Quarta-feira, Abril 22, 2026
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Sesimbra Oceanfront Hotel quer “trazer o luxo à região” como “primeiro e único hotel de cinco estrelas”

Em entrevista ao TNews, Rita Ferreira, que em julho assumiu o cargo de diretora-geral do Sesimbra Oceanfront Hotel, aborda a transição da unidade de quatro para cinco estrelas em 2024, um processo contínuo que tem elevado as expectativas dos hóspedes e aumentado o preço médio. Integrado no grupo Highgate, o “primeiro e único hotel de cinco estrelas de Sesimbra” resulta da remodelação e rebranding do antigo Sesimbra Hotel & Spa, após um investimento de um milhão de euros, e tem como missão central “trazer o luxo à região”, com enfoque no potencial turístico da vila.

Assumiu em julho o cargo de diretora-geral do Sesimbra Oceanfront Hotel. O que significa este novo desafio profissional? 

A nível pessoal, significa continuar o percurso. Sou uma pessoa muito focada e que tem a ambição de aprender, especialmente com as novas tecnologias a entrar agora no turismo, com toda a transformação digital e o próprio AI nas nossas ferramentas de trabalho. Quando surgiu a oportunidade de abraçar este desafio, para mim foi o reconhecimento de 15 anos de hotelaria, de um caminho profissional a crescer.

Quais são os valores e prioridades que vão orientar a sua liderança da unidade hoteleira?

Sou uma pessoa de pessoas. Portanto, ter a minha equipa motivada, com o seu espírito de continuar a melhorar o hotel, tem que ser o foco principal porque trabalhamos de pessoas para pessoas.

Somos o primeiro e único hotel de cinco estrelas na região de Sesimbra, por isso temos a bandeira de trazer o luxo à região de Sesimbra. O foco vai ser também manter o posicionamento do hotel enquanto cinco estrelas e continuar a desenvolver as equipas.

Sesimbra Oceanfront Hotel

Sendo o primeiro hotel de cinco estrelas em Sesimbra, qual é a estratégia para consolidar o posicionamento da unidade no mercado?

Associámos-nos à Preferred. A Highgate é uma empresa americana e, portanto, faria sentido ter uma marca que desse algum reconhecimento e confiança ao mercado americano para se juntar a nós e para crescer connosco. Portanto, a Preferred foi a primeira ação que tomámos. 

Claro que, fazendo parte da Highgate, temos uma série de estratégias de grupo que são implementadas num todo, incluindo toda a comunicação que é feita dos pacotes e das transformações do hotel. Tudo isso faz com que depois venha o reconhecimento do cliente. 

Quais têm sido — ou quais espera que sejam — os principais desafios à frente deste projeto hoteleiro, nomeadamente com a transição para um cinco estrelas?

São os desafios de um hotel de cinco estrelas, [que surgem] com o passar de quatro a cinco estrelas de um dia para o outro, que foi o que aconteceu no ano passado. O hotel tem 19 anos e, portanto, é a expectativa do cliente não ser defraudada; é o cliente sentir que existiu exatamente uma diferença quando houve a passagem de quatro para cinco estrelas — esse é o maior desafio. 

O desafio também é posicionar o hotel como cinco estrelas, incluindo, por exemplo, o aumento do ADR: se calhar não precisamos de uma taxa de ocupação tão alta, mas sim de um preço mais alto para podermos garantir a qualidade de serviço.

O desafio será sempre esse, e a própria equipa continua a ter formação para o serviço. O serviço sempre foi de referência, mesmo em anos anteriores, sendo um quatro estrelas. Tenho a oportunidade de falar com clientes repetidos que continuam a vir e que mencionam isso mesmo. Sempre foi personalizado e muito próximo dos clientes; agora é o detalhe de cinco estrelas que já foi trabalhado e que é necessário ser trabalhado todos os dias um bocadinho.

“Somos o primeiro E ÚNICO hotel de cinco estrelas de Sesimbra, por isso temos a bandeira de trazer o luxo à região”

Desempenho turístico e novo perfil de hóspedes orientado para luxo

Como correu o primeiro semestre do ano em termos de crescimento da taxa de ocupação, estada média e preço médio, em comparação com 2024?

Os primeiros seis meses do ano foram muito positivos. Junho foi engraçado, porque foi o mês em que crescemos mais em preço médio e menos em ocupação, portanto, teve uma rentabilidade maior.

No primeiro semestre, estamos com um crescimento de 6% na ocupação e de 12% em ADR, portanto, está a correr bastante bem. Temos uma ocupação de 73% [nos primeiros seis meses de 2025] e, em comparação com o ano passado, estamos acima de 12%.

A estadia média é de 3,3, e isso foi uma das alterações que sentimos. Ainda não temos o mês de agosto, que é um mês com muitos clientes portugueses, em que a estadia média por si é maior. No entanto, sentimos que, nos seis primeiros meses do ano, temos uma estadia média mais pequena do que costumamos ter nos anos anteriores.

Até ao momento, como está a correr o verão na unidade, face ao ano anterior?

Em julho, a ocupação cresceu 15% e o preço médio 6%. Em agosto, estamos até agora com mais 9% de ocupação, e também mais 6% de preço médio. Agosto está a correr muito bem e está, neste momento, com quase 75% de ocupação, por isso ainda há uma margem para crescer.

Quais são as perspetivas para o ano de 2025 nestes indicadores?

Ao ano, o ADR vai crescer 12%, havendo algum MICE no final do ano que ainda não está finalizado, mas andará à volta disso. A nível de ocupação, vamos manter [o crescimento de] 6-7%. A estratégia passa por aumentar o preço médio para trazer alguma rentabilidade. 

Com base nessa projeção, considera que 2025 será um ano de crescimento ou de consolidação como um hotel de cinco estrelas?

É um ano de consolidação e de posicionamento do hotel como cinco estrelas, mas ainda é um ano de crescimento. Penso que 2026 será o pleno das duas coisas.

Passar de quatro a cinco estrelas leva tempo. O cliente também tem que ter abertura para receber um hotel de cinco estrelas e perceber que agora é um hotel [de luxo]. Por um lado, sentimos que alguns clientes que vinham regularmente passar o seu verão a Sesimbra deixaram de aparecer. A passagem para cinco estrelas e o aumento de preço tiveram aí algum impacto.

Por outro lado, abriu o negócio para outros mercados. Por exemplo, o mercado americano, comparativamente ao ano passado, subiu 76%, o que é algo que nos interessa porque, por norma, são clientes que têm um poder de compra maior.

Portanto, sente que há uma transição no próprio perfil de hóspedes?

Sim. No mês de julho, o mercado português, por exemplo, baixou 17% comparativamente ao ano passado. O mercado português continua a ser o nosso melhor cliente, mas está a perder o bolo todo que tinha, e estamos agora com a abertura a outros mercados.

E, neste momento, quais são os principais mercados internacionais?

Depois de Portugal, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha. Neste momento, a aposta é exatamente o mercado americano. Temos a nossa equipa de sales em algumas feiras nos Estados Unidos e a estratégia vai passar por aí.

Quais são os principais segmentos em que o hotel está a apostar para 2025?

Temos o mercado de luxo, sem dúvida. Os clientes que a Preferred nos traz também são interessantes, são clientes fidelizados e regulares, sendo que também apostámos em algumas campanhas com eles.

Depois temos famílias — especialmente no verão há muita procura no contexto nacional — e o golfe na época baixa. Este é um mercado que, devido à proximidade de alguns campos de golfe na região, é interessante e há procura.

Também temos MICE na época baixa e continuamos a investir nesse segmento para colmatar [a sazonalidade]. Houve uma altura depois do Covid em que as pessoas começaram a fazer as reuniões via Teams e perderam o hábito de se reunirem presencialmente, mas está a ser feito um trabalho com empresas da zona de Setúbal, da zona de Azeitão, para voltar a trazê-las para a região. O nosso departamento de grupos também tem tido alguns pedidos internacionais e alguns já estão efetivados para o final deste ano e para o próximo ano.

“Sentimos que alguns clientes que vinham regularmente passar o seu verão a Sesimbra deixaram de aparecer. A passagem para cinco estrelas e o aumento de preço tiveram aí algum impacto. Por outro lado, abriu o negócio para outros mercados”

Potencial de Sesimbra e desafios

Como avalia o potencial de Sesimbra enquanto destino turístico e que papel pode o hotel desempenhar na afirmação da região?

Sesimbra tem o melhor dos dois mundos. Está a 40 minutos de Lisboa, tem uma praia belíssima e tem uma gastronomia — tanto no nosso hotel como pela vila inteira — que é muito única e muito fiel à terra de Sesimbra. Sesimbra também não é só o mar. Temos a região toda da Arrábida, temos a serra, temos os vinhos.

Conseguimos, com o Sesimbra Oceanfront, ter o luxo de cinco estrelas e proporcionar ao cliente a oportunidade de viver as experiências de uma vila piscatória. Sesimbra acaba por estar isolada e, como costumo dizer, estamos aqui um bocadinho numa ilha. Só vem a Sesimbra quem quer mesmo vir a Sesimbra. O cliente que nos procura tem uma coisa única: ter os pescadores a chegar à lota de manhã e ter o grelhador à porta de casa — tudo isso é uma experiência única que [o hóspede] consegue ter quando visita Sesimbra.

Sendo o primeiro cinco estrelas da região, têm a ambição de tornar Sesimbra o novo hotspot de turismo de luxo em Portugal?

Não entro para perder, entro para ganhar, portanto, sim. Sinto que o hotel tem um potencial gigante. Temos 92 quartos com vista mar e temos áreas que são um estrondo em termos de vista, de serviço, de detalhe. Portanto, claro que sim.

“Conseguimos, com o Sesimbra Oceanfront, ter o luxo de cinco estrelas e proporcionar ao cliente a oportunidade de viver as experiências de uma vila piscatória”

Qual é a leitura que faz da oferta hoteleira em Sesimbra? Como é a competitividade do setor nesta região?

Sesimbra tem quatro hotéis, dois deles são mais parecidos porque ficam muito perto do mar. Neste momento, diria que há procura. A vila está cheia e temos uma boa relação com todos os hoteleiros, vamos partilhando uns com os outros.

Claro que se sente que o alojamento local ganhou muito espaço nos últimos anos. Com a nossa bandeira [de luxo] em termos de hotelaria, já só conseguimos competir com nós próprios. O distanciamento do Sesimbra Oceanfront comparativamente aos outros hotéis tem a ver com o preço médio. Já não há uma comparação com o alojamento local pela parte do cliente. Portanto, não sentimos que o alojamento local é uma ameaça para nós hoje em dia, mas sei que os meus colegas sentem isso na região.

De que forma é que o Sesimbra Oceanfront Hotel tem sentido a sazonalidade nos últimos anos? Quais são as vossas apostas para combater este desafio?

A taxa de ocupação em janeiro, comparativamente ao ano passado, aumentou 16%. Apesar de eu não ter estado cá, os primeiros meses do ano, face a 2024, foram meses bons porque conseguimos ter sempre ocupações mais altas e um preço médio mais alto. 

Claro que é um trabalho que tem que ser feito e que está a ser pensado. Vamos ter algumas novidades a acontecer, que ainda não posso divulgar, mas já temos um calendário de atividades e aulas baseadas em wellness que são de critério anual. O MICE é muito relevante e temos também algum investimento [neste segmento].

Portanto, vamos ter, durante os meses de inverno, alguma necessidade de criar outras experiências e criar alguns eventos pop-up para trazer mais pessoas para o hotel.

A escassez de recursos humanos surge como um desafio global no setor do turismo e hotelaria. Na qualidade de diretora-geral, como encara esta realidade e de que forma procura colmatá-la?

Felizmente, conseguimos construir uma equipa completa para este verão. Formámos as pessoas e [os trabalhadores] têm estabilidade — e essa é uma prioridade. 

Há muitas escolas profissionais aqui à volta, em Setúbal, no Seixal, na Moita, e algumas delas têm cursos de turismo, de cozinha, de restauração e bar. Para nós é um privilégio poder receber os alunos e para eles também é um privilégio poder vir para cá estagiar. Portanto, também temos feito uma triagem para reter alguns desses estagiários de final de curso, para continuarem a sua carreira profissional connosco.

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