Tour operação da Ávoris cresce 12% em Portugal, apesar de “enormes limitações” para obter slots em Lisboa

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A tour operação da Ávoris Corporación Empresarial cresceu mais de 12% no mercado português este ano, mas enfrenta “enormes limitações” na obtenção de slots no aeroporto de Lisboa. À margem da fam trip a Cayo Santa María e Trinidad, promovida pela Travelplan, Javier Castillo, diretor-geral da Ávoris em Portugal, admite ainda a possibilidade de “oferecer mais capacidade” para o destino cubano no próximo ano.

Javier Castillo falava numa conferência de imprensa realizada durante a fam trip da Travelplan, operador turístico da Ávoris, a Cayo Santa María e Trinidad, em Cuba. A iniciativa, que decorre de 16 a 24 de setembro, leva ao destino mais de 400 agentes de viagens de Portugal e Espanha, no âmbito da VII Bolsa de Turismo Destinos Gaviota.

Grupo de agentes de viagens a acompanhar fam trip da Travelplan.

Balanço do ano e crescimento em Portugal

“O nossos números estão acima dos dois dígitos na tour operação. Uma parte significativa deste crescimento deve-se às operações iniciais que realizámos em abril. Também crescemos em novos destinos de médio curso, não apenas no segmento de longo curso, porque estamos limitados a sete dias de operação. Penso que o nosso crescimento em Portugal está acima dos 12% em comparação com o ano passado”, começou por adiantar Javier Castillo.

Entre os destinos mais vendidos no mercado português, o diretor-geral da Ávoris Portugal destaca o segmento de longo curso “devido à vasta oferta e à elevada competitividade destes destinos”, onde a relação qualidade-preço continua a ser um fator determinante.

“Ao voar uma ligação local/nacional para a Madeira ou para os Açores, os preços são um pouco proibitivos. Voar para as ilhas espanholas também não é muito favorável”, explicou o responsável, sublinhando que “é mais barato Cayo Santa María do que uma semana em Menorca, na Madeira ou Ponta Delgada”.

Neste sentido, os destinos preferidos dos portugueses “são aqueles com qualidade elevada, como o México, Punta Cana e Cuba”.

“Embora possa ser difícil de acreditar, nenhuma operação nas Caraíbas, se a considerarmos individualmente, é muito rentável”

Cayo Santa María: potencial e desafios

Cayo Santa María integra há dois anos a programação sazonal da Travelplan, com um voo direto semanal à terça-feira a partir de Lisboa, operado pela Iberojet, companhia aérea da Ávoris. Para Castillo, é “um destino mais moderno”, visto que “os hotéis são mais recentes e há até [unidades] que estão a abrir este ano”, nomeadamente em comparação com Varadero. Este último destino, que “tem vindo a ser comercializado há anos”, dispõe de “hotéis e serviços [que], por serem mais antigos, são um pouco mais utilizados e possivelmente não tão modernos”.

“É certo que existe um complemento cultural e de circuitos, que é a proximidade que temos com Santa Clara ou Trinidad”, que torna Cayo Santa María “um destino muito complementar para férias, tanto em família, na praia ou culturais”.

No balanço, Javier Castillo revelou que “a ocupação nos últimos dois anos tem sido excelente”, mas admite a necessidade de “otimizar o preço”. “Estamos a vender a um preço muito baixo e acreditamos que este destino merece que o cliente pague o que custa”, disse, acrescentando que “é uma questão de oferta e procura”.

Cuba mantém-se como um dos destinos estratégicos para a Ávoris, embora o responsável reconheça que há “muitos problemas e limitações” que afetam a perceção do cliente. “O problema é que a comunicação e a informação mediática que chega ao consumidor final, tanto em Espanha como em Portugal, são negativas”, disse, referindo-se à imagem “de que é um país com carências quer na energia quer nos serviços, até mesmo no abastecimento alimentar, o que em algumas ocasiões acredito que não seja totalmente correto”.

Este ano, a operação de Cayo Santa María arrancou mais cedo, na Páscoa, mas os primeiros meses foram exigentes. “Temos de admitir que os meses de abril e maio foram difíceis. As taxas de ocupação não foram más, mas com muito sacrifício de preços. Não cobrimos os custos operacionais”, adiantou.

“A capacidade da aeronave é inteiramente nossa e pagamos pelo avião todo; fazemos todos os possíveis para o encher, e por vezes isso baseia-se nos preços. Tem sido uma operação relativamente satisfatória em termos de ocupação, mas não tem sido tão satisfatória em termos de receitas”, acrescentou Castillo.

O diretor-geral sublinhou ainda que este caso não é uma exceção: “não lucrámos com quase nenhum dos destinos para onde voamos. Esse é o problema. Embora possa ser difícil de acreditar, nenhuma operação nas Caraíbas, se a considerarmos individualmente, é muito rentável”.

A Travelplan já concluiu a operação de Cayo Santa María em 2025, e “praticamente 80% dos produtos mais populares em Portugal” terminarão em outubro ou nos próximos meses, “porque a sazonalidade do mercado português assim o exige”.

“Se tivéssemos procura para continuar os voos, continuaríamos com o destino de Cayo Santa María. Infelizmente, em Portugal, tal como noutros países, a sazonalidade e o pico de procura são altamente concentrados. A partir de meados de outubro, a procura por parte dos clientes cai, infelizmente, porque a nossa estrutura mantém-se a mesma”, indicou.

Para o próximo ano, Javier Castillo avançou que “a única coisa que podemos mudar — e é algo que estamos a considerar — é, quando a procura de Portugal estiver no pico, podermos oferecer mais capacidade para este destino”. A Ávoris continuará, neste sentido, a “investir” e procurará “manter os voos a partir de abril”.

Cayo Santa María: “Tem sido uma operação relativamente satisfatória em termos de ocupação, mas não tem sido tão satisfatória em termos de receita”

Falta de slots limita lançamento de novos destinos

Em particular, a escassez de slots no aeroporto de Lisboa surge como um entrave à introdução de novos voos operados pela Iberojet. “Temos enormes limitações em relação à situação dos slots no aeroporto de Lisboa, pelo que não se trata do que queremos fazer, mas sim do que podemos fazer — e, infelizmente, não é muito. É tremendamente complicado conseguir um slot em Lisboa”, alertou Javier Castillo.

“Podemos pensar em muitos destinos novos, mas o problema é a ANA dar-nos autorização. O crescimento é muito limitado pela capacidade de slots que podemos ter no aeroporto de Lisboa”, sublinhou.

O responsável admite que há margem para crescer, mas apenas em períodos de menor procura. “Se conseguirmos manter o que temos e crescer na época baixa, onde a facilidade de conseguir um slot é um pouco menos complicada — não estou a dizer que é mais fácil, mas é menos complicado — isso dar-nos-á a oportunidade de crescer”, acrescentou.

Isso, contudo, implicaria mudar a mentalidade dos viajantes de Portugal. “Gostava que pudéssemos mudar a tendência e ter passageiros portugueses a viajar em janeiro com a mesma disponibilidade de agosto, mas infelizmente essa não é uma decisão nossa”, lamentou Castillo.

Nos últimos dois anos, a Ávoris tentou lançar o destino Maurícias a partir de Lisboa, mas sem sucesso, mantendo invés a operação através de Madrid. “Temos sete dias por semana; o nosso avião voa todos os dias da semana para um destino. Para voar para as Maurícias, teríamos de deixar de voar para um destino onde operamos hoje. E, nos destinos que operamos atualmente, temos taxas de ocupação muito elevadas”, explicou.

“Se o mercado português prefere continuar a voar para Punta Cana, e se voamos três vezes por semana e não podemos voar uma para as Maurícias, assim terá de ser. Continuaremos a insistir [em destinos alternativos] até que o mercado nos apoie”, garantiu.

Quanto à parceria estratégica com a Soltour, que permite a cedência de lugares para o operador em destinos caribenhos, o responsável referiu que, “enquanto a nossa relação for cordial e pudermos colaborar para participar num tipo de produto que seja compatível connosco, veremos como podemos colaborar”.

“Temos enormes limitações em relação à situação dos slots no aeroporto de Lisboa, pelo que não se trata do que queremos fazer, mas sim do que podemos fazer — e, infelizmente, não é muito”

Nortravel: “Estamos a recuperar alguns destinos no Mediterrâneo, como Chipre e Malta”

A Nortravel, operador turístico do grupo Ávoris, atravessa um momento de redefinição estratégica. Javier Castillo reconhece que a marca esteve “fortemente alavancada em dois destinos domésticos, Madeira e Açores”, mas que ambos “evoluíram drasticamente” com a entrada das companhias aéreas de baixo custo e dos bed banks.

“O valor acrescentado que acreditamos que um operador turístico pode trazer para a Madeira é muito importante, mas o cliente não o perceciona como tal. O mesmo aconteceu em Espanha com as Ilhas Baleares e Canárias. Quando implementámos o programa em 2019, penso que transportámos cerca de 200.000 passageiros para as Canárias e Baleares, e hoje estamos com metade disso”, disse.

“O que mudou foram os hábitos de compra dos clientes. Temos um cliente que não compra através de uma agência de gestão de produto. Isto penalizou uma área significativa para a Nortravel”, explicou Castillo.

Também a especialização em circuitos turísticos e produtos de médio curso é outro desafio, pois são áreas que “estão a sofrer em Portugal”, segundo o responsável. “Portugal é um país com um número limitado de passageiros, uma sazonalidade muito grande e uma oferta muito vasta, dependendo do tipo de produto”, salientou.

Apesar dos desafios, a Ávoris mantém a aposta na marca Nortravel, que é “extremamente importante para o mercado português”. “Estamos a recuperar alguns destinos no Mediterrâneo, como Chipre e Malta, a cada ano que vem”, avançou.

Catai: uma marca por explorar em Portugal

Outro ponto abordado pelo responsável foi a dificuldade em consolidar o operador turístico Catai no mercado português. “É uma empresa líder em Espanha no transporte de longo curso. Deixa-me triste que estejamos a perder uma oportunidade tão importante como o prestígio e a reputação da marca Catai, e que em Portugal não consigamos atrair o cliente, nem B2B nem B2C”, disse Castillo.

Para os próximos anos, há intenção de reverter esta tendência. “Espero que, em 2025 e 2026, o nosso objetivo seja tentar dar a volta à Catai. É um problema nosso, é um problema de comunicação, é possivelmente um problema de adaptação ao mercado, e é uma questão pendente que temos porque a qualidade dos serviços da Catai é indiscutível”.

*Viajou para Cuba a convite da Travelplan

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