O tráfego de passageiros nos aeroportos europeus registou em abril a primeira quebra homóloga desde o início da recuperação pós-pandemia, em abril de 2021. De acordo com os dados divulgados pela ACI EUROPE, associação que representa os aeroportos europeus, o número de passageiros caiu 0,7% face ao mesmo mês de 2025.
A organização considera que este resultado marca um ponto de viragem para o setor da aviação na Europa, após vários anos de crescimento sustentado. Entre os fatores que explicam esta evolução estão o conflito no Médio Oriente, a deslocação parcial do período da Páscoa para março e as greves que afetaram fortemente o mercado alemão.
Apesar da quebra global, o mercado da União Europeia e países associados (UE+) continuou a crescer, registando um aumento de 0,6%, enquanto os aeroportos da União Europeia avançaram 1,4%. Em contrapartida, os aeroportos fora da UE+ registaram uma queda de 7,6%.
Espanha e Itália lideram crescimento entre os grandes mercados
Entre os principais mercados europeus, os aeroportos espanhóis voltaram a destacar-se com um crescimento de 3,7%, seguidos pelos italianos, que aumentaram 2,2%.
Já a Alemanha registou uma das maiores quedas do continente, com uma descida de 8,5%, fortemente penalizada por sete dias de greve durante o mês. O Reino Unido (-2,1%) e a França (-0,9%) também registaram resultados negativos.
Nos mercados não pertencentes à UE+, Israel sofreu a quebra mais expressiva, com uma redução de 73,4% no tráfego de passageiros, refletindo o impacto da situação geopolítica no Médio Oriente. Também a Turquia (-5,1%), Geórgia (-16,3%) e Azerbaijão (-12,9%) sentiram os efeitos da instabilidade regional.
Em sentido contrário, alguns mercados de menor dimensão continuaram a crescer a dois dígitos, como a Macedónia do Norte (+30,6%), Albânia (+25,3%) e Moldávia (+24,6%).
Barcelona, Madrid e Schiphol resistem à desaceleração
Entre os maiores aeroportos europeus, Barcelona (+4,1%), Madrid (+3,3%) e Amesterdão Schiphol (+2,7%) foram os únicos a registar crescimento em abril.
Já Munique (-16,4%) e Frankfurt (-11%) sofreram as maiores quedas, refletindo o impacto das greves na Alemanha.
Londres Gatwick (-8,8%), Londres Heathrow (-5,3%) e os aeroportos de Istambul também registaram descidas, enquanto Paris Charles de Gaulle manteve-se estável e Roma Fiumicino recuou apenas 0,6%.
Aeroportos médios e pequenos mostram maior resiliência
Os aeroportos de média dimensão cresceram 2,1% em abril e os pequenos aeroportos avançaram 5,5%, beneficiando da forte procura por viagens intraeuropeias e da manutenção da capacidade pelas companhias low cost.
Segundo a ACI EUROPE, os grandes aeroportos foram os mais expostos ao impacto do conflito no Médio Oriente, devido à sua forte dependência das ligações de longo curso.
Ainda assim, os aeroportos de menor dimensão continuam longe dos níveis pré-pandemia, apresentando um tráfego 27,7% inferior ao registado em 2019.
ACI EUROPE alerta para problemas nas fronteiras Schengen
O diretor-geral da ACI EUROPE, Olivier Jankovec, considera que a principal preocupação do setor não está atualmente na procura, mas sim nos constrangimentos operacionais provocados pelo Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia.
“O tráfego aéreo europeu está a entrar numa fase de normalização, mas as perturbações associadas aos controlos fronteiriços representam um risco crescente. Sem maior flexibilidade na aplicação do sistema, incluindo a possibilidade de suspensão quando operacionalmente necessário, as dificuldades para passageiros, aeroportos e companhias aéreas poderão tornar-se insustentáveis”, alertou.
O responsável considera ainda que a situação está a prejudicar a imagem da Europa como destino turístico.




