A tecnologia pode servir como uma ferramenta para automatizar e acelerar processos, mas o lado humano é sempre necessário na tomada de decisões de como usá-la, aplicá-la e implementá-la. Esta foi a principal conclusão do painel “O impacto da Tecnologia nos RH em Turismo”, que trouxe à discussão reflexões sobre a possível desumanização na gestão de recursos humanos devido à tecnologia.
Na primeira edição do Talent Connect, organizada pela Bolsa de Empregabilidade, os oradores João Santos, Luís Brites e Miguel Regedor abordaram os principais desafios e oportunidades na adoção da tecnologia no setor do turismo.
Miguel Regedor, Founder & CEO da Wellbeing Warrior, considera que a tecnologia é uma ótima ferramenta para facilitar e automatizar os processos de trabalho dentro de uma empresa. “Na Wellbeing Warrior utilizamos a tecnologia para criar ligações dentro da empresa e facilitar o trabalho em equipa.”
Por sua vez, Luís Brites, CEO da Clever Hospitality Analytics, recordou tempos antigos e de que forma a tecnologia ajudou a empresa a melhorar o seu dia-a-dia. “Antigamente, víamos as pessoas como ‘escravas do Excel’, que passavam o dia agarradas a esta plataforma a tentar compilar dados, organizá-los e transformá-los em insights úteis para a nossa atividade. De seguida, as pessoas ainda tinham de ter energia e motivação para tirar dali excelentes decisões para o negócio, que, no fundo, é aquilo que se pretende. A tecnologia veio humanizar este processo, tirando esta carga repetitiva de cima das pessoas, para que elas abram as suas aplicações e os seus postos de trabalho e estar lá tudo.”
Questionado sobre quem da empresa está mais atento e sedento às mudanças tecnológicas, Luís Brites disse “todos”. “Com toda a sinceridade, todos. Às vezes há questões geracionais, mas noto que agora as administrações estão mais preocupadas com a qualidade dos dados que alimentam as ferramentas dos seus colaboradores.”
O CEO da Clever Hospitality Analytics acredita que as administrações querem que os colaboradores tenham as ferramentas certas para que haja uma melhor qualidade de trabalho e para que não haja uma “desculpa”.
Na sua intervenção, João Santos, CEO & Founding Partner da Merytu, disse que “esta democratização das oportunidades, que está por base da nossa tecnologia, demonstra que a humanização ou a desumanização desta ferramenta está nos valores de quem a usa”.
“Ou seja, a tecnologia, enquanto poder, é um amplificador dos valores de quem a usa. Ao decidirmos que a tecnologia iria dar o mérito aos protagonistas do setor, estamos afincadamente a tentar que estes valores sejam dela, mas muitas vezes há uma tentativa que os algoritmos acabem por tomar uma preponderância e isso é um risco enorme que temos de aprender a lidar. E, aqui, é importante termos em mente os limites deontológicos que defendemos e sermos coerentes na aplicação desta tecnologia”, concluiu João Santos.
A 1ª edição da Talent Connect reuniu 180 profissionais na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, que passaram uma tarde a explorar temas relevantes e atuais sobre o setor.






