O tráfego de passageiros na rede aeroportuária europeia, em janeiro, ainda foi bastante afetado pelas restrições impostas pela variante Ómicron. De acordo com o último relatório da ACI Europe, os volumes de passageiros permaneceram -45,7% abaixo dos níveis pré-pandemia, em janeiro de 2019, depois de se terem deteriorado significativamente durante o mês anterior, em dezembro de 2021, caindo -39,4%.
A deterioração do tráfego de passageiros foi registada, principalmente, no mercado UE+ (que inclui os 27 países membros da União Europeia, Reino Unido e Suíça) onde caiu de -43,7% em dezembro de 2021 para -51,1% em janeiro 2022. Por outro lado, o efeito da Ómicron foi muito mais limitado no resto da Europa, onde o tráfego de passageiros caiu de -20,1% em dezembro para -23,8% em janeiro.
No mercado UE+, a queda do tráfego doméstico de passageiros foi particularmente expressiva, passando de -28,8% em dezembro para -45% em janeiro. Estes valores refletem as restrições locais, que limitaram as atividades sociais e afetaram a mobilidade interna em muitos países .
O tráfego internacional de passageiros também diminuiu consideravelmente, de -47,8% em dezembro para -52,8% em janeiro, devido à reintrodução de restrições a viagens dentro da UE, mesmo para viajantes com o quadro vacinal completo.
A diferença de desempenho no tráfego de passageiros entre os mercados nacionais da UE+ aumentou significativamente em janeiro, em parte refletindo as respostas de diferentes estados à variante Ómicron. Os melhores resultados vieram dos aeroportos localizados na Croácia (-33,3%), Espanha (-37,5%), Bulgária (-38,2%) e Portugal (-38,9%)
Pelo contrário, os aeroportos da República Checa (-64,9%), Suécia (-61,8%), Finlândia (-61,2%) e Alemanha (-60,6%) registaram os maiores decréscimos no tráfego aéreo de passageiros.
Nos maiores mercados, o tráfego teve melhor desempenho nos aeroportos da Ucrânia (-23,2%) e Turquia (-34,4%). No extremo oposto, as restrições relacionadas com a Ómicron pesaram fortemente nos aeroportos de Israel (-69,2%) e Islândia (-64,4%), enquanto os da Bielorrússia (-54,1%) continuaram a ser afetados por sanções internacionais.
Principais aeroportos
A evolução do tráfego de passageiros nos majors (top cinco aeroportos europeus) também se deteriorou em janeiro, com -48,5% face ao mês anterior, -42,3% em dezembro, e manteve-se abaixo da média europeia.
As restrições de viagem impostas pela Ómicron também alteraram ligeiramente a composição do top, com Moscovo-Sheremetyevo (-30,2%) a substituir Amsterdão-Schiphol (-50,3%) na quinta posição. Istambul (-33,5%) continua a ser o aeroporto europeu mais movimentado, seguido por Paris Charles de Gaulle (-49,3%), Madrid-Barajas (-38,7%) e Londres-Heathrow (-56,2%).
Resistência das ilhas
Tal como nos meses anteriores, a maioria dos aeroportos insulares e os que servem destinos turísticos populares foram mais resilientes, incluindo Trapani (-15,3%), Ajaccio (-15,5%), Ibiza (-16,3%) , Varna (-16,7%), Fuerteventura (- 27,7%), Tenerife Norte (-21%) e Funchal (-25,6%).
“Em janeiro, a recuperação entrou em modo reverso, devido à tentativas de muitos países europeus de conter a Ómicron, através de uma combinação de medidas locais amplamente ineficientes e restrições de viagem. O positivo é que já estamos fora dessa dinâmica. Os regimes de viagem estão finalmente a alinhar-se, permitindo que pessoas totalmente vacinadas voltem a viajar livremente dentro e fora da Europa. Exatamente quando as perspetivas positivas começaram finalmente a aparecer, a hedionda invasão da Ucrânia pela Rússia agora lança a maior das sombras sobre o setor”, disse Olivier Jankovec, diretor geral da ACI Europa.



