A Savearth desenvolveu um dispositivo com inteligência artificial que permite aos hotéis reduzir significativamente o consumo de água e de energia associado aos duches. Em entrevista ao TNews, Pedro Valentim Ramos, Chief Commercial Officer, indica que a solução já apresenta reduções médias de cerca de 46% no consumo de água e encontra-se em fase de implementação em várias unidades nacionais e internacionais.
De acordo com a empresa, os duches representam até 35% dos custos totais de utilities de um hotel, num contexto em que um hóspede consome, em média, cerca de 120 litros de água por duche, quatro vezes mais do que o valor recomendado. A ausência de monitorização detalhada tem sido, segundo a Savearth, um dos principais obstáculos à gestão eficiente destes consumos.
A tecnologia desenvolvida pela empresa consiste num dispositivo plug-and-play, acionado por som, que é instalado diretamente na parede do duche, sem necessidade de obras, ferramentas ou alterações na canalização. A instalação demora menos de um minuto por quarto. O sistema monitoriza o consumo de água e energia em tempo real e apresenta essa informação ao hóspede durante o banho, incentivando, de forma voluntária, duches mais curtos e eficientes.
Segundo Pedro Valentim Ramos, a média global atualmente observada aponta para “cerca de 46% de redução no consumo de água nos duches, com um ROI médio na ordem dos 2,4x”. O responsável explica que “o melhor resultado que atingimos até hoje” foi uma poupança de 60%, registada no piloto realizado no hotel Porto Santa Maria, do grupo PortoBay, na Madeira, resultado de “uma combinação muito forte de envolvimento dos hóspedes”.
Os dados divulgados baseiam-se em quatro pilotos realizados em hotéis portugueses, com um registo acumulado de mais de 800 duches monitorizados. Entre os exemplos apresentados, o PortoBay Santa Maria, no Funchal, registou uma redução de 85 litros para 32 litros por duche; o Palácio do Governador, em Lisboa, passou de 109 para 56 litros; e o PortoBay Flores, no Porto, reduziu o consumo de 84 para 45 litros por duche.
Até ao momento, a solução da Savearth foi implementada em cinco hotéis. Segundo Pedro Valentim Ramos, este volume de testes permitiu “validar o impacto da solução em diferentes contextos operacionais e perfis de hóspedes” e afinar tanto a tecnologia como a experiência do utilizador. Concluída esta fase, a empresa avançou para a produção do primeiro lote de dispositivos com design melhorado, prevendo novas implementações “já na segunda quinzena de fevereiro”.

Além da monitorização em tempo real, a plataforma inclui um dashboard de analytics para os hotéis, com indicadores de consumo, métricas ESG e previsões, bem como um assistente via WhatsApp para gestores, que fornece dados instantâneos, alertas e identificação de anomalias. A empresa disponibiliza ainda um sistema de recompensas para os hóspedes que optam por “eco-showers”, permitindo aos hotéis oferecer incentivos como descontos em F&B ou SPA, o que, segundo o responsável, pode promover o cross selling e contribuir para um aumento do spending médio.
De acordo a Savearth, cerca de 70% dos hóspedes acabam por aderir aos “eco-showers”. Pedro Valentim Ramos refere que muitos hóspedes indicam que “nunca tinham pensado no consumo de água durante o banho” e que a simples visualização da informação em tempo real os leva a mudar de comportamento “de forma natural”, sem impacto negativo na experiência. “Muitos veem a iniciativa como algo inovador, simples e alinhado com uma forma mais consciente de viajar”, acrescenta.
A integração da solução no dia a dia das operações hoteleiras foi, segundo a empresa, uma prioridade desde o início. O responsável assegura que fora o carregamento do dispositivo, normalmente uma vez por mês, “não há manutenção, não há processos adicionais e não há impacto no trabalho diário das equipas”.
A Savearth destaca ainda o impacto económico direto para os hotéis: um hotel de 100 quartos pode poupar cerca de 42.000 euros por ano, um de 200 quartos cerca de 84.000 euros e um de 300 quartos aproximadamente 126.000 euros. Segundo Pedro Valentim Ramos, trata-se de uma solução “win-win”, com impacto direto na redução dos custos operacionais e no posicionamento inovador e ESG das unidades hoteleiras.
A empresa indica que a tecnologia já está a ser testada ou implementada por vários grupos hoteleiros, entre os quais PortoBay, Highgate, Vila Galé, Minor Hotels, NOBU Hotels, Numa e Four Seasons Fairways.




