Quarta-feira, Março 11, 2026
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Viagens de longo curso para a Europa abrandam no verão de 2025, revela ETC

As intenções de viagem de turistas de longo curso para a Europa abrandaram para o verão de 2025, revela o mais recente Long-Haul Travel Barometer, publicado pela Comissão Europeia de Turismo (ETC) em parceria com a Eurail BV. Segundo o relatório, apenas 39% dos viajantes de mercados como os EUA, Brasil, Canadá e Japão tencionam visitar o continente entre maio e agosto deste ano, uma descida face aos 41% registados no mesmo período de 2024.

A principal barreira continua a ser o custo elevado das viagens, revela o barómetro. Quase metade dos inquiridos que não planeiam vir à Europa apontam os preços como principal entrave, um aumento de 7% face ao ano anterior. A inflação e a volatilidade cambial estão a gerar maior sensibilidade ao preço, especialmente nos EUA e no Brasil, onde mais de metade dos inquiridos mencionaram o custo como o maior obstáculo. Férias limitadas e preferência por destinos domésticos também pesam na decisão, sobretudo no Japão, Coreia do Sul e Austrália.

Em sentido oposto, a China destaca-se com um aumento expressivo no interesse por viagens à Europa. Este ano, 72% dos viajantes chineses tencionam visitar o continente, um crescimento de 10 pontos percentuais face a 2024, impulsionado pela retoma económica e por novas prioridades de consumo. A Austrália também registou um aumento, ainda que mais modesto, com 40% dos inquiridos a planear uma viagem à Europa, mais 3% do que no ano passado.

O declínio na intenção de viajar para a Europa varia entre mercados. Nos Estados Unidos, apenas 33% planeiam vir ao continente este verão (menos 7% do que em 2024), citando preocupações com os custos e com a perceção internacional do país. No Brasil, a descida é de 6%, com 45% a manifestar intenção de viajar. No Canadá, 37% dos inquiridos planeiam uma visita à Europa, representando uma quebra de 5%. O Japão regista o valor mais baixo, com apenas 13% dos entrevistados a manifestar interesse, penalizado pela desvalorização do iene e pela confiança do consumidor em níveis baixos.

Já na Coreia do Sul, a intenção mantém-se estável, com 30% a considerar uma visita, com preferência por França, Espanha e Itália.

Mudanças no perfil de viagem

O estudo destaca ainda mudanças no comportamento dos viajantes: há um crescente interesse por viagens nos meses de maio e junho (de 24% em 2024 para 34% este ano), enquanto os meses de julho e agosto continuam a ser os mais populares para 46% dos inquiridos.

Também os orçamentos estão a mudar. A percentagem de viajantes dispostos a gastar mais de 200€ por dia caiu 11%, enquanto os que pretendem gastar entre 100€ e 200€ diários subiram para 40%. A alimentação continua a ser a maior prioridade (65%), seguida de atividades turísticas e compras. Os transportes representam 41% dos orçamentos, o que indica uma forte preferência por viagens multi-destino, um dos principais atrativos do turismo europeu.

Miguel Sanz, presidente da ETC, sublinha a importância de reforçar a competitividade da Europa num contexto de confiança do consumidor em queda: “É mais importante do que nunca tornar a Europa um destino mais acessível e competitivo, promovendo experiências diversificadas, destinos menos conhecidos e viagens fora da época alta. Com uma estratégia adequada, a Europa pode continuar a oferecer um turismo de qualidade e sustentável para visitantes e residentes.”

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