O turismo português está a entrar num “novo ciclo”, com a ambição de contribuir para o desenvolvimento do país e para a melhoria da qualidade de vida das comunidades. A ideia foi defendida esta quinta-feira por Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, na abertura do 22.º Congresso da ADHP, em Elvas.
“O nosso propósito não é apenas fazer crescer o setor do turismo; é sempre fazer crescer cada vez mais Portugal”, sublinhou Carlos Abade, acrescentando que o objetivo é garantir que, “através do setor do turismo, Portugal possa ser um país cada vez melhor”.
Para o responsável, o peso do turismo na economia e nas atividades associadas justifica uma nova fase estratégica. “O setor, com esta responsabilidade e com um impacto tão marcante em tantas atividades económicas, encontra hoje um novo ciclo”, afirmou. “O propósito é claro: ajudar Portugal a crescer cada vez mais, ajudar Portugal a ser um país cada vez mais coeso, onde as pessoas vivem cada vez melhor”.
Este novo ciclo assenta, segundo o presidente do Turismo de Portugal, num modelo de crescimento “mais reforçado”, mas também mais equilibrado. A estratégia passa por preparar o setor para “crescer com mais equilíbrio e impacto na economia, no país e nas pessoas”.
Entre os principais desafios identificados está a necessidade de uma gestão mais inteligente do setor. Carlos Abade destacou que “uma exigência cada vez maior é a inteligência que colocamos na gestão dos nossos territórios, na gestão das nossas equipas e na gestão dos nossos equipamentos”.
Essa inteligência, acrescentou, deverá resultar de um maior investimento no conhecimento e na tecnologia, nomeadamente na inteligência artificial, mas também do “reforço dos laços de cooperação”. Nesse campo, salientou que “um dos segredos deste setor tem sido a cooperação estratégica forte e existente entre entidades públicas e privadas”.
A gestão do território surge também como prioridade, num contexto em que “a questão das infraestruturas, da qualificação do território, da mobilidade e da resiliência dos territórios” assume um peso crescente.
Outro dos pontos centrais passa pela “gestão da relação entre o turismo e as comunidades”, afirmou, defendendo que este compromisso “deve ser particularmente assertivo e tem de estar sempre na nossa agenda”.
A gestão de equipas é igualmente considerada crítica para o futuro do setor. Carlos Abade realçou a importância da “captação e gestão do talento”, sublinhando que sem esse fator “o turismo não teria condições para evoluir”.
Do lado da procura, o foco está na personalização da experiência e na diversificação de mercados. O presidente do Turismo de Portugal destacou a importância da “gestão do cliente” e da expansão internacional, referindo o projeto de reforço das equipas do Turismo de Portugal no estrangeiro e a aposta na melhoria da conectividade aérea.
Por fim, Carlos Abade deixou ainda um apelo à qualidade das chefias no setor, apontando para “uma exigência cada vez maior ao nível das lideranças”, consideradas essenciais para orientar o turismo português nesta nova fase de crescimento.



