Setor das viagens e turismo deverá gerar quase 15 biliões de euros para a economia mundial até 2036

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O investimento global no setor das viagens e turismo ultrapassou 1 bilião de dólares (cerca de 860 mil milhões de euros) em 2025, um crescimento de 8,5% face ao ano anterior, segundo o mais recente “Economic Impact Research (EIR): Global Trends Report”, divulgado esta quarta-feira pelo World Travel & Tourism Council (WTTC). O relatório estima ainda que o setor venha a contribuir com 17,1 biliões de dólares (cerca de 14,8 biliões de euros) para a economia global até 2036, reforçando que o investimento e o apoio político continuam a ser os principais motores do crescimento da indústria.

O relatório indica que o setor contribuiu com um valor recorde de 11,6 biliões de dólares (cerca de 10 biliões de euros) para o PIB mundial em 2025, superando o desempenho da economia global. De acordo com o WTTC, estes resultados demonstram “a importância do investimento de capital contínuo para impulsionar a criação de emprego, o desenvolvimento dos destinos, a conectividade e o crescimento económico a longo prazo”.

Os dados revelam ainda que os Estados Unidos, a China, a Índia e a Arábia Saudita concentraram quase metade de todo o investimento de capital global em viagens e turismo no ano passado, com cerca de 500 mil milhões de dólares (cerca de 430 mil milhões de euros). “Cada mercado está a expandir os seus investimentos através de uma combinação de desenvolvimento de infraestruturas, políticas governamentais favoráveis ​​e crescente confiança do setor privado”, explica o WTTC, em comunicado.

Na China, o WTTC destaca a ambição de o país se afirmar como uma “potência global do turismo”, apoiada por sucessivos Planos Quinquenais, prevendo que o investimento no setor atinja os 402 mil milhões de dólares (cerca de 348 mil milhões de euros) até 2036. Já na Índia, o crescimento é sustentado pela expansão da conectividade aérea, por programas de desenvolvimento de destinos e por um ambiente favorável ao investimento.

Nos Estados Unidos, os investimentos em infraestruturas, a forte procura interna e grandes eventos internacionais, como o Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles de 2028, deverão continuar a impulsionar o setor. Na Arábia Saudita, a Visão 2030 mantém-se como “um dos programas de investimento em turismo de crescimento mais rápido do mundo”, suportado por projetos de grande escala, reformas orientadas para os investidores e compromissos de capital dos setores público e privado. 

“Em conjunto, estas quatro nações ilustram como as estratégias de investimento a longo prazo estão a reforçar a competitividade, a atrair visitantes e a criar as bases para o sucesso futuro do setor das viagens e turismo”, refere.

Citada no comunicado, Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, afirma que “a mensagem deste estudo é clara: o investimento e o crescimento caminham juntos”, acrescentando que “os destinos e as economias que assumem compromissos de longo prazo com o setor das viagens e do turismo estão hoje a posicionar-se para captar os empregos, os gastos dos visitantes e as oportunidades económicas do futuro”. 

A responsável sublinha ainda que o setor “comprovou, mais uma vez, a sua resiliência e a sua capacidade de superar o desempenho da economia em geral”, defendendo que continua a gerar retornos através da criação de emprego, do desenvolvimento de infraestruturas e da prosperidade das comunidades.

Espanha entre os casos de sucesso

O relatório identifica vários exemplos de países que estão a beneficiar de estratégias de investimento de longo prazo. Entre eles está Espanha, onde o setor representa 15,3% do PIB nacional, gera 130 mil milhões de dólares (cerca de 112 mil milhões de euros) em gastos de visitantes internacionais e sustenta um em cada sete empregos.

Segundo o WTTC, este desempenho resulta da “ação governamental contínua”, incluindo 3,4 mil milhões de euros de financiamento da União Europeia destinados à recuperação do turismo sustentável, à digitalização e às infraestruturas, bem como da implementação da Estratégia de Turismo de Espanha 2030, descrita como “um roteiro intergovernamental concebido para reforçar a competitividade do setor a longo prazo”.

O estudo destaca igualmente a Indonésia, que deverá tornar-se “um dos mercados de viagens internacionais de crescimento mais rápido do mundo” na próxima década; os Países Baixos, que deverão liderar o crescimento do investimento em turismo na Europa; e o Ruanda, apontado como uma das economias africanas com maior crescimento no turismo de lazer.

Entre os restantes exemplos figuram ainda a Alemanha, “sede do maior setor de viagens e turismo da Europa”; Malta, que registou a recuperação turística mais rápida da UE após a pandemia; Singapura, “um dos principais destinos de viagens de negócios do mundo”; e a Tailândia, que deverá apresentar um dos maiores crescimentos de gastos de visitantes no Sudeste Asiático.

Contributo pode atingir quase 15 biliões de euros até 2036 

As projeções do WTTC apontam para que o setor das viagens e turismo contribua com 17,1 biliões de dólares (cerca de 14,8 biliões de euros) para a economia global até 2036 e sustente quase 89 milhões de empregos adicionais.

Neste contexto, a organização defende que “os governos têm uma oportunidade significativa de aproveitar o ímpeto do setor através de políticas que facilitem as viagens, apoiem a confiança empresarial e priorizem o setor das viagens e turismo como um motor económico estratégico”.

“Combinadas com o desenvolvimento contínuo das infraestruturas, estas medidas podem ajudar os destinos a atrair mais visitantes, a expandir as oportunidades de emprego e a gerar prosperidade sustentável”, defende.

Apesar da incerteza geopolítica e dos desafios económicos, o relatório conclui que a perspetiva de longo prazo “continua excecionalmente forte”, sustentada pelo aumento da procura, pelo crescente reconhecimento do turismo como motor económico e pela aceleração do investimento nos principais mercados. 

“Com a procura em constante crescimento, os governos a reconhecerem cada vez mais o setor como um motor económico estratégico e o investimento a acelerar em mercados-chave, o WTTC acredita que a próxima década apresenta uma oportunidade significativa para criar emprego e fortalecer as economias através do setor das viagens e turismo”, conclui.

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