoteleiros a operar em Portugal”, incluindo o Pestana, Vila Galé, Iberostar, Discovery Hotel Management, Details Hospitality, Tivoli e o Estoril Living. No final de outubro, a Second Serve lançou a sua “primeira grande operação” – o primeiro garage sale – com o Onyria Quinta da Marinha.

Roberto Geallad revela ainda que há mais novidades no horizonte: “até ao final do ano, temos previsto lançar mais um garage sale de um hotel icónico de Lisboa”.

Modelo de negócio baseado em comissão

A Second Serve opera como um marketplace especializado em hotelaria, gerindo todo o processo de compra e venda de mobiliário e equipamentos hoteleiros em segunda mão. “A venda é exclusiva a profissionais — só hotéis e restaurantes podem vender — mas todos podem comprar”, indica Roberto Geallad. Na plataforma é possível encontrar “praticamente tudo o que compõe um hotel ou restaurante: mobiliário de quartos, zonas comuns, esplanadas, iluminação, decoração e equipamentos de apoio à restauração”.

Geallad detalha que “cerca de 80% do negócio é B2B”. A maioria dos compradores “são profissionais do setor, como hotéis de três e quatro estrelas, alojamentos locais e designers de interiores”, enquanto “os restantes 20% são particulares”.

O modelo de negócio assenta num sistema de comissão sobre as vendas, o que, segundo o fundador, “permite alinhar totalmente o sucesso da Second Serve com o dos nossos parceiros hoteleiros”.

Os benefícios para os hotéis que vendem através da plataforma são, segundo Geallad, “claros e imediatos”. Em termos financeiros e logísticos, “os hotéis transformam um custo — o armazenamento e a gestão do mobiliário usado — numa nova fonte de receita”, refere. Já a nível ambiental, as unidades “reduzem o desperdício, promovem a circularidade e incentivam a reutilização de peças em excelente estado, prolongando o seu ciclo de vida e reduzindo o impacto do setor”.

A qualidade dos produtos é garantida através de um processo rigoroso de verificação. “Antes de publicar os artigos na plataforma, confirmamos todas as informações com os hotéis para garantir que a descrição, o estado e a origem das peças estão corretos e completos”, explica Geallad. “A nossa equipa de transportes tem um papel fundamental neste processo: durante a recolha, verifica novamente o estado real das peças e, caso algum artigo não esteja em condições de ser vendido, informa de imediato a equipa responsável”.

Em operações de maior dimensão, como grandes renovações hoteleiras, a Second Serve também disponibiliza serviços de fotografia profissional, “que ajudam a valorizar os artigos e a apresentar o mobiliário de forma mais apelativa e rigorosa”.

Próximos passos: consolidação em Portugal e expansão na Europa

Com cerca de seis meses de operação, a Second Serve está agora focada em consolidar a presença no mercado português. “É um negócio novo, e isso implica testar, ajustar e melhorar continuamente o modelo”, afirma. “Nos próximos meses queremos reforçar as parcerias com grupos hoteleiros e organizar vários garage sales, ou seja, operações de renovação total em que todo o mobiliário de um hotel ganha uma nova vida através da plataforma”.

No entanto, a longo prazo, o objetivo passa pela expansão internacional. “Temos a ambição de expandir para outros países na Europa”, adianta Roberto Geallad.

O fundador acredita que o futuro do setor hoteleiro passa inevitavelmente pela economia circular. “Acreditamos que a reutilização e a revenda vão tornar-se parte natural da operação hoteleira. À medida que as empresas integram metas ambientais e procuram maior eficiência, a gestão circular de recursos deixará de ser exceção para se tornar prática comum”, defende.

“Estamos convictos de que nos próximos anos, veremos o setor hoteleiro a incorporar a revenda e a reutilização de equipamentos nas suas políticas de sustentabilidade e procurement. A Second Serve quer estar na linha da frente dessa transformação”, conclui Geallad.

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