Tivoli Kopke: O “primeiro hotel que nasce da conversão de uma cave” inaugura após investimento de 50M€

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O Tivoli Kopke Porto Gaia foi oficialmente inaugurado esta quinta-feira, 29 de maio, após a abertura das portas em fevereiro. Localizado no coração de Vila Nova de Gaia, o hotel nasce da reabilitação das antigas caves da Kopke — a casa de vinho do Porto “mais antiga do mundo”, fundada em 1638 — e representa um investimento de 50 milhões de euros.

Francisco Viana Brito, diretor do Tivoli Kopke, explicou à imprensa que o hotel assinala o regresso da marca Tivoli à região Norte. A unidade hoteleira é fruto de uma “parceria estratégica”, assente num acordo de gestão, entre a Tivoli e o Kopke Group, anteriormente conhecido como Sogevinus, que detém outras marcas de vinho como a Calém, a Burmester, a Velhotes e a Barros.

“A propriedade é da Kopke, que é líder no setor de vinhos, mas de hotelaria não tem tantos conhecimentos e arranjou um parceiro [com esse know-how]. Felizmente, optou pela Tivoli, com 92 anos de história e com uma Portugalidade na marca muito vincada”, disse o diretor do hotel. “Foi um blend perfeito, utilizando a linguagem vínica, porque não deixa de ser um legado muito forte da Kopke com um legado muito forte da Tivoli, para transmitir uma experiência mais autêntica”.

Aberto desde 1 de fevereiro deste ano, o Tivoli Kopke é “o primeiro hotel que nasce da conversão de uma cave”, de acordo com Francisco Viana Brito. O edifício, onde se situavam igualmente os escritórios da marca vínica, foi alvo de um projeto de reabilitação de 50 milhões de euros, cujas obras tiveram início em 2021.

“Diria que mais de 70% do hotel foi reabilitado, mas esta pode não ser a percentagem mais certa. Só fizemos crescer uma ponta de um edifício que nos foi permitido ampliar. É uma extensão do edifício antigo, e fizemos um central, onde é a receção e o lobby de um dos restaurantes. Esse núcleo central foi um edifício que foi criado para unir os vários edifícios que existiam neste terreno”, indicou.

Apesar da reconversão em hotel, as caves da Kopke continuam em funcionamento, armazenando atualmente 2,5 milhões de litros de vinho em pipas. “Embora as caves estejam praticamente no coração do hotel, elas estão devidamente isoladas e têm uma atividade própria”, disse Francisco Viana Brito, acrescentando que existe uma ala do empreendimento, localizada nos corredores dos quartos do terceiro piso, onde há “umas janelas viradas para o interior das caves, em que os clientes deliram porque veem tudo a acontecer”.

O Tivoli Kopke não é a estreia do grupo vínico no mercado hoteleiro. Em 2022, o Kopke Group abriu portas do The Vine House, uma unidade de 11 quartos na Quinta de São Luís, e conta ainda com outras quintas situadas no Douro. Desta forma, o diretor do hotel apontou que “conseguimos criar sinergias e, se o cliente quiser ir ao Vale do Douro num transfer privado para visitar as nossas quintas, verificar onde a videira é plantada, onde a uva é colhida e onde o vinho é produzido, é uma coisa diferenciadora”.

Ocupação no primeiro trimestre acima das expectativas

Francisco Viana Brito fez um balanço positivo dos primeiros meses de operação do Tivoli Kopke. Fevereiro, o mês de abertura da unidade hoteleira, teve um desempenho “muito acima do esperado”, segundo o diretor. “Tivemos a felicidade de captar um negócio B2B, com [clientes] acreditaram que o hotel ia abrir em fevereiro, o que catapultou os resultados do mês para algo que não estávamos à espera”, referiu. 

Já março “não foi tão bom, ainda que tenha sido “dentro do esperado”, enquanto abril esteve “em linha” com as expectativas. Em particular, defendeu, a Páscoa “não beneficiou a cidade do Porto”, algo que é “consensual entre os parceiros”, que consideram que este período festivo “não foi nada do que se estava à espera”.

Com perspetivas otimistas para os próximos meses, o diretor do hotel espera que “setembro e outubro sejam meses muito bons, e agosto também”. Além disto, “maio, tendencialmente na cidade do Porto, é bom. No caso de um hotel que abriu em fevereiro, ainda não será este mês de maio que vai ser bom, mas para o ano certamente que será um dos melhores meses”.

MICE e lazer são principais apostas

Sobre os principais segmentos de mercado, Francisco Viana Brito mencionou o lazer, “sem sombra de dúvida”. Para o diretor, “as pessoas que conseguem estar no hotel e parece que estão afastadas de todo o ruído. Se quiserem ‘confusão’ é só descer o hotel e vão para a Ribeira de Gaia”, disse, referindo ainda que há “muita exposição solar” como fator atrativo.

Outro foco estratégico passa pelos “wine enthusiasts altamente conhecedores de vinho”, um segmento que considera ser “cada vez mais relevante”. 

Ainda assim, “acima de tudo o que vamos ter aqui e o que já sentimos é muito lazer e muitos eventos sociais e corporativos a acontecer nas nossas salas, com as valências das caves”, adiantou o responsável.

Neste sentido, o segmento MICE é uma das principais apostas da unidade hoteleira, com infraestruturas preparadas para receber convidados, nomeadamente uma sala de 500 metros quadrados com capacidade para 400 pessoas e que pode ser dividida em três, juntamente com três salas com ecrã com capacidade máxima para 150 pessoas. Há ainda a possibilidade de realizar eventos numa sala que antecede as caves, assim como nas próprias caves e noutros espaços do empreendimento.

“Este hotel é muito vocacionado para eventos sociais. Temos 20 mil metros quadrados, com 10 mil metros quadrados de jardim. Temos as caves no coração do hotel com experiências únicas e autênticas que, para qualquer estrangeiro ou nacional, são extremamente cativantes. Fazer um jantar no meio das pipas não é para qualquer um, mas já o temos feito para 250-300 pessoas e a aceitação tem sido fantástica”, revelou.

Francisco Viana Brito referiu ainda que as caves do Kopke Group na Ribeira de Gaia funcionam também como “venues para eventos sociais, mas também como um ponto de visita para os hóspedes”.

Mercado ibérico em destaque

Em relação aos principais mercados emissores, Francisco Viana Brito avançou que o Top 3 é composto por Espanha, Estados Unidos e Brasil. Além disto, destacou a “procura fora do normal e acima do esperado” no que diz respeito ao mercado português. “Não esperávamos tanto pelos preços que praticamos, mas estamos a ter uma boa aceitação”, acrescentou.

Adiantou que o hotel se encontra numa “fase inicial, em que ainda não temos contratos de touroperação assinados”, considerando que “se calhar no próximo ano será diferente o comportamento do mercado, mas temos certamente mais força no mercado de proximidade, que é o nacional e o espanhol”.

Já o americano está “a crescer a todos os níveis”, ainda que seja um tipo de viajante que “viaja muito também ainda com a touroperação tradicional, e ainda estamos a fazer o nosso caminho da contratação”.

“Fazemos parte, neste momento, dos Fine Hotels + Resorts, que é uma lista de hotéis valorizados pela American Express. Temos toda a rede Virtuoso, que estamos a namorar porque é uma relação que se vai construindo. A touroperação que nos interessa realmente é essa; é estar em tudo o que é os mercados de luxo”, disse o responsável.

Quanto ao preço médio por noite, a nível anual, “400 euros é aquilo que queremos alcançar”, disse. Recentemente, o Tivoli Kopke tem recebido “estadias mais de negócios do que propriamente de lazer, até porque fomos fustigados pelo mau tempo”.

“Eu trabalhava nos hotéis NH do Porto, que fazem parte do mesmo grupo [Minor Hotels], e é certo que tínhamos muito mais lazer do que mercado de eventos, mas tínhamos uma estadia média de 2,3; portanto, duas a três noites”, referiu a título de exemplo. “Por termos uma componente mais de um resort urbano [no Tivoli Kopke], se calhar até podemos ter pessoas que fiquem mais tempo”.

Neste contexto, Francisco Viana Brito sublinhou que, entre as comodidades mais atrativas, estão “um spa mais convidativo e uma piscina exterior aquecida”, bem como “tratamentos inspirados em vinoterapia, cinco salas de tratamentos e uma vitality pool“.

A oferta de alojamento pode ser dividida em quatro tipologias: os quartos Deluxe Riverview, os quartos Premium, as Junior Suites e as Suites. “Em algumas dessas tipologias temos umas que têm terraço, outras têm varanda, outras têm terraço e relvado”, acrescentou.

Oferta gastronómica

A oferta gastronómica do Tivoli Kopke está nas mãos do chef Nacho Manzano, que tem um restaurante com três estrelas Michelin e um restaurante com uma estrela, segundo Francisco Viana Brito.

O hotel conta com dois restaurantes — o Boa Vista e o 1638 — e três bares. Em particular, “o restaurante 1638 faz homenagem à data de criação da Kopke como marca, que é a marca mais antiga de vinho do Porto do mundo. O 1638 é um restaurante gastronómico com 11 momentos inspirados nas vivências do chef”, explicou o diretor, indicando que a intenção de Nacho Manzano é alterar a carta de dois em dois meses.

“Mais do que concorrência, vemos uma cooperação possível”

No que toca às principais unidades concorrentes do Tivoli Kopke, em Vila Nova de Gaia, Francisco Viana Brito considera que a colaboração é chave.

“Mais do que concorrência, vemos uma cooperação possível; não só com o The Yeatman, mas com o Forte de Gaia, com o Hilton, com o Rebello. Conseguimos ter aqui um cluster de 5 estrelas para atrair grandes eventos, porque temos uma capacidade de alojamento muito grande e uma qualidade muito semelhante, com tudo praticamente a walking distance“, sublinhou.

Olhando para o futuro do destino, o responsável afirmou que “a procura do Porto está em crescimento, senão também não havia tantos projetos em pipeline”. Para Francisco Viana Brito, “esta aposta em hotéis de 4 e 5 estrelas que estão a nascer e a aposta neste lado de Gaia tem sido muito bem recebida por parte dos turistas, porque têm as melhores vistas da cidade e rapidamente estão na zona histórica do Grande Porto”.

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