O TNews, media partner dos Hospitality Education Awards (HEA), continua a rubrica “Um HEA Depois”, desenvolvida em parceria com a Fórum Turismo, organizadora da iniciativa, para acompanhar o percurso dos vencedores da última edição e perceber o impacto do reconhecimento nos seus projetos e carreiras.
Um ano após conquistar o Hospitality Education Award na categoria de Melhor Projeto de Inovação, Vera Cunha, gestora de projetos no Turismo de Portugal e coordenadora do GERAt, projeto educativo que visa sensibilizar os alunos do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário para o potencial do turismo, faz um balanço da evolução da iniciativa. Reconhecido pela União Europeia como uma boa prática para a transição sustentável, resiliente e inovadora do turismo europeu, o projeto continua a crescer e a reforçar a sua missão de aproximar turismo, educação e cidadania, promovendo uma nova geração de cidadãos mais conscientes e participativos.
Um ano depois de receber o Hospitality Education Award, o que mudou na sua vida profissional ou no projeto distinguido?
O Hospitality Education Award que recebemos enquanto Melhor Projeto de Inovação trouxe uma validação muito importante para o GERAt. Mais do que reconhecer um projeto, reconheceu uma visão que aproxima turismo, educação e cidadania. Este reconhecimento reforçou a credibilidade da iniciativa junto de escolas, professores e parceiros, criando novas oportunidades de colaboração e crescimento. Também aumentou a responsabilidade de continuar a inovar e a demonstrar impacto.
Um ano depois, o GERAt cresceu, chegou a novos níveis de ensino — no ano letivo 2025-2026 desenvolvemos um projeto-piloto com o 1.º ciclo do ensino básico — e foi reconhecido pela União Europeia como uma boa prática para a transição sustentável, resiliente e inovadora do turismo europeu.
De que forma o reconhecimento do HEA contribuiu para a visibilidade do seu trabalho junto da comunidade académica, profissional ou institucional?
O prémio ajudou-nos a levar a iniciativa a novos públicos. O GERAt passou a ser mais facilmente identificado como uma iniciativa de referência na intersecção entre turismo e educação, despertando interesse junto de escolas, entidades públicas e organizações ligadas ao setor turístico. O reconhecimento trouxe também uma maior capacidade de mobilização de parceiros e reforçou a confiança de quem já acreditava no projeto.
Mais do que visibilidade institucional, permitiu-nos afirmar uma ideia que consideramos essencial: o turismo pode ser um poderoso instrumento educativo e um espaço privilegiado para formar cidadãos mais conscientes e participativos — os Cidadãos-Turistas.
Há algum projeto, iniciativa ou objetivo novo que tenha nascido ou ganho força após esta distinção?
O reconhecimento ajudou-nos a acelerar caminhos que já estavam a ser desenhados. Reforçámos a aposta na formação acreditada de professores, desenvolvemos novos recursos pedagógicos e alargámos o projeto a diferentes níveis de ensino. Paralelamente, ganhou força a ambição de internacionalizar o GERAt, levando esta abordagem a outros contextos educativos e culturais. O objetivo não é crescer apenas em escala, mas aprofundar o impacto. Queremos continuar a demonstrar que o turismo pode ser utilizado como uma ferramenta educativa capaz de aproximar os alunos da realidade que os rodeia e dos desafios que irão enfrentar no futuro.
O setor do turismo e hospitalidade está em constante transformação. Que mudanças sente hoje no ensino e na formação destes profissionais face a um ano atrás?
Vejo uma crescente preocupação em formar profissionais mais completos. As competências técnicas continuam a ser fundamentais, mas existe uma valorização cada vez maior das competências humanas, da capacidade de adaptação, da criatividade e do pensamento crítico. Também noto uma maior atenção às questões da sustentabilidade, da autenticidade e da relação entre turismo e comunidades locais. O setor está a perceber que o sucesso futuro dependerá menos da capacidade de repetir modelos e mais da capacidade de interpretar contextos, colaborar e criar valor para os territórios e para as pessoas.
Um ano depois, o que continua a motivá-la a investir na educação, formação e inovação no turismo?
Continua a motivar-me a possibilidade de gerar mudança através da educação. É inspirador ver jovens desenvolverem novas formas de olhar para o território, professores experimentarem metodologias diferentes e escolas assumirem um papel mais ativo nas suas comunidades. Acredito profundamente que a inovação mais transformadora não acontece apenas através da tecnologia, mas através das pessoas. Quando conseguimos despertar curiosidade, sentido crítico e vontade de participar, estamos a criar condições para um turismo melhor e para uma sociedade mais preparada para enfrentar os desafios do futuro.
Na sua perspetiva, qual é hoje o maior desafio da formação turística em Portugal?
O maior desafio é acompanhar a velocidade da mudança sem perder a capacidade de formar pessoas com uma visão ampla do setor. O turismo tornou-se uma atividade cada vez mais complexa, influenciada por fatores sociais, ambientais, tecnológicos e culturais. Precisamos de preparar profissionais capazes de navegar essa complexidade, tomar decisões informadas e compreender os impactos das suas ações. Isso exige modelos de formação mais flexíveis, interdisciplinares e ligados à realidade dos territórios, aproximando a aprendizagem dos desafios concretos.
De que forma acredita que a valorização da educação e formação pode transformar o futuro do turismo?
A educação tem a capacidade de mudar a forma como entendemos o turismo. Quando investimos na formação, não estamos apenas a preparar profissionais mais competentes; estamos a promover uma visão mais consciente e equilibrada do desenvolvimento dos destinos. Pessoas mais bem preparadas tendem a tomar melhores decisões, a valorizar mais o património, a respeitar as comunidades e a procurar soluções inovadoras para os desafios do setor. O futuro do turismo dependerá cada vez mais da qualidade da educação que conseguimos proporcionar às novas gerações.
O que sente que ainda falta valorizar no ensino e na qualificação dos profissionais de turismo e hospitalidade?
Creio que ainda falta valorizar mais a dimensão humana da profissão. O turismo é, acima de tudo, um encontro entre pessoas. Competências como empatia, comunicação, capacidade de escuta e inteligência relacional deveriam ter um peso ainda maior nos percursos formativos.
Também considero importante reforçar a ligação entre aprendizagem e experiência real, criando mais oportunidades para que os alunos contactem com diferentes realidades, territórios e contextos profissionais. A técnica é indispensável, mas é a dimensão humana que frequentemente faz a diferença.
Que impacto acredita que bons professores, projetos educacionais e iniciativas de inovação têm no futuro do turismo nacional?
Têm um impacto absolutamente determinante. São os professores e os projetos inovadores que despertam vocações, estimulam a criatividade e ajudam os alunos a compreender a relevância do que aprendem. Quando conseguimos criar experiências educativas significativas, estamos a formar pessoas mais preparadas para responder aos desafios do setor e mais disponíveis para contribuir para a sua evolução. Muitos dos profissionais que irão liderar o turismo nos próximos anos estão hoje nas nossas escolas. A qualidade da sua formação terá um impacto direto na qualidade do turismo que conseguiremos construir. Aqui, a ambição do GERAt é ainda maior, uma vez que estamos a trabalhar com escolas, professores e alunos que não estão necessariamente ligados ao setor do Turismo, mas que através deste projeto se aproximam desta perspetiva dos territórios que habitam, tornando-se agentes ativos e criadores de impacto.
Que conselho daria a futuros candidatos ou profissionais que gostariam de ver o seu trabalho reconhecido nos Hospitality Education Awards?
Diria para se focarem naquilo que realmente importa: criar impacto. Os projetos mais relevantes nascem normalmente de uma vontade genuína de resolver problemas, melhorar práticas ou gerar valor para as pessoas e para as comunidades. O reconhecimento é importante, mas surge como consequência desse percurso.
E deixaria também um incentivo muito simples: candidatem-se. Muitas vezes somos os primeiros a desvalorizar o nosso trabalho. Participar já é uma forma de reconhecer o valor do caminho percorrido e de inspirar outras pessoas a fazer o mesmo.
As candidaturas para a edição de 2026 dos Hospitality Education Awards decorrem até 15 de junho.
*Em colaboração com os Hospitality Education Awards




