Turkish Airlines cresce 18% em Portugal e vê “potencial” para reforçar operação

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A Turkish Airlines transportou mais de 485 mil passageiros em Portugal em 2025, um crescimento de cerca de 18% face ao ano anterior, acompanhado por uma subida de 17% das receitas. Em entrevista ao TNews, Hikmet Mesut Türkseven, vice-presidente de vendas para o Sul da Europa da companhia aérea, afirma que existe margem para continuar a crescer no mercado português, embora os constrangimentos aeroportuários em Lisboa e os atrasos nas entregas de aeronaves condicionem novos aumentos de capacidade.

Portugal manteve um “forte desempenho” para a Turkish Airlines em 2025. A companhia transportou mais de 485 mil passageiros nas operações portuguesas, contra mais de 410 mil no ano anterior, e terminou o exercício com uma taxa de ocupação superior a 85%. O crescimento foi particularmente expressivo na Classe Executiva, onde o número de passageiros aumentou aproximadamente 27%.

Lisboa concentrou cerca de 62% do tráfego da companhia em Portugal, beneficiando do aumento da operação para três frequências diárias em junho de 2025. A Turkish Airlines assinalou nesse ano duas datas importantes no mercado nacional: 20 anos de operação em Lisboa e dez no Porto. A rota do Porto, que começou em 2015 com quatro voos semanais, chegou entretanto às 14 frequências semanais em 2025.

“Portugal é um mercado relativamente compacto, mas competitivo, dentro da nossa rede do Sul da Europa”, afirma Hikmet Mesut Türkseven, destacando a combinação entre a procura ponto a ponto para a Turquia e “um volume significativo de tráfego de ligação através de Istambul”. Os resultados alcançados em 2025, acrescenta, demonstram “a força dessa procura subjacente por parte dos viajantes portugueses”.

A companhia admite, por isso, continuar a reforçar a operação. “Continuamos a ver potencial para desenvolver o mercado”, garante o responsável, ressalvando que qualquer capacidade adicional terá de ser sustentada pela procura e avaliada em função da disponibilidade de aeronaves, viabilidade económica e capacidade aeroportuária. Neste último ponto, “as limitações aeroportuárias, particularmente em Lisboa, continuam a ser uma consideração importante”, assim como os atrasos nas entregas de novos aviões.

A estratégia da Turkish Airlines passa, aliás, por atribuir progressivamente maior peso ao reforço das frequências em mercados onde já está presente, em paralelo com a abertura seletiva de novos destinos. “Portugal enquadra-se bem nessa abordagem”, afirma Türkseven. No verão de 2026, a programação da companhia inclui aproximadamente mais 3% de frequências semanais do que no período homólogo, sobretudo através de capacidade adicional na Ásia e no Extremo Oriente.

Ásia ganha peso entre os passageiros portugueses

É precisamente a conectividade proporcionada pelo hub de Istambul que assume um papel central no posicionamento da Turkish Airlines no mercado português e os dados da companhia revelam algumas tendências menos óbvias sobre os destinos procurados.

Excluindo Istambul, Catmandu (Nepal) e Daca (Bangladesh) estão entre os maiores mercados asiáticos da Turkish Airlines a partir de Portugal em volume de passageiros, num tráfego que combina lazer, viagens profissionais e visitas a familiares e amigos.

No segmento de lazer, a Tailândia e a Indonésia mantêm uma procura forte, enquanto a Coreia do Sul, a China e o Japão têm vindo a ganhar relevância. A companhia regista ainda crescimentos significativos em mercados como Daca (Bangladesh), Catmandu (Nepal), Banguecoque (Tailândia), Islamabad (Paquistão) e Lahore (Paquistão), uma evolução que, segundo Türkseven, mostra que “a procura está a diversificar-se cada vez mais entre o Sul, Sudeste e Nordeste Asiático”.

Ao mesmo tempo, o comportamento dos passageiros está a mudar. Segundo o responsável, os clientes estão “a tornar-se mais seletivos”, procurando maior flexibilidade, experiências digitais personalizadas e mais opções premium, sobretudo no longo curso. Os padrões de reserva tornaram-se também “mais dinâmicos”, obrigando a companhia a responder mais rapidamente às alterações da procura.

É também neste contexto que a Turkish Airlines prepara alterações ao produto. Entre as prioridades está a nova Crystal Business Class Suite e a introdução da Premium Economy a partir de 2028, numa resposta à procura crescente por diferentes níveis de produto nas viagens de longo curso. A companhia está igualmente a investir em inteligência artificial e outras ferramentas digitais para personalizar diferentes etapas da viagem.

As agências de viagens continuam, por sua vez, a ocupar um lugar relevante na distribuição da Turkish Airlines em Portugal. Embora não revele a proporção entre vendas diretas e trade, Türkseven afirma que as agências são “uma parte essencial do nosso ecossistema de distribuição”, sobretudo nos itinerários mais complexos, no segmento corporativo e nas viagens que exigem acompanhamento personalizado.

A companhia pretende conciliar esse canal com o crescimento das vendas digitais, NDC e outras soluções tecnológicas. “Vemos estes canais como diferentes componentes do mesmo ecossistema de distribuição”, explica, garantindo que as agências “continuarão a ser parceiros estratégicos da Turkish Airlines em Portugal”.

Hikmet Mesut Türkseven, vice-presidente de vendas para o Sul da Europa da Turkish Airlines

Instabilidade no Médio Oriente leva companhia a deslocar capacidade

A instabilidade geopolítica é outro dos temas que está a marcar a operação da Turkish Airlines. As perturbações no Médio Oriente obrigaram a companhia a lidar com restrições de espaço aéreo, alterações de rotas, maior consumo de combustível e mudanças na procura.

Em vez de manter aeronaves subutilizadas nas operações afetadas, a transportadora transferiu capacidade para mercados com melhor desempenho, acrescentando 18 frequências semanais no Extremo Oriente, 15 na Ásia e 13 em África. “A principal lição é a importância de manter uma rede diversificada e uma organização capaz de redistribuir rapidamente a capacidade”, explica Türkseven.

No caso específico de Portugal, a companhia continuou a observar crescimento da procura por ligações através de Istambul durante este período. “Não caracterizaria isto simplesmente como uma transferência de passageiros dos hubs do Golfo para Istambul”, afirma, salientando que são vários os fatores considerados pelos viajantes na escolha do itinerário. O que a companhia identifica é uma manutenção da força do tráfego de ligação, com os passageiros em transferência a crescerem aproximadamente 5% no conjunto da rede durante o primeiro semestre deste ano.

A estratégia de longo prazo também não é alterada perante cada episódio de instabilidade. “O que muda é a forma como executamos essa estratégia a curto prazo”, explica Türkseven. Segurança, disponibilidade do espaço aéreo e restrições regulamentares são os primeiros fatores analisados, seguindo-se as condições operacionais e, só depois, elementos comerciais como procura, receitas esperadas e importância de determinada rota para a rede.

Apesar da incerteza geopolítica e do aumento dos custos, a Turkish Airlines mantém uma estratégia de expansão. No primeiro semestre de 2026, a frota cresceu 13,8%, para 552 aeronaves, enquanto a capacidade aumentou 5,1% e o número de passageiros avançou 5,5%, para 44,5 milhões. A taxa de ocupação subiu 2,3 pontos percentuais, para 83,7%.

Já no segundo trimestre, as receitas aumentaram 20,5%, para 7,2 mil milhões de dólares (6,1 mil milhões de euros), e a taxa de ocupação atingiu 84%, o nível mais elevado de sempre para este período.

“A nossa estratégia sempre esteve centrada no crescimento rentável”, afirma Türkseven. Para o responsável, crescer é “uma consequência da criação de procura e conectividade sustentáveis, e não um objetivo prosseguido independentemente da rentabilidade”.

Essa filosofia deverá traduzir-se numa maior seletividade na distribuição da capacidade. O reforço de mercados existentes através de novas frequências deverá representar uma fatia crescente da expansão futura, acompanhado pela entrada em novos destinos selecionados de acordo com o potencial de tráfego de ligação, carga e valor estratégico para a rede.

A pressão dos combustíveis é um dos fatores que obrigam a essa disciplina. No primeiro semestre, o custo unitário médio do combustível aumentou 46% em termos homólogos. A Turkish Airlines tem aproximadamente 40% do consumo previsto para 2026 e 50% para 2027 coberto através do seu programa de gestão de risco e está a implementar cerca de 320 milhões de dólares (cerca de 274 milhões de euros) em medidas de eficiência e otimização de custos. Segundo Türkseven, estas medidas, juntamente com o crescimento das receitas, permitiram compensar aproximadamente 90% do aumento da despesa com combustível.

SAF e renovação da frota entre os desafios da descarbonização

A expansão da frota decorre em paralelo com os objetivos ambientais da transportadora. No final de 2025, cerca de 40% dos aviões eram de nova geração, percentagem que a Turkish Airlines pretende elevar para mais de 90%. Estas aeronaves permitem, segundo a companhia, “reduzir entre 15% e 20% o consumo de combustível e as emissões face aos modelos da geração anterior”.

O combustível sustentável de aviação (SAF) é outra das componentes da estratégia. A Turkish Airlines começou a utilizá-lo em 2022, inicialmente na ligação entre Istambul e Paris, tendo posteriormente alargado a utilização a outras rotas.

Türkseven reconhece, contudo, que a utilização em maior escala continua condicionada pela oferta e pelo preço. A disponibilidade de SAF permanece limitada e os custos são “significativamente superiores” aos do combustível convencional, numa altura em que a indústria procura aumentar a produção e reduzir a diferença de preço.

A Turkish Airlines está também envolvida num projeto com a Turkish Petroleum para desenvolver uma instalação de produção de SAF na Turquia, com capacidade anual prevista de 100 mil toneladas a partir de 2029. Paralelamente, mantém uma parceria com a Universidade de Boğaziçi para desenvolver combustível sustentável a partir de microalgas.

“A transição não pode ser alcançada pelas companhias aéreas isoladamente”, defende Türkseven. Para o responsável, os constrangimentos nas cadeias de abastecimento, os atrasos nas entregas de aeronaves, a disponibilidade limitada de SAF e o investimento necessário para a transição exigem uma resposta conjunta da indústria.

A frota será, por isso, outra peça central desta estratégia. No final de julho, a Turkish Airlines operava 562 aeronaves e pretende continuar a aumentar gradualmente a frota e o número de passageiros. A chegada dos Airbus A350-1000 deverá permitir avançar com a ambição de lançar ligações diretas à Austrália e estudar outros mercados de ultralongo curso.

Para os próximos anos, a prioridade passa, assim, por conciliar expansão, renovação da frota e investimento no produto com disciplina financeira. A estratégia de rede estará “cada vez mais focada no reforço de mercados existentes estrategicamente importantes através de frequências adicionais e maior conectividade”, conclui Türkseven, mantendo simultaneamente a aposta em novos destinos selecionados.

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