Viagens dos residentes caem pela primeira vez em dois anos, enquanto deslocações ao estrangeiro crescem 10%

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Os residentes em Portugal realizaram 5,9 milhões de viagens turísticas no segundo trimestre de 2026, uma diminuição de 1,5% face ao período homólogo, que representa a primeira quebra em dois anos. A redução foi impulsionada pelas deslocações em território nacional, que recuaram 3,8%, enquanto as viagens ao estrangeiro aumentaram 10%, segundo os dados divulgados esta quarta-feira, 28 de outubro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o relatório “Procura Turística dos Residentes”, esta diminuição “interrompeu a trajetória de crescimento observada desde o 3.º trimestre de 2024” e resultou da quebra das viagens dentro do país, que totalizaram 4,8 milhões de deslocações, correspondentes a 81,8% do total.

Em sentido contrário, as viagens ao estrangeiro atingiram 1,1 milhões de deslocações, representando 18,2% do total. Apesar do crescimento de 10%, o INE assinala um abrandamento face ao primeiro trimestre de 2026, quando as deslocações internacionais tinham aumentado 30%.

A análise mensal revela que as viagens turísticas dos residentes diminuíram em abril (-3,4%) e junho (-5,0%), enquanto maio registou um crescimento de 5,5%.

Viagens de negócios crescem 11,9%

O “lazer, recreio ou férias” manteve-se como a principal motivação para viajar, com 2,9 milhões de deslocações, correspondentes a 49,9% do total. Este segmento registou uma diminuição homóloga de 1,3%.

Seguiram-se as viagens para “visita a familiares ou amigos”, que totalizaram 2,1 milhões de deslocações, representando 36,2% do total e uma quebra de 2,4% face ao segundo trimestre de 2025.

As deslocações por motivos “profissionais ou de negócios” foram, segundo o INE, “as únicas a registar um aumento”, com um crescimento de 11,9%, para 526,3 mil viagens. Este segmento representou 8,9% do total das deslocações, mais 1,1 pontos percentuais do que no período homólogo.

Nas viagens ao estrangeiro, o “lazer, recreio ou férias” foi responsável por 68,2% das deslocações, num total de 732 mil viagens. Os motivos profissionais ou de negócios surgiram como a segunda principal motivação, com 166,3 mil viagens, equivalentes a 15,5% do total.

Já nas deslocações em território nacional, o lazer representou 45,8% das viagens, seguindo-se as visitas a familiares ou amigos, com 41,4%.

A marcação antecipada de serviços turísticos continuou a ganhar expressão. Segundo o INE, 45,2% das viagens realizadas no segundo trimestre incluíram marcação prévia de serviços, mais 1,5 pontos percentuais do que no mesmo período de 2025.

Esta prática foi “bastante mais frequente nas deslocações ao estrangeiro”, abrangendo 94,7% das viagens internacionais, um aumento de 2,3 pontos percentuais. Nas viagens em território nacional, a proporção manteve-se inalterada nos 34,1%.

A utilização da internet na organização das viagens também aumentou, tendo sido utilizada em 32,3% das deslocações, mais 2,2 pontos percentuais face ao período homólogo.

Nas viagens ao estrangeiro, a utilização deste recurso atingiu 69,9%, mais 4,2 pontos percentuais do que no segundo trimestre de 2025. Já nas deslocações dentro do país, a internet foi utilizada em 23,9% dos casos, um aumento de 0,7 pontos percentuais.

Hotéis e similares concentram 34% das dormidas

O “alojamento particular gratuito” manteve-se como a principal opção de alojamento dos residentes, concentrando 53% das dormidas, num total de 10,1 milhões. Esta modalidade, que inclui segundas residências e alojamento em casa de familiares ou amigos, foi especialmente relevante nas viagens motivadas por visitas a familiares ou amigos, representando 92% das dormidas deste segmento.

Os “hotéis e similares” surgiram como a segunda principal opção, com 6,4 milhões de dormidas, correspondentes a 34% do total.

No entanto, o INE destaca que os estabelecimentos hoteleiros mantiveram a predominância nas viagens de “lazer, recreio ou férias”, concentrando 45,6% das dormidas, e nas deslocações por motivos “profissionais ou de negócios”, com 62,6%.

A duração média das viagens turísticas dos residentes fixou-se em 3,22 noites no segundo trimestre, abaixo das 3,35 noites registadas no mesmo período de 2025.

Junho apresentou a duração média mais elevada, com 3,77 noites, enquanto maio registou a mais baixa, com 2,79 noites.

O relatório revela ainda que 25,6% dos residentes em Portugal realizaram pelo menos uma viagem turística entre abril e junho, uma proporção idêntica à observada no período homólogo de 2025.

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