A Travelife reforçou a presença em Portugal através da criação de uma coordenação nacional para apoiar agências de viagens e operadores turísticos. O anúncio foi feito esta quinta-feira, 11 de setembro, pelo Country Manager Paulo Brehm e pelas auditoras Rita Montez e Paula Machado.
O responsável explicou à imprensa que esta estrutura garantirá “maior proximidade, autonomia e capacidade de resposta local”. “Portanto, constituímos um centro de operações específico em Portugal e para Portugal, que nos permite adaptar certos critérios à nossa realidade, com a ambição de certificar todas as agências de viagens.”
“As certificações de sustentabilidade são feitas através do preenchimento de um conjunto de critérios pedidos às empresas. Além de os critérios europeus serem mais ou menos transversais, há especificidades que têm a ver com a legislação de cada país. E, com esta estrutura, temos agora autonomia para os alterar.”
A Travelife, segundo o responsável, já estava presente em Portugal, mas não com uma estrutura. “A grande diferença, neste momento, é termos esta coordenação no país, que nos permite ter uma presença mais eficaz.”
A Travelife nasceu há mais de 15 anos nos Países Baixos. Nos dias de hoje está presente em todos os continentes e, de acordo com o coordenador português, é uma das certificações “mais utilizadas” a nível europeu. A empresa surgiu graças a uma parceria entre os operadores internacionais TUI, Kuoni Travel, Thomas Cook e a ONG holandesa Travel Sustainability Certifications Alliance (TSCA).
Travelife: agências e operadores
Por sua vez, coube a Paula Machado revelar números concretos. A Travelife conta atualmente com 15 mil agências de viagens e operadores turísticos espalhados por 139 países. Já em Portugal conta com mais de uma centena e meia de agências e operadores registados na plataforma e mais de 60 com o selo Travelife.
“É importante referir que tivemos por detrás de projetos de grande dimensão, como o Sustour, um projeto desenvolvido em parceria com a Confederação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticos e outras associações nacionais, nomeadamente a APAVT”, ressaltou.
Este projeto, acrescentou, apoiou mais de 600 empresas a integrar a sustentabilidade nas suas operações, sendo que o objetivo inicial era apenas 450. Em Portugal, estiveram envolvidos 60 operadores e agências.
Além disso, assinaram recentemente um acordo com o Governo da Tailândia para integrar o clube de trabalho, que tem como objetivo o desenvolvimento de uma estratégia sustentável até 2030.
Ainda na apresentação, Rita Montez deu a conhecer os operadores turísticos portugueses com o selo Travelife. Destacam-se a Lusanova, a Solférias, a Soltrópico, a Egotravel, a Exótico, o Clube Viajar e a Pinto Lopes. No que respeita às agências, Rita Montez identificou a OASIStravel, a OSIRIS e a Optima Tours. No segmento corporate, destacam-se a Atlântida, a Alive, a Cosmos e a Wide Travel, enquanto no Incoming estão presentes a Portimar, a PMA Travel e a Compass.
“Gostava de sublinhar que, quando operadores e agências de viagens partilham a mesma certificação, o processo acaba por se tornar mais fácil. Mas isto não significa que uma agência com outra certificação possa ter acesso automático a este processo. O importante é que o setor avance e que as certificações sejam sérias e reconhecidas.”
“A Travelife é acessível para pequenas empresas”
No seu discurso, Paulo Brehm assegurou que a Travelife “é acessível para pequenas agências”. O valor para uma certificação é 300 euros por ano, o que equivale a 25 euros por mês. “Queremos um setor mais sustentável, não andamos atrás de lucro. Portanto, esses 300 euros permitem que a estrutura funcione. A Travelife assenta numa plataforma cada vez mais user-friendly – e é para isso que serve o dinheiro.”
A Travelife está, neste momento, a dialogar com vários agrupamentos e organizações. Um deles é o contacto com o Turismo de Portugal, desde março deste ano. “Iniciámos um diálogo com o Turismo de Portugal para podermos explorar formas de cooperação com o Programa Turismo 360º.”
Para aderir à Travelife é necessário passar por três fases. A primeira designa-se como “Engaged” e dá acesso à plataforma e à academia de formação. As empresas, por sua vez, têm que indicar um coordenador de sustentabilidade que terá de fazer um curso obrigatório. Há depois um segundo nível, “Partner”, que já permite o uso do logotipo correspondente e a constar de uma lista pública no site da organização. Por fim, o último nível será o “Certified”, com a utilização do logotipo correspondente. A renovação é feita de dois em dois anos, com as empresas a serem monitorizadas para garantir que “o compromisso com a sustentabilidade é contínuo”.



