Quarta-feira, Novembro 30, 2022
Quarta-feira, Novembro 30, 2022

SIGA-NOS:

Socialistas e AHRESP contra criação de taxa turística municipal em Coimbra

A concelhia do PS de Coimbra criticou no domingo a intenção do presidente da Câmara local de criar de uma Taxa Municipal de Turismo “num momento em que o setor turístico está a lutar” pela sua recuperação.

Em comunicado de imprensa, a concelhia do PS de Coimbra e os vereadores socialistas no executivo “rejeitam a pretensão” do presidente do município, José Manuel Silva, de criação desta taxa, “num momento em que o setor turístico está a lutar para recuperar de uma longa pandemia e num contexto de guerra na Europa cujos efeitos a médio e longo prazo todos desconhecemos na íntegra”.

O PS sublinha que não tem qualquer objeção de fundo relativamente às Taxas Municipais de Turismo, mas entende que “a procura turística em Coimbra não atingiu ainda números ou situações pós-pandemia que justifiquem esta decisão”.

Alegam ainda que o momento atual “deve ser de apoio às empresas e às atividades económicas e não o de criação de taxas que podem pôr em perigo a atratividade e a competitividade de Coimbra no mercado regional e nacional”.

A Câmara de Coimbra vai analisar na segunda-feira uma proposta para avançar já em 2023, com uma Taxa Turística Municipal. Na reunião do executivo, será votada uma proposta de abertura de um procedimento com vista à elaboração do regulamento da Taxa Municipal Turística. “O objetivo é amenizar o impacto social e ambiental deixado por quem visita a cidade”, justificou a autarquia, que assume o objetivo de taxar as dormidas no concelho já em 2023.

Os socialistas argumentam que no pico da procura turística, em 2019, Coimbra registou 709.504 dormidas e em 2020, já em pandemia da covid-19, “esse número baixou drasticamente para 253.373 e, em 2021, fixou-se em 336.864 dormidas”.

No comunicado, o PS salienta que os dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, em alguns meses de 2022, a procura tem atingido, a nível nacional, valores próximos dos registados antes da pandemia, mas não se verifica ainda uma tendência estável.

“Não há, portanto, uma presença turística excessiva na cidade [Coimbra]. Pelo contrário, todas as entidades e instituições ligadas ao setor têm trabalhado, ao longo dos últimos anos, para aumentar esses números”, sustentam. O PS considera, por isso, que o contexto atual “é tudo menos propício à criação desta taxa” e defende que “o setor turístico precisa de incentivos à atividade”.

“Não precisa de medidas municipais desesperadas que possam contribuir para a escolha de outros destinos em detrimento de Coimbra”, concluem.

Já os vereadores socialistas, preocupados com os reais efeitos desta pretensão de José Manuel Silva, os vereadores do PS reuniram, na sexta-feira, com a Direção da Delegação de Coimbra da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) “que não foi formalmente auscultada pelo município”. A AHRESP mostrou-se contra a implementação desta medida, afirmando estar “verdadeiramente preocupada com os efeitos diretos na hotelaria e com os impactos indiretos na restauração e no comércio da cidade”, salientaram.

Na sexta-feira, a autarquia local liderada por José Manuel Silva (eleito pela Coligação Juntos Somos Coimbra PSD/CDS/NC/PPM/ALIANÇA/RIR/VOLT), explicou à agência Lusa que a Taxa Turística Municipal visa “assegurar que tal objetivo seja prosseguido sem comprometer a competitividade do concelho no contexto da região, do país e mesmo a nível internacional”.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img