Novos dados da associação Airlines for Europe (A4E) indicam que a reforma dos direitos dos passageiros da União Europeia não está alinhada com as prioridades dos consumidores. A pesquisa, realizada pela YouGov com mais de 6.000 passageiros em cinco Estados-membros, revela que os viajantes europeus preferem tarifas mais baixas e flexibilidade, em vez de benefícios obrigatórios que podem encarecer os bilhetes e causar atrasos.
Quase metade dos passageiros (48%) considera que chegar ao destino rapidamente é a prioridade máxima. No entanto, os limites de três horas para compensação por atrasos deixam pouco tempo para que as companhias aéreas reorganizem aeronaves ou tripulações, aumentando o risco de atrasos.
Segundo os dados, 75% dos passageiros apoia a manutenção dos níveis atuais de indemnização, privilegiando bilhetes mais acessíveis em vez de compensações financeiras mais elevadas.
A proposta do Parlamento Europeu de incluir uma segunda mala de mão sem custos adicionais não é consensual. Quase 47% dos passageiros prefere pagar por uma tarifa básica mais baixa com apenas uma mala incluída, adicionando custos apenas caso precisem de mais bagagem.
Além disso, 28% dos passageiros viaja apenas com uma pequena mala de mão que cabia sob o assento da frente, evidenciando que a maioria valoriza flexibilidade e preços acessíveis acima de benefícios obrigatórios.
“Não existe passe livre na reforma da UE261. Passageiros diferentes precisam de coisas diferentes, e somente eles devem decidir por quais serviços querem pagar — e não os reguladores. A lei reformada deve encontrar um equilíbrio justo entre a proteção dos passageiros, o funcionamento da aviação e a acessibilidade aos voos”, explicou Ourania Georgoutsakou, diretora executiva da A4E.
A A4E alerta ainda que a inclusão obrigatória de uma segunda bagagem de mão poderia aumentar os atrasos nos aeroportos. Se todos os passageiros levassem duas malas, cerca de 100 teriam de ser descarregadas no portão antes da partida, já que uma aeronave padrão tem cerca de 190 lugares, com apenas 90 vagas para malas grandes nos compartimentos superiores. Segundo o estudo, quando questionados, apenas 20% dos passageiros que estaria disposto a arriscar esperar mais tempo para descarregar o excesso de bagagem de mão se uma mala de mão extra estivesse incluída na tarifa básica.



