A Unlock Boutique Hotels está a reforçar a sua presença em Portugal com a integração de novas unidades hoteleiras, elevando a rede para 25 hotéis em 18 destinos. A expansão surge após um ano de 2025 marcado por um crescimento de 21% nas receitas e por uma evolução positiva do RevPAR. Em entrevista ao TNews, o CEO, Miguel Velez, afirma que a estratégia de crescimento continuará a ser feita de forma seletiva, com o objetivo de “liderar o segmento dos hotéis boutique em Portugal”.
As novas unidades são o Porto River Infante, no Porto, com 25 quartos, o Porto River Ribeira, também no Porto, com 24 quartos, o Pico Terramar, na ilha do Pico, nos Açores, com 32 quartos, a Herdade da Cortesia, em Avis, com 30 quartos, e o Universal Boutique Hotel, na Figueira da Foz, com 29 quartos.
Segundo Miguel Velez, esta expansão responde diretamente à procura identificada em determinados destinos e à necessidade de reforçar a oferta em mercados onde a cadeia já regista procura consolidada. “O critério era estarmos em localizações onde ainda não estávamos presentes ou onde tínhamos procura e precisávamos de mais inventário”, explicou o responsável.
Estas integrações juntam-se a outras anunciadas pela empresa na BTL, fruto de uma parceria com a Small Portugueses Hotels, nomeadamente as Casas do Côro, em Marialva (31 quartos), o Hotel Vale do Rio, em Oliveira de Azeméis (33 quartos), o Artsy Cascais, em Cascais (17 quartos), e o The RM Experience, em Setúbal (7 quartos). Além disso, a empresa integrou também o Haven Nature Villas & Spa, na Batalha (29 quartos), em dezembro de 2025.
“Isto põe-nos em 18 destinos diferentes, com 25 unidades no total”, afirmou o CEO.
Marca Essence acelera valorização de ativos
A entrada no segmento de aquisição de ativos, com a compra da Noble House Évora em 2025, é avaliada de forma positiva. “Teve um impacto muito positivo naquilo que é o crescimento da Unlock e nas contas da empresa”, disse. “Vamos analisar outras possibilidades de aquisição, nomeadamente de unidades que já estão a ser geridas pela Unlock e outras de fora do grupo. Continuamos a analisar várias ofertas nesse sentido”, revelou.
Lançada em 2025, a marca Essence surge como resposta a necessidades específicas de alguns projetos, sobretudo numa lógica de valorização mais rápida dos ativos. “Criámos a marca Essence porque era-nos pedido várias vezes para fazermos um branding dos hotéis, e fazer uma marca custa muito dinheiro e demora muito tempo”, referiu.
Segundo o CEO, esta marca, que já conta com quatro unidades, permite responder tanto a projetos de reposicionamento como a unidades sem marca consolidada, sobretudo quando existe uma lógica de investimento mais orientada para resultados. “Quando temos uma abordagem mais financeira, no sentido de valorização do ativo e resultados mais rápidos, então usamos a marca Essence”, afirmou.
“Vamos analisar outras possibilidades de aquisição, nomeadamente de unidades que já estão a ser geridas pela Unlock e outras de fora do grupo. Continuamos a analisar várias ofertas nesse sentido”
Apesar da diversidade de modelos de operação – que inclui soft brand, gestão, arrendamento e propriedade – Miguel Velez garante que o posicionamento da empresa se mantém inalterado desde a sua fundação. “Sempre nos identificámos como uma cadeia de hotéis boutique independentes”, afirmou.
O CEO destaca que a proposta de valor da Unlock Boutique Hotels assenta na criação de uma rede de unidades independentes com identidade própria, promovidas em conjunto. “A grande diferença que acrescentamos ao mercado é exatamente o facto de fazer parte de uma rede de hotéis boutique, onde promovemos todos os hotéis em conjunto”, explicou.
O responsável sublinhou ainda que a seleção das unidades continua a ser altamente criteriosa, com foco na singularidade da experiência oferecida ao cliente. “Somos muito seletivos na escolha dos hotéis. Todos aqueles que se juntam têm que trazer qualquer coisa diferente, têm que oferecer uma experiência única”, afirmou.
“Somos muito seletivos na escolha dos hotéis. Todos aqueles que se juntam têm que trazer qualquer coisa diferente, têm que oferecer uma experiência única”
Desempenho positivo em 2025 apesar de início de ano “desafiante”
Em termos operacionais, Miguel Velez descreveu 2025 como um ano exigente para o setor, marcado por um arranque mais fraco nos primeiros meses, seguido de uma recuperação significativa ao longo do ano.
“O último ano foi desafiante para o setor. Começámos com janeiro, fevereiro e março um bocadinho mais fraco e depois tivemos um rearranque a partir daí muito em força”, afirmou.
Apesar desse contexto, a empresa conseguiu recuperar o desempenho e atingir os objetivos definidos, tendo registado um crescimento de 21% nas receitas em 2025 face a 2024, assim como um crescimento no RevPar.
A operação da Unlock continua fortemente orientada para os mercados internacionais, que representam cerca de 55% da procura total. Entre os principais mercados emissores destacam-se Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Canadá, Holanda, Brasil e Suíça. Ainda assim, a empresa tem reforçado a aposta no mercado nacional, estratégia que permitiu mitigar a quebra temporária da procura internacional no início de 2026.
“Nos três primeiros meses do ano houve efetivamente uma contração do mercado internacional, mas conseguimos compensá-la com o mercado nacional, fruto do trabalho que fizemos nos últimos anos”, afirmou Diana Brito, Chief of Marketing & Sales Officer.
Já o início de 2026 mantém-se “difícil” e “desafiante”, embora a empresa identifique sinais de recuperação. “Temos um pipeline muito bom de hotéis (…) pensamos que já ultrapassámos o mau tempo”, referiu o CEO, admitindo ainda que o contexto internacional, nomeadamente a evolução da guerra, poderá influenciar a procura.
Prioridades para 2026 passam por consolidar crescimento
Após uma fase de expansão acelerada, a estratégia para 2026 passa sobretudo pela consolidação da rede e pelo reforço da eficiência operacional. O CEO explica que a prioridade será “consolidar aquele que é o crescimento que temos tido”, apostando em “trazer procura” e “criar valor para as unidades”. No segmento de soft brand, Miguel Velez acrescenta que o foco estará em gerar “mais reservas, numa altura muito desafiante”, sublinhando que muitos hotéis procuram a Unlock “à procura de uma nova oportunidade de visibilidade dos seus hotéis e um novo canal de venda”.
O CEO sublinha ainda a importância do controlo de gestão num contexto de pressão sobre custos. “Somos muito fortes em controlo de gestão. Temos as operações muito afinadas e sabemos exatamente onde estamos a investir”, disse.
“Já há muito tempo dissemos que queremos liderar o segmento dos hotéis boutique em Portugal, mas queremos fazê-lo de forma paulatina e sustentada”
A Unlock Boutique Hotels, que celebrou na semana passada uma década de atividade, mantém como objetivo estratégico liderar o segmento dos hotéis boutique no país. “Já há muito tempo dissemos que queremos liderar o segmento dos hotéis boutique em Portugal, mas queremos fazê-lo de forma paulatina e sustentada”, afirmou Miguel Velez.
Segundo o CEO, a prioridade continuará a ser a construção de uma coleção de unidades diferenciadoras e de elevada qualidade. “O cliente procura cada vez mais experiências únicas e aquilo que nós temos para oferecer é exatamente isso”, referiu.
Questionado sobre as regiões geográficas prioritárias para crescimento, o CEO identifica o Algarve como uma das apostas, após a saída das unidades que a Unlock Boutique Hotels geria em Monchique, decorrente de uma “alteração acionista”. “Neste momento não temos uma presença forte no Algarve. Temos algumas oportunidades eventualmente de vir a ter”, refere.
O Porto surge também como uma prioridade estratégica, com a empresa à procura de uma unidade de maior dimensão na cidade. Quanto a Lisboa, o responsável admite uma postura mais cautelosa, devido ao nível de saturação do mercado e às limitações operacionais do destino.
“Neste momento não temos uma presença forte no Algarve. Temos algumas oportunidades eventualmente de vir a ter”



