A nova ligação aérea direta entre Lisboa e Halifax, operada pela companhia canadiana WestJet, arranca a 1 de maio com quatro frequências semanais e deverá estar disponível até ao final de outubro, numa operação que a companhia quer que contribua para equilibrar o fluxo de passageiros entre Portugal e o Canadá Atlântico. O anúncio foi feito esta quinta-feira, em Lisboa, num evento que reuniu agentes de viagens e vários representantes institucionais e turísticos.
Durante a apresentação, a embaixadora do Canadá em Portugal, Élise Racicot, destacou a importância da nova rota para o reforço das relações bilaterais, sublinhando que “é sempre uma razão de celebrar, de estar feliz, de ver cada vez mais conexões”.
Segundo a responsável, cerca de 800 mil canadianos visitaram Portugal no último ano, manifestando o desejo de ver crescer também o fluxo inverso. “Gostaríamos muito de ver também cada vez mais gente sair de Portugal […] para visitar o Canadá”, afirmou.
Essa ambição foi também sublinhada por Kelley Keefe, da Atlantic Canada Agreement on Tourism, que, em declarações aos jornalistas, admitiu que o equilíbrio entre os dois mercados será um dos principais objetivos da nova rota. “O ideal seria 50-50”, afirmou, referindo-se à distribuição de passageiros entre os dois sentidos da operação. Ainda assim, reconheceu que, numa fase inicial, o peso poderá recair mais sobre o mercado canadiano: “Seríamos sortudos se fosse 60-40 […] seria um bom primeiro objetivo.”
A responsável explicou que a presença em Lisboa teve como objetivo reforçar contactos com operadores turísticos e agentes de viagens portugueses, de forma a promover o destino, sublinhando que existem operadores recetivos no Canadá Atlântico preparados para trabalhar com o mercado português.
“Gostaríamos muito de ver também cada vez mais gente sair de Portugal […] para visitar o Canadá”
Élise Racicot, embaixadora do Canadá em Portugal
Questionada sobre a notoriedade do destino em Portugal, Kelley Keefe considerou que a nova rota poderá ser um fator decisivo. “Quando se abre um voo direto […] toda a gente começa a perguntar onde é a Nova Escócia”, afirmou, destacando ainda a duração da viagem, de cerca de seis horas e meia, como uma vantagem competitiva.
Expansão da WestJet e aposta no mercado europeu
De acordo com Madalena Costa, da APG Portugal, representante comercial da WestJet no mercado nacional, esta nova ligação enquadra-se na estratégia de expansão da companhia, que conta atualmente com cerca de 180 aeronaves e mais de 110 destinos
A nova rota, que será operada por aeronaves Boeing 737-8 MAX, prevê partidas de Lisboa às 06h10, com chegada a Halifax às 08h50, enquanto o voo no sentido inverso deverá partir ao meio-dia, chegando à capital portuguesa às 21h55, horários ainda sujeitos a ajustes.
Além da rota Lisboa-Halifax e Ponta Delgada-Toronto, que irá arrancar a 12 de junho, a WestJet também vai começar a voar para Madrid e Copenhaga a partir de Halifax, aumentando a rede transatlântica para nove ligações.
Tiffany Chase, do Aeroporto Internacional de Halifax Stanfield, indicou que a infraestrutura oferece “todas as comodidades de um grande aeroporto internacional”, apesar de servir cerca de quatro milhões de passageiros por ano.
A responsável salientou ainda que o aeroporto é “um dos melhor conectados internacionalmente na América do Norte na sua categoria” e que a nova rota permitirá facilitar o acesso não só à Nova Escócia, mas também a outras regiões do Canadá e dos Estados Unidos.
Destino aposta na diversidade de experiências

A oferta turística da região assenta sobretudo na natureza e na proximidade ao oceano, com atividades como kayak, surf, trilhos costeiros e observação de vida selvagem, a par de experiências urbanas em Halifax, cidade com cerca de meio milhão de habitantes. A gastronomia é outro dos principais atrativos, com forte presença de produtos do mar como lagosta, vieiras e mexilhões, amplamente presentes na restauração local.
Holly Chessman, da Discover Halifax, descreveu a cidade como “vibrante, em crescimento e cheia de energia”, destacando a sua localização atlântica e a proximidade constante ao mar. “Não importa onde esteja na Nova Escócia, nunca está a mais de 65 quilómetros da água (…). Pode estar no centro da cidade e, em cerca de 20 minutos, estar numa praia isolada”, afirmou.
Halifax dispõe ainda de uma das “maiores zonas ribeirinhas urbanas do mundo”, com um passeio marítimo com cerca de quatro quilómetros, que concentra restaurantes, esplanadas, museus e espaços de lazer.
Já Kelley Keefe, da Atlantic Canada Agreement on Tourism, destacou que a região – composta por Nova Escócia, Novo Brunswick, Terra Nova e Labrador e Ilha do Príncipe Eduardo – é “o destino mais próximo da América do Norte para a Europa”.
A responsável indicou que a melhor época para visitar coincide com a operação da nova rota, entre maio e outubro. “Muitos visitantes passam alguns dias em Halifax e depois exploram o resto da região”, explicou.
Apesar de recomendar estadias mais longas, a responsável admite diferentes perfis de viagem: “O melhor seria pelo menos duas semanas […] mas sete a dez dias também é possível.”



