O tráfego de passageiros nos aeroportos europeus aumentou 4,6% em janeiro de 2026 face ao mesmo mês do ano passado, mas o recente conflito no Médio Oriente está a lançar incerteza sobre a evolução do setor nos próximos meses, alertou a ACI Europe.
Segundo dados partilhados pela associação esta quinta-feira, os aeroportos localizados em mercados fora da UE+ registaram um crescimento mais expressivo, de 8,8% em termos homólogos, enquanto os aeroportos da UE+ apresentaram uma subida de 3,6%.
A organização refere que o aumento continua a ser impulsionado sobretudo pelo tráfego internacional, que cresceu 5,5%. Já o tráfego doméstico registou uma subida mais moderada, de 1,8%, mantendo-se ainda 8,1% abaixo dos níveis pré-pandemia de 2019.
O diretor-geral da ACI Europe, Olivier Jankovec, afirma que janeiro costuma oferecer “a primeira indicação do desempenho do tráfego para o ano”. Segundo o responsável, os dados agora divulgados seriam normalmente interpretados como um sinal de procura resiliente e de perspetivas positivas para os próximos meses.
Contudo, Jankovec alerta que o conflito que eclodiu recentemente no Médio Oriente está a introduzir incerteza nas previsões. “O conflito que irrompeu na semana passada no Médio Oriente está a alterar as previsões de tráfego, tornando o panorama altamente incerto neste momento”, afirma.
O responsável acrescenta que a região tem vindo a ganhar um peso significativo na conectividade da aviação europeia nas últimas duas décadas. “O Médio Oriente, e em particular o Golfo, tornou-se uma parte importante da conectividade e dos volumes de tráfego para muitos aeroportos europeus”, refere, explicando que a relevância não se limita às ligações diretas. Segundo Jankovec, a região funciona também como ponto de ligação para rotas entre a Europa e a Ásia-Pacífico, o que significa que parte desse tráfego “simplesmente não é substituível”.
Desempenho desigual entre mercados
Tal como tem acontecido nos últimos anos, o relatório revela diferenças significativas entre mercados nacionais e entre aeroportos individuais. A ACI Europe explica que estas variações refletem fatores como a força da procura de lazer, a introdução de taxas sobre a aviação, fatores geopolíticos e também pressões competitivas associadas ao maior poder de mercado das companhias aéreas.
No mercado da UE+, os maiores crescimentos de tráfego foram registados em aeroportos da Eslováquia (+98%), Eslovénia (+20,8%), Malta (+17,2%), Irlanda (+13,8%), Chéquia (+13,5%), Chipre (+13,3%), Bulgária (+12,6%) e Polónia (+11,8%).
Em sentido oposto, os aeroportos dos Países Baixos registaram uma queda de 7,3% devido a condições meteorológicas adversas, enquanto os da Islândia (-4,3%) e da Letónia (-3,2%) foram afetados por cortes de capacidade das companhias aéreas.
Entre os maiores mercados da UE+, Itália apresentou o melhor desempenho, com um aumento de 4,1% no tráfego de passageiros. Seguiram-se Alemanha (+3,5%), Espanha (+2,6%), França (+2,1%) e Reino Unido (+2%).
Nos mercados fora da UE+, os maiores crescimentos verificaram-se na Moldávia (+35,4%), Macedónia do Norte (+31%), Israel (+24,4%), Uzbequistão (+23,9%), Geórgia (+16%), Arménia (+10,3%) e Turquia (+9,4%).
Istambul lidera tráfego na Europa
No ranking dos aeroportos europeus mais movimentados em janeiro, o aeroporto de Istambul registou um crescimento de 6,4% e ultrapassou o aeroporto de Londres Heathrow, tornando-se o mais movimentado do continente no primeiro mês do ano. O aeroporto turco recebeu 6,9 milhões de passageiros, face aos 6,5 milhões registados em Heathrow.
Madrid ocupou a terceira posição após crescer 3,5%, ultrapassando Paris Charles de Gaulle, que registou uma subida de 0,7%. Amesterdão apresentou uma quebra de 9,1%, refletindo o impacto das condições meteorológicas severas no início do mês.
Apesar de permanecer fora do top cinco, Frankfurt destacou-se com um crescimento de 4,9%, enquanto o aeroporto de Istambul Sabiha Gökçen registou a melhor performance entre os grandes aeroportos, com uma subida de 14,3%.
O relatório indica ainda que os aeroportos de menor dimensão, com menos de um milhão de passageiros anuais, registaram o crescimento mais elevado em janeiro, com uma subida de 12,7% face ao mesmo mês de 2025. Apesar disso, continuam a ser o segmento mais distante da recuperação total face a 2019, apresentando ainda um défice de 28,7% em relação aos níveis pré-pandemia. Apenas 49% destes aeroportos conseguiram recuperar totalmente o tráfego registado antes da covid-19.



